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Aprenda a analisar um poema com base no livro Claro Enigma

      
Fonte: Shutterstock
"Eu quero compor um soneto duro/ como poeta algum ousara escrever" começa Carlos Drummond de Andrade no poema Oficina Irritada do livro Claro Enigma. Ao longo das provas dos maiores vestibulares do Brasil e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) costumam ser abordados análises de poemas em suas provas de língua portuguesa. No entanto, como os estudantes podem ter dificuldades para conseguirem responder as questões desse tipo, a Universia Brasil conversou com o professor de Língua Portuguesa do Curso Poliedro Cesar Augusto Ceneme.


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Segundo o docente, o principal ponto que deve ser valorizado é a contextualização do poema. “Quando falamos de contexto, focamos na época histórica, que motiva um determinado autor nas suas obras”, explicou. Pensando na lista de leituras obrigatórias da Fuvest 2017, Ceneme acredita que Claro Enigma será recorrente nas provas, inclusive em outros vestibulares.

O professor contou que o livro representa uma fase muito específica do autor. Para ele, “A obra ilustra uma época da criação do poema do Drummond muito marcante, quando ele tinha uma maturidade poética grande”, contou. Por causa da complexidade poética, também é esperado que sejam cobradas relações entre poemas distintos, exigindo uma maior capacidade de análise dos candidatos dos vestibulares.

Para o professor, esse tipo de relação entre obras é possível, mas dificilmente será cobrada na segunda fase do vestibular, já que exigiria a leitura do segundo livro em questão. A relação mais esperada é entre fases do próprio autor: “Até 1950 vimos um Drummond preocupado em falar sobre as desigualdades do mundo. A partir da publicação do Claro Enigma, percebemos um Drummond mais introspectivo, uma poesia muito mais de estrutura clássica”, explicou.

Para que o aluno seja capaz de entender Claro Enigma, portanto, deve entender a forma como as percepções do autor são alteradas mediante ao contexto social que vive. Ceneme explicou que “em um primeiro momento, Drummond focava na denúncia, crítica social. Já no Claro Enigma, percebe que a obra é incapaz de mudar a sociedade desigual. Ele se sente pequeno diante de um mundo tão errado, muito marcado pela Segunda Guerra Mundial e pela Guerra Fria”.



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