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Entenda por que Pernambuco é um dos estados com a melhor educação pública do Brasil

      
Fonte: Shutterstock
Na última quinta-feira (8), o Ministério da Educação (MEC) divulgou os resultados da última edição do Índice de Desenvolvimento da educação Básica (Ideb) 2015, que utiliza as notas da Prova Brasil, entre outros indicadores, para definir uma nota para a educação brasileira. No Ideb são divulgados os dados relativos ao desempenho geral dos alunos, bem como o rendimento dos estudantes de escolas públicas e particulares, indo do 1º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio.

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Neste ano, juntamente com São Paulo, o estado de Pernambuco apresentou a melhor média do ensino médio em escolas públicas da rede estadual. Enquanto a média nacional foi de 3,7, os dois estados alcançaram uma nota de 3,9 pontos.

Ao unir os resultados das escolas públicas e particulares, o estado da região nordeste do País alcançou um total de 4,0 pontos, ficando logo atrás de São Paulo, com 4,2. No entanto, neste recorte da pesquisa, apenas Pernambuco e Amazonas, que recebeu nota de 3,7, bateram as metas regionais estabelecidas pelo MEC, de 3,9 e 3,3, respectivamente. Para superar o objetivo, São Paulo deveria ter alcançando 4,5 pontos.

Pernambuco: de 21º para o topo do pódio

Em 2007, Pernambuco ocupava uma das últimas colocações no ranking do Ideb. Em menos de 10 anos, a educação pública no estado saltou do 21º para o 1º lugar do País.

Segundo o Secretário da Educação do Estado de Pernambuco, Frederico da Costa Amancio, o processo de evolução da educação teve início justamente em 2007, com o então governador do estado, e ex-candidato à Presidência da República, Eduardo Campos (1965-2014). Ele implementou um processo de replanejamento da máquina pública, contemplando diversas áreas e secretarias do estado.

“No caso da educação, o trabalho foi feito a partir de um diagnóstico e da definição de quais seriam as grandes prioridades a serem trabalhadas, para que o estado pudesse sair dos últimos lugares”, explica Amancio.

A melhoria do ensino médio

O Secretario conta que o processo de reforma na educação de Pernambucocomeçou pelo ensino médio, fase da educação básica cuja gestão é feita exclusivamente pelo governo do estado. “Foram definidos na época quatro eixos estratégicos. Melhoria da infraestrutura das escolas, insumos pedagógicos[...], como parâmetros curriculares[...], escola em tempo integral e gestão por resultados, em que são construídas estratégias de trabalho a partir de indicadores [..], com dados por escola e por aluno”, explica.

Escola mais atrativa

Segundo Amancio, o diagnóstico da educação no estado dizia que um dos grandes desafios era reduzir o abandono escolar. “O estado era o 26º, penúltimo lugar do Brasil, em abandono escolar. Então tínhamos o grande desafio de reter, de manter o nosso aluno, para que ele não abandonasse a escola”, conta.

O Secretario conta que a solução do problema passa por deixar a escola mais atrativa para o jovem. “Temos um novo jovem que não quer mais aquela escola, com aquele quadro negro tradicional, o professor de costas para o estudante [...]. O aluno precisa despertar seu interesse”.

Com isso, foram aplicadas uma série de estratégias, ligadas a ferramentas tecnológicas, equipamentos digitais, aulas de robótica e mobilidade internacional. “Atualmente temos um programa de intercâmbio, chamado Ganhe o Mundo, que todo o ano manda os mil estudantes que mais se destacam nas escolas do estado para passar um semestre letivo no exterior. São 700 alunos para programa de língua inglesa e 300 para de língua espanhola”, diz Amancio.

O resultado foi que, após sete anos, em 2014, a escola deixou a penúltima colocação em abandono e se tornou o estado com a menor taxa de alunos que deixam a escola (3,5%).

Escola em tempo integral e educação profissionalizante

Amancio conta que Pernambuco foi o primeiro estado brasileiro a ter a experiência da escola em tempo integral, no ano de 2004, com a tradicional Ginásio Pernambucano. “Os primeiros resultados foram muito positivos, então, na sequência, a iniciativa evoluiu para um projeto chamado Centros Experimentais, até 2006. Quando chega Eduardo Campos, o diagnóstico indica que os números são bons e que pode ser uma ótima estratégia para melhorar os resultados das nossas escolas”.

O projeto das escolas em tempo integral foi massificado, passando de 12 primeiros Centros Experimentais para 300 escolas, chamadas de escolas de referência, com a presença de pelo menos uma por município. Há também uma outra estratégia focada em escolas técnicas, que somam 35 unidades, todas em tempo integral.

O que ainda falta...

Além de dar sequência à estratégia de implementar mais escolas em tempo integral no ensino médio, após a análise de uma extensa série de indicadores da educação, que também são estudados por organizações como o Instituto Natura e a Universidade de Stanford, percebeu-se, segundo o Secretário, que para dar um segundo grande salto é preciso investir mais no ensino fundamental.

“Os anos iniciais do ensino fundamental em Pernambuco são quase que cem por cento com os municípios e boa parte dos anos finais do ensino fundamental também são com os municípios. Apesar da grande melhora neste último Ideb, ainda é preciso evoluir muito, o que passa por construir um trabalho juntamente com os municípios, seja do ponto de vista pedagógico ou do ponto de vista de gestão”, explica Amancio, que também contou que o próximo passo será o início de um projeto piloto de escolas em tempo integral para o fundamental II.

E o que dificulta as mudanças...

Apesar de terem sido implementadas pequenas mudanças curriculares regionais, o Secretario conta que ainda não é possível se afastar do currículo nacional, porque ainda é preciso preparar o jovem para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

“Nós temos uma visão aqui no estado que deveríamos ter um currículo com menos disciplinas trabalhadas, com menos conteúdo e mais profundidade. Nós não avançamos como gostaríamos por causa do Enem, mas a Base Nacional Comum pode ser a oportunidade para isso. Acreditamos criar mais possibilidades se tivermos uma estrutura que proporcione trilhas diferentes para o estudante no ensino médio, mas para isso o currículo do Brasil precisa melhorar”, opina.

“Temos plena consciência do quanto avançamos, mas também de quanto o caminho é longo. É como se tivéssemos subido um degrau, e isso deve ser comemorado, mas a educação do Brasil ainda precisa melhorar muito”, finaliza.



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