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10 erros de português que você NÃO PODE mais cometer

      
10 erros de português que você NÃO PODE mais cometer
10 erros de português que você NÃO PODE mais cometer  |  Fonte: Shutterstock

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Por mais que a gente estude, leia e treine, algumas dúvidas e deslizes no português insistem em acontecer. São tão simples que, quando os cometemos, só conseguimos sentir vergonha. Porém, isso pode – e vai mudar – porque esses 10 erros de português você NÃO PODE mais cometer com curadoria do Professor Sérgio Duarte.

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COMPRIMENTO OU CUMPRIMENTO?

Ambas as palavras existem, porém com significados diferentes. A confusão resulta do fato de possuírem grafia e pronúncia semelhantes (ou seja, são palavras parônimas).

Comprimento se refere à extensão de algo (junto às outras dimensões, que são largura e altura). Já cumprimento é o ato de cumprimentar alguém (fazer uma saudação ou um elogio) ou, ainda, de cumprir (realizar) algo.

Exemplos:

A mesa tem dois metros de comprimento

Receba meus cumprimentos por sua promoção

O cumprimento da ética é fundamental a todos os profissionais

MEIO-DIA E MEIO OU MEIO-DIA E MEIA?

Ao expressarmos horários como 7h30min dizemos "sete e meia", pois a lógica é "sete horas mais meia hora", ou seja, "sete horas mais metade de uma hora". No caso de 12h30min, temos:

12h: meio-dia (metade de um dia)

30 min: meia hora (metade de uma hora)

Assim como não dizemos "sete e meio" para 7h30min, também não devemos dizer "meio-dia e meio" para 12h30. Portanto, diga sempre "meio-dia e meia", "meia-noite e meia".

E atenção ao hífen em "meio-dia" e "meia-noite" no caso de horários, ok? Isso não ocorreria, por exemplo, em "demorei meio dia para escrever o projeto", pois, aqui, não se trata de horário.

CONCERTO OU CONSERTO?

A regra é clara: Concerto é um espetáculo musical e conserto é forma do verbo CONSERTAR (=reparar) e também o substantivo (=reparo).

Exemplo:

Chopin compôs diversos concertos para piano.

O conserto do meu carro vai demorar duas semanas.

Seu violino está com problemas? Providencie o conserto dele para poder usá-lo no próximo concerto.

VIAJEM OU VIAGEM?

VIAGEM é o substantivo; refere-se ao ato de partir de um lugar a outro.

Exemplos:

Espero que faça uma ótima viagem.

A viagem foi cansativa.

VIAJEM é uma forma do verbo viajar.

Exemplos:

Espero que todos viajem bem.

Talvez meus vizinhos viajem e me peçam que cuide de seu gato.

FALTA OU FALTAM DUAS PESSOAS?

Em "falta duas pessoas", o sujeito de falta é pessoas (duas pessoas faltam), assim como o sujeito de chegou é meus amigos.

Portanto, o correto é faltam duas pessoas (porque duas pessoas faltam) e chegaram meus amigos (porque meus amigos chegaram).

Atenção especial a verbos que, aparentemente, não exigem sujeito, como existir, ocorrer e constar, por exemplo. Como raramente são utilizados na ordem direta, preste atenção:

Existem lugares lindos no Brasil. (E não "Existe lugares lindos...")

Ocorreram alguns problemas no processamento. (E não "Ocorreu alguns problemas...")

Constam informações divergentes no seu questionário. (E não "Consta informações...")

POR QUE OU PORQUE?

Há uma falsa ideia de que se deve utilizar por que nas perguntas e porque nas respostas.

Na verdade, usamos por que (separado) por haver uma palavra implícita: por que motivo, por que razão. Use esse critério, independentemente de se tratar de uma pergunta ou não.

Exemplo:

Não sei por que ele ainda não chegou. (Não sei por que motivo ele ainda não chegou)

Por que ele ainda não chegou? (Por que motivo ele ainda não chegou?)

Nessa mesma linha de raciocínio, usa-se por que quando há equivalência a pelo qual (e variações).

Exemplo:

Esse é o motivo por que não queria falar com você. (o motivo pelo qual)

Eis as razões por que ninguém votou nele. (as razões pelas quais)

Quando é conjunção (liga orações), porque é grafado como uma só palavra e sem acento.

Também aqui não interessa se a frase é interrogativa ou não:

Ele não veio porque estava doente

Ele não veio porque estava doente ou porque não quis?

INTERVEIO OU INTERVIU?

Intervir significa interceder, interferir. Se dissermos, por exemplo, que a polícia intercedeu no caso ou que o diretor deverá interferir na questão, não ficará difícil imaginar a ação de vir. E é justamente esse o modelo de conjugação do verbo intervir.

Pense nas formas do verbo vir e aplique-as todas ao verbo intervir: eu venho/intervenho; ela veio/interveio; se ninguém vier/intervier, etc.

Exemplo:

Não intervim na briga porque não os conheço.

Talvez fosse melhor que o governo não interviesse em questões particulares.

HOUVERAM OU HOUVE PROBLEMAS?

Essa dúvida de português ocorre porque a pessoa faz uma falsa inferência a partir de casos como, por exemplo:

# Chegaram vários documentos.

# Constam algumas falhas no seu projeto.

Nos casos acima, chegaram e constam concordam respectivamente com vários documentos e algumas falhas porque, de fato, esses termos são o sujeito dos verbos (vários documentos chegaram e algumas falhas constam). Mas isso não se aplica ao verbo haver no sentido de existir, acontecer, realizar-se.

No nosso exemplo, problemas não é sujeito de haver: haver é verbo impessoal e, portanto, não varia conforme a pessoa. Se seguíssemos a lógica de problemas houveram, poderíamos dizer hão problemas!

Assim, o verbo haver será impessoal e não concordará com o sujeito nos casos em que significar existir, acontecer, realizar-se:

# Há problemas.

# Houve problemas.

# Haverá problemas.

# Haveria problemas.

MAL OU MAU?

A pronúncia idêntica de mal e mau, em muitos lugares do Brasil, acaba por criar confusão na escrita. As duas palavras existem, porém, têm funções diferentes.

MAL é advérbio e é o oposto de BEM em resposta a "Como...?". Na dúvida, troque mal por bem: se fizer sentido, estará correta a utilização de mal. Exemplos:

Ele dança mal. (Como ele dança? Ele não dança bem; dança mal.)

Os candidatos que falam mal a língua inglesa serão descartados. (falam mal / bem)

Fica fácil verificar que ninguém "dança bom" nem "fala bom a língua inglesa".

MAU é adjetivo e é o oposto de BOM. Associa-se semanticamente a "ruim". Na dúvida, troque mau por bom e verifique se o resultado faz sentido. O feminino de mau é má. Exemplos:

O mau tempo inviabilizou o jogo. (mau / bom tempo)

A causa do mau ensino são maus professores ou maus alunos? (mau / bom ensino)

Cuidado em casos capciosos:

Não foi contratado porque tinha mau português.

Não foi contratado porque falava mal o português.

EXISTE DE MENOR E DE MAIOR?

Na norma culta, quando nos referimos à maioridade de uma pessoa, dizemos:

Ele é maior de idade. / Ele é menor de idade.

Ele é maior. / Ele é menor.

Não há razão para dizer "ele é de maior", pois não se diz "ele é de maior de idade". O mesmo vale para "menor".

SEÇÃO, SESSÃO OU CESSÃO?

A confusão vem do fato de seção, sessão e cessão serem palavras homófonas, ou seja, têm a mesma pronúncia, mas grafias diferentes. Vamos lá:

a) Seção é uma parte; relaciona-se a dividir, seccionar (ou secionar, tanto faz);

b) Sessão é uma apresentação, espetáculo ou reunião; e

c) Cessão vem do verbo ceder (dar; desistir em favor de alguém).

Sempre que possível, procure associar a palavra a outra de seu mesmo universo semântico (de sentido) e, assim, encontrará a letra correta: seccionar/seção; ceder/cessão.

No caso de sessão, a palavra deriva do latim sessio (ação de sentar-se), daí seu uso com situações em que, em princípio, as pessoas se sentam.

Exemplo:

De qual seção do jornal você gosta mais, política ou esportes?

Haverá uma sessão extra do filme à meia-noite.

A reforma agrária acarretará a cessão de terras a pequenos agricultores.



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