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O que é negócio social e como empreender com esse propósito? – Parte 1

      
O que é negócio social e como empreender com esse propósito? – Parte 1
O que é negócio social e como empreender com esse propósito? – Parte 1  |  Fonte: Shutterstock

Marília Ferreira

Consultora na Ideia Sustentável, estratégia e inteligência em sustentabilidade. Ela assina a coluna semanal Aprendizagem Empreendedora na Universia Brasil

Você, que já pensou em empreender, provavelmente se viu diante de dilemas (será que vou fracassar ou prosperar, qual a melhor forma de prospectar clientes, como aumentar a visibilidade da empresa, qual deve ser o investimento inicial, como executar o negócio, etc.) cujas respostas são básicas e estruturantes para o negócio.

O negócio social não se configura nem como uma atividade do segundo setor, nem do terceiro. Apesar de não ser oficial, há quem se refira a esta modalidade como o setor dois e meio. As empresas que trabalham com este propósito, oferecem produtos ou serviços para solucionar um problema social.

Em outras palavras, os negócios sociais são pensados de modo a fornecer soluções escaláveis para os problemas sociais das populações de baixa renda. Este modelo de negócio possui rentabilidade (sim, ele é autossuficiente financeiramente!) e, apesar do nome poder sugerir essa ideia, ele não depende de doações. A iniciativa social, neste caso, é o próprio negócio, isto é, a atividade principal é o produto ou serviço que é ofertado à sociedade, com vistas a gerar impacto social ou ambiental positivo.

O negócio social serve a um propósito e a um significado e não está sujeito a gerar dividendos aos acionistas. Na realidade, o dinheiro que é investido deve ser reaplicado em outro negócio social ou na expansão daquele que já está em curso, de modo que ele entre em um ciclo de reciclagem onde o que é investido gera impacto, produz lucro, que por sua vez é reinvestido para gerar mais impacto positivo na sociedade e assim por diante. Por ter esse caráter libertador, dá maior vazão à criatividade e à inovação.

COMO TUDO COMEÇOU

Muhammad Yunus, vencedor do prêmio Nobel da Paz em 2006, foi o economista e empreendedor bengalês que deu origem ao termo e ao primeiro negócio social, o banco Grameen.

Com apenas 27 dólares, Yunus concedeu empréstimos a mulheres da ilha de Jobra, em Bangladesh, que viviam abaixo da linha da pobreza. Livre de agiotas, essas mulheres não somente pagaram o empréstimo, como geraram novas demandas e com o dinheiro, quitaram suas dívidas e até iniciaram seu próprio negócio. Logo nascia o Grameen Bank e a ideia do microcrédito, que mudaria a vida de milhares de pessoas, tirando-as da pobreza extrema e dando-lhes a oportunidade de terem acesso ao dinheiro via empréstimo.

FUNDAMENTOS

Os negócios sociais possuem características que são básicas a todos. Confira:

1.Utiliza mecanismos de mercado para atender seus propósitos sociais

2.Geram impacto social e ambiental positivo por meio de sua atividade principal (core business)

3.É autossuficiente financeiramente, portanto gera receitas a partir da oferta de produtos ou serviços

4.Levam em conta as condições da realidade local e a relevância do negócio para a demanda

5.Não é estruturado para gerar dividendos a acionistas, mas para solucionar problemas enfrentados pelas populações de baixa renda e por esta razão, revertem os lucros para a geração de mais impacto positivo. (Hoje já existe uma corrente contrária a essa ideia, defendida por Stuart Hart e Michael Chu. Saiba um pouco mais acessando esse site)

6.Não dependem de doações ou captação de recursos para suas operações

7.São estruturados de modo a gerar escala e operar de maneira eficiente

8.É uma empresa ambientalmente consciente e os colaboradores devem receber condições de trabalho dignas e decentes, com salário compatível ao valor de mercado.

Se você se interessou, pode conhecer um pouco mais a história de Yunus e do Grameen Bank no site brasileiro da iniciativa, clicando aqui. Na próxima semana, vamos conhecer algumas iniciativas de sucesso de pessoas que apostaram nos negócios sociais, no Brasil e no mundo. Até lá!



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