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Noticia : Teatro
06/02/2012
Hugo Possolo, líder e criador do Grupo Parlapatões, Patifes & Paspalhões, fala da nova leitura da comédia PPP@WllmShkspr.Br, que está em cartaz em São Paulo no Espaço Parlapatões
Hugo Possolo (à direita) em cena de PPP@WllmShkspr.Br
PPP@WllmShkspr.Br está em cartaz até 25 de março
A companhia paulistana Parlapatões, Patifes & Paspalhões está em cartaz em São Paulo com a nova leitura da comédia PPP@WllmShkspr.Br em que busca apresentar, de maneira abreviada, a história da obra de William Shakespeare. Os textos são dos atores norte-americanos Adam Long, Jess Borgeson e Daniel Singer com tradução de Barbara Heliodora, considerada uma grande especialista na obra do dramaturgo inglês. A direção é de Emílio Di Biasi.
PPP@WllmShkspr.Br está em temporada no Espaço Parlapatões, na Praça Franklin Roosevelt, até março. A primeira montagem foi feita em 1998 e apresentada cerca de 500 vezes em uma série de festivais brasileiros.
Com novo cenário e figurinos, o espetáculo é encenado por Hugo Possolo, Raul Barretto (ambos da montagem original) e Alexandre Bamba. "Refizemos figurinos, adereços e cenários sob a mesma concepção", contou Possolo.
Confira a seguir a entrevista com Hugo Possolo, líder e criador do Grupo Parlapatões, Patifes & Paspalhões:
O que te motivou a re-estrear "PPP@WllmShkspr.Br"?
Hugo Possolo: PPP@WllmShkspr.Br é um espetáculo de 1998. Foram 500 apresentações pelo Brasil. E a gente seguiu com vontade de continuar com ele. O grupo Parlapatões procura manter o seu repertório. A volta do PPP@WllmShkspr.Br marca os 50 anos de carreira do diretor Emílio de Biasi.
Foram criadas novas cenas durante os ensaios? Mudou o cenário? E o figurino?
Hugo Possolo: Cenário sim. Demos um tratamento diferente ao cenário, mas sem mudar muito a concepção. Quanto ao figurino aproveitamos a metade.
Atualizaram-se algumas piadas? Há referências atuais?
Hugo Possolo: Sim. Atualizamos as piadas. Algumas foram “enxugadas” para tornar o texto mais dinâmico. E sempre tem referências atuais. Às vezes, essas referências estão no improviso. Estamos atentos a tudo o que está acontecendo.
Você acredita que Shakespeare continua como uma realidade distante?
Hugo Possolo: Há uma modificação bem grande. Inclusive, há modificação do próprio público. Antes, ninguém sabia que era Shakespeare. Hoje, as pessoas pensam "deixa eu ver o Shakespeare dos Parlapatões". As pessoas querem ver o que fizemos com o Shakespeare. Quem conhece a obra de Shakespeare a fundo se diverte. É um jeito bem-humorado de olhar para o Shakespeare. E quem não conhece acaba achando interessante. Os versos do Shakespeare que usamos no espetáculo cativam o público.
Qual é o seu trecho favorito do espetáculo?
Hugo Possolo: Adoro fazer Romeu e Julieta. Eu faço a Julieta e acho incrível (risos). Faço o mais idiota de todos os personagens. Isso me dá uma liberdade muito grande de brincar. Para exercício de palhaço, é fantástico.
O encanto no texto de Barbara Heliodora é o mesmo de hoje?
Hugo Possolo: Sem dúvida. A tradução da Barbara é muito importante. Tudo o que a gente fala de Shakespeare no espetáculo é em verso. E, às vezes, acho que o público não percebe isso de tanto que a gente brinca (risos).
21 anos depois da estreia dos Parlapatões, a batalha do circo continua? Você acredita que ainda é difícil mostrar que existe potencial no Brasil?
Hugo Possolo: Melhorou, mas ainda está longe do que precisa. Tanto para o teatro quanto para o circo. A situação econômica do País melhorou. Todos os que trabalham com teatro e circo buscaram e lutaram por política pública. Há em São Paulo uma Lei de Fomento que já dura mais de 10 anos. Hoje, existem setores de circo. Antes, circo era o primo pobre das artes cênicas. É obrigação do Estado manter esse tipo de tradição viva.
Qual reflexão gerou a sua motivação poética de fazer rir?
Hugo Possolo: Mudou o olhar sobre a realidade. À medida que você trabalha com humor, muda o olhar sobre os problemas naturais da vida. O humor te transforma. É claro que o humor, às vezes, é destrutivo. É como um tiro que disparado destrói uma pilastra. Mas isso não significa que o humor não tenha oura pilastra. O humor não é necessariamente transformador. Mas nós dos Parlapatões fazemos com que o humor mude o olhar das pessoas.
Você ainda não precisa convencer que vale a pena?
Hugo Possolo: Isso é constante. Não existe lugar sagrado. Quando jovem, você entra nesse universo sabendo do risco que está correndo. O importante é não desviar o rumo artístico que você procura. É importante ter apoio privado ou público. Mas é seguir o rumo que quer e buscar apoio. Caso contrário, você perde a autenticidade. É claro que a tentação é sempre grande. Mas mais importante do que apoio privado ou público é o apoio no que você acredita.
O que te faz rir? Que artista você tem como referência?
Hugo Possolo: Vivemos em um país de tanto absurdo. O que me diverte? Gosto do humor do Ronald Golias. Eu era apaixonado pelos palhaços Torresmo e Arrelia. Também curtia a série de humor “Agente 86”.
E do humor da stand-up comedy? O que você acha do humor do Rafinha Bastos?
Hugo Possolo: Gosto do Rafinha Bastos e Danilo Gentili. Stand-up comedy virou moda. Alguns comediantes têm capacidade, outros não. Isso é natural. E é o público quem seleciona.
Como você avalia toda a polêmica em torno do humor do Rafinha Bastos?
Hugo Possolo: O Rafinha Bastos virou alvo da pouca incoerência da Band. Tentaram destruir um profissional que foi contratado para fazer o que ele fez na Band. A emissora não deu suporte suficiente. Eu gosto do CQC, mas nunca mais assisti ao programa com a mesma empolgação e alegria que tinha quando o Rafinha estava no elenco. Penso que o gosto não pode ser unânime. O gosto unânime fez Hitler chegar ao poder. O gosto precisa ter variedade. É uma vergonha para o país tirar o DVD do Rafinha Bastos da loja. Você pode até contestar a piada dele. Agora, tirar da loja é censura. E censura é algo vergonhoso.
A televisão brasileira ainda não te atrai? Você mudou de opinião?
Hugo Possolo: Resisti muito fazer televisão. Fiz uma série na Globo que adorei. Tenho vontade de fazer de novo se eu puder fazer com liberdade e qualidade. Eu vivo bem com o teatro, tenho o meu público e estrutura digna de vida. Mas eu não nego a televisão.
Como você avalia a polêmica sobre o suposto estupro no reality show Big Brother Brasil, da TV Globo?
Hugo Possolo: BBB quase me desinteressa. Isso é feito para levantar a audiência. O BBB é o princípio da decadência da televisão. Se a televisão brasileira não se controlar, vai perder a capacidade que tem de trabalhar a imaginação das pessoas. Esse formato de reality show é chuva de verão. Vai passar. Existe porque dá lucro.
O que você tem aprendido nesses anos de palhaçadas?
Hugo Possolo: A própria figura do palhaço ensina muito. Ensina que o ser humano erra. Quando você erra, você tem que assumir que errou, encarar o problema e ir em frente. Não pode transformar o erro e uma enorme culpa. Você tem quer ter caráter.
Cirque du Soleil não quis te contratar ainda não?
Hugo Possolo: (risos) Já conversei com eles sim. Sempre fui sondado. Conheço bem a estrutura do Cirque du Soleil, mas me encanta meu trabalho aqui. Claro que também me encanta a possibilidade de fazer um trabalho fora do Brasil. Seria animado. Seria ótimo poder criar e propor coisas diferentes.
Você já perdeu a graça?
Hugo Possolo: A gente oscila. Não estou sempre inspirado. Há momentos que você é mais forte do que seu humor. Para isso existe a técnica. A gente se apóia nele e sempre funciona.
O que te faz perder a graça?
Hugo Possolo: Todas as situações sociais. Às vezes, é difícil extrair humor disso. Com vou fazer alguém rir disso? Temos que achar uma saída criativa para não criticar e gerar ainda mais dor. O olhar precisa sempre estar aguçado.
Seus planos para 2012?
Hugo Possolo: Montar um Molière. Talvez no fim desse ano ou no ano que vem.
Serviço - PPP@WllmShkspr.Br
Quando: até 25/3. Sábado: 21h. Domingo: 20h.
Onde: Espaço Parlapatões (Pça. Franklin Roosevelt, 158, - República - Centro. Telefone: 11-3258-4449).
Quanto: Ingresso a R$ 30. Aceita os cartões Amex, Diners, MasterCard, Visa.
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