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Entrevista

"O gênero não determinará mais o nível de competência e liderança", diz dirigente de universidade

      
O gênero não determinará mais o nível de competência e liderança, diz dirigente de universidade

Maria Pia Mendes de Almeida

Maria Pia Mendes de Almeida é diretora da UCAM (Universidade Cândido Mendes) e jornalista. Ela fala sobre as mulheres no poder nos tempos atuais

Nesta semana, a série "Opinião" aborda o tema mulheres nos poder. A convidada desta edição é Maria Pia Mendes de Almeida, diretora da UCAM (Universidade Cândido Mendes), no Rio de Janeiro. Leia a entrevista:


Segundo dados da ONU, a América Latina é a região com mais mulheres no poder (1 parlamentar a cada 4 homens). Podemos considerar que a América Latina está na vanguarda no tema de paridade entre homens e mulheres na esfera política?

Sim, a pesquisa indica isto. Ainda que esteja restrita a política já é um avanço.


Houve mudanças significativas desde que as mulheres chegaram ao poder em nossa região e no mundo? Quais?

Sim. Nas esferas que compreendem direitos com relação à maternidade, leis contra a violência doméstica e familiar, cotas ou estímulo de maior participação nos parlamentos e alguma paridade salarial entre os gêneros, entre outras. Mas há muito ainda a ser feito.


Quais foram as condições principais para que as mulheres pudessem disputar por um lugar político em nosso continente e no mundo?
A condição propícia foi a entrada significativa da mulher no mercado de trabalho, deste modo houve um empuxo na independência financeira da mulher, a condição de igualdade nas questões de cidadania, e o próprio direito ao voto como ponto de partida. Ainda que em muitos países a cultura de ocupação exclusivamente masculina nos postos de comando permaneça e, portanto, inacessível a mulher. O movimento feminista teve papel importantíssimo na inserção da mulher dentro da sociedade participativa. Lutas essenciais neste sentido.


Qual a visão da sociedade em relação às mulheres como líderes?
Creio que positiva. Com o tempo em muitos países a condição de gênero não determinará mais o nível de competência e liderança.


Será possível conseguir uma paridade absoluta entre homens e mulheres não somente na esfera política, mas também acadêmica, científica, empresarial, etc? Quais os principais desafios?
Absoluta não, pois em determinadas culturas os códigos sociais entre os gêneros, em variadas atividades, são distintos. Há a mentalidade da predominância do masculino por sobre o feminino, até mesmo por lei. O desafio reside na quebra deste sistema. Em boa parte do mundo ocidental, neste caso, independe de gênero. E logo, assim espero, não precisaremos mais de políticas públicas de reserva de mercado. O tempo dirá.

Quem são as principais figuras de liderança feminina da atualidade?
A liderança tem características importantes e específicas. Se analisarmos somente do ponto de vista político e atual a Chanceler alemã Angela Merkel cumpre alguns requisitos neste sentido na economia que comanda, e dentro e fora da União Europeia. Já a presidente do Chile, Michelle Bachelet, foi a primeira mulher ministra da Defesa da América Latina (cargo em geral ocupado por homens), e como Subsecretária Geral e Diretora da ONU Mulheres fez um significativo trabalho pelos direitos das mulheres e meninas. Nesta função dedicou-se ao aumento da participação das mulheres no espaço político, e liderou também o trabalho relativo a igualdade de salários entre homens e mulheres no mundo. E pautou o tema sobre a violência contra a mulher. A presidente chilena promulgou este ano uma lei para criar o ministério da Mulher e a Equidade de Gênero, e tem no corpo de seu atual ministério nove mulheres. A apresentadora de TV americana Oprah Winfrey é considerada uma mulher de grande influência junto a seus telespectadores, e de capacidade agregadora. Concorde-se ou não com o perfil de suas produções ou de seu grupo empresarial, esta é a realidade. Depois de muitos anos apresentando o The Oprah Winfrey Show inaugurou o OWN em rede de TV a cabo. Midiaticamente falando produziu filmes de impacto, e atuou na produção literária, de TV e rádio, além de projetos sociais na África. A empresária desenvolveu pautas a exaustão na TV sobre a mulher, a violência contra a mulher, e a promoção da cidadania e direitos de um modo geral. Tem forte liderança na formação de opinião não só entre os norte-americanos. Mas a grande maioria das líderes femininas é anônima. Realizam trabalhos por todo o mundo com pouca estrutura e pouco dinheiro. De um modo geral atuam onde existe um vácuo de responsabilidades governamentais. São trabalhos importantes ligados a causas humanitárias, sociais, e sim, claro, na defesa dos direitos da mulher em países onde existem limitações. Estão presentes também na luta política por mais liberdade em países não democráticos. Não buscam os holofotes, trabalham duro nos bastidores e o reconhecimento de suas lutas é consequência natural dos esforços empreendidos e resultados positivos que alcançam. Representava bem este papel a madre Teresa de Calcutá (hoje Beata Teresa de Calcutá) um destes casos que posteriormente a um longo e penoso trabalho ganhou os holofotes e o Nobel da Paz.



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