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Estudo da USP analisa a técnica de locução de Osmar Santos

      
A jornalista Edna Andrade analisou em sua dissertação de mestrado, defendida na ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP, todos os fatores que transformaram o locutor esportivo Osmar Santos em um dos mais conhecidos e respeitados do País. O trabalho mostrou que a chave para o bom desempenho de Osmar era aliar perfeita dicção, respeito com o ouvinte e criatividade na transmissão.

A intenção de Edna em estudar o trabalho de Osmar Santos foi anterior ao grave acidente sofrido pelo locutor, em dezembro de 1994. "Foi ouvindo Osmar Santos que me apaixonei pelo futebol transmitido pelo rádio", conta a jornalista. Para a realização de sua pesquisa, Edna ouviu, além do próprio Osmar Santos, ex-companheiros, como produtores de TV e rádio, repórteres e familiares.

Osmar Santos falava até 100 palavras por minuto, "sem atropelar nem engolir nenhuma palavra ou letra", destaca Edna. A jornalista relata que uma fonoaudióloga, ao analisar um trecho de uma locução de Osmar, a definiu como "perfeita, maravilhosa, uma verdadeira obra-prima".

Mas a "perfeição" na fala de Osmar não se resumia à sua dicção. O locutor usava a dramaticidade como elemento para reforçar a narração. "Ele atuava como um autêntico mediador do jogo, já que precisava falar da partida para quem não a assistia, para quem estava no estádio e para os que ligavam a TV sem som", aponta. Para isso, Osmar valorizava a partida com muita dramaticidade, chamando a atenção do ouvinte de maneira constante.

O respeito de Osmar pelo ouvinte se manifestava por essa mediação e também pelo carisma que exibia no trato às pessoas. "Osmar Santos se portava da mesma maneira com um faxineiro e com o Presidente da República", destaca Edna. Esse carisma foi um dos componentes que o levou a ser o locutor oficial das Diretas Já, movimento popular do início da década de 80.

"Foi com as Diretas Já que Osmar se consagrou nacionalmente", definiu a jornalista. O sucesso nacional foi fruto de uma preocupação constante de Osmar: "por mais que sempre ressaltasse seu lado paulista, ele procurou um método nacional de narrar, sem sotaques e expressões extremamente regionais".

Ripa na chulipa
A maior marca de Osmar Santos, sem dúvida era sua criatividade. "O que o diferenciou dos demais locutores foram seus jargões", define Edna. Para ela, a força das expressões de Osmar podem ser medidas pela sua constante utilização: "até hoje se fala 'ripa na chulipa e pimba na gorduchinha', mesmo com Osmar afastado há mais de sete anos da locução".

O estudo também analisou o processo de criação dos jargões, e constatou que a virtude de Osmar era estar extremamente atento para as influências que o rodeavam. "Osmar Santos gostava muito de poesia, era um grande leitor de Carlos Drummond de Andrade, Camões, Eça de Queirós, além de muitas coisas da música brasileira", ressalta Edna. Além destas influências, o locutor captava muita coisa da linguagem popular que ouvia no dia-a-dia.

A força dos jargões de Osmar Santos era tamanha que um lingüista consultado por Edna afirmou que "o impressionante é que frases como 'pimba na gorduchinha' não têm nenhum significado, mas todos entendem com perfeição".

A consagração de Osmar Santos como um dos maiores locutores do rádio brasileiro se traduz também com o que Edna chama de "escola Osmar Santos de narração": a existência de locutores que hoje narram as partidas com um estilo muito semelhante ao do Pai da Matéria. Como exemplo, a jornalista cita os locutores Carlos Fernando e Ulisses Costa, "seguidores" de Osmar.

A dissertação Osmar Santos: o Pai da Matéria. E que gol! tem seus capítulos intitulados com expressões criadas pelo locutor: Garotinho, cheguei fala da linguagem e das gírias do locutor; a análise sobre a voz de Osmar está no capítulo É lá que a menina mora, Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha apresenta o estudo sobre o "mito" Osmar Santos, Animal analisa a dramatização e Bambeou mas não caiu fala sobre o acidente de 1994.

Mais informações: pelo e-mail edna_andrade@hotmail.com, com Edna Andrade

Fonte: USP
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