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Clonagem humana é inútil e imoral, defende um dos maiores especialistas em biotecnologia

      
De Belo Horizonte - Cinco anos. Esse seria um prazo ideal de "moratória" nas pesquisas para que a comunidade científica pudesse refletir sobre os limites éticos e morais da clonagem de seres humanos, visando a terapia gênica germinal e reprodutiva. Foi o que defendeu o geneticista francês Axel Kahn, professor da Universidade de Paris e presidente da Comissão de Alto Nível para as Ciências da Vida da Comunidade Européia. Contrário à criação de embriões humanos para a pesquisa, ele proferiu palestra intitulada "Biotecnologia e a produção do homem no futuro: aspectos tecnológicos e éticos", no auditório da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Convencido de que a sociedade deva participar de uma discussão ampla sobre o assunto antes da liberação das pesquisas e experiências no mundo inteiro, Axel Kahn está no Brasil discutindo aspectos científicos, sociais e éticos da biotecnologia. "A moratória, neste caso, seria legítima. Mesmo sob a ótica do progresso, é inútil e imoral a clonagem humana para a preparação de medicamentos", enfatizou Kahn. Apesar de não reconhecer vida consciente e autônoma, ressaltou o cientista, o embrião é uma possibilidade de vida, uma premissa. "Não podemos banalizá-los. Se ainda não é qualificado, cientificamente, o embrião é o início de um processo de vida", afirmou o cientista. A terapia gênica é apontada como alternativa - com a criação de um embrião gêmeo a partir do núcleo central de uma célula doente - no tratamento de doenças como, por exemplo, mal de Parkinson ou Alzhaimer. Tecidos, órgãos e células que normalmente sofrem rejeição quando transplantadas de indivíduos diferentes, seriam transplantados com sucesso no cérebro do paciente. No entanto, o número de pessoas que podem ser beneficiadas por esse método é muito restrito, o que, na opinião de Kahn não justifica a clonagem. "Ainda não é realista a esperança de se curar vários doentes. Para criar um embrião seriam necessários de cem a 200 óvulos, depois seria preciso isolar as células e ter a certeza que não são cancerígenas", refletiu.

A clonagem reprodutiva também é condenada pelo geneticista. De acordo com ele, ela tira a liberdade do ser humano nascer e crescer com a liberdade de ser ele mesmo, sem a interferência da ciência, já que o objetivo é criar um indivíduo com as características que os pais escolhem, como sexo, cor de cabelo, dos olhos, etc.Para o cientista, há muitas barreiras morais que devem ser respeitadas antes de se autorizar a realização da clonagem terapêutica. "A Igreja é contra criar um embrião e destruí-lo. A população tem medo de se criar um comércio de óvulos, que beneficiaria os ricos. Por fim, há o receio de que a clonagem terapêutica facilite a liberação da clonagem reprodutiva. Hoje, não se justifica passar por cima da moral", avaliou Kahn. Mas ele concorda que, se o melhor e mais sério laboratório pudesse fazer as pesquisas e publicasse o resultado positivo, os outros poderiam usar a receita. "As clonagens de mamíferos resultaram até hoje em muitos seres defeituosos, m baixa imunidade e pouco tempo de vida. ? um risco muito grande. Os cientistas que disserem que já clonaram o ser humano estão blefando. O grande questionamento, resumiu o cientista é como fazer para o progresso técnico beneficiar o homem".

Transgênicos

Kahn defende que as biotecnologias, por sua vez, devam ser utilizadas, cada vez mais, para resolver o problema da fome no mundo. Hoje, da população de seis bilhões de pessoas, 600 a 800 milhões passam fome. Com a perspectiva de que o crescimento populacional atinja, dentro de 20 anos, algo em torno de 8,5 bilhões de pessoas, a escassez de água e o saturamento do solo com a aplicação de adubos e pesticidas, o aumento da produtividade só será possível com a melhoria da qualidade dos alimentos. O consumo dos transgênicos, reconhece o cientista Axel Kahn, deve começar a ser tratado como uma questão política.

O setor que movimenta hoje algo em torno de U$ 150 bilhões, em breve, deve atingir a cifra de U$ 400 bilhões. O patenteamento de genes e seres vivos, defendido pelos Estados Unidos e dez dos 15 países que compõem a Comunidade Européia, para ele, é apropriação indébita do patrimônio universal. "? uma arma econômica, de eficácia duvidosa. O debate é importe e os cientistas devem lutar contra essa diretriz. Não devemos nos resignar", disse. A comunidade européia, segundo ele, é um mercado de 350 milhões de consumidores, que os americanos não podem desprezar.

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