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Pesquisa da USP mostra novos métodos de tratar o jovem interno da Febem

      
Resultado de cinco anos de atividade na Febem e outros cinco meses de pesquisa e contato direto com jovens internos, a tese Jovens à Busca de Identidade Culturais: Ser Jovem em São Paulo e Medellín, apresentada pela socióloga Rosane Silva Vianna ao Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina (Prolam) da USP, mostrou uma nova abordagem no modo como os jovens da Febem devem ser tratados. Nessa busca do melhor tratamento, um elemento se mostrou um forte aliado no contato com o jovem: o Hip Hop.

Movimento musical muito difundido ultimamente e principal veículo de expressão da periferia, o Hip Hop engloba o Grafite, o Break e o Rap. Por meio de oficinas realizadas com profissionais, os internos entraram em contato com essa e outras formas de arte e passaram a encontrar disposição para falar sobre os problemas que fazem parte do dia-a-dia dos internatos para jovens acusados de atos infracionais.

Para Rosane, as oficinas tiraram o foco do infrator e permitiram ao jovem expor suas angustias, sofrimentos, desilusões e esperanças. Com o teatro, a dança, o desenho e, principalmente, a música, eles encontram uma maneira de contar um pouco de sua história de vida. "Os sentimentos podem brotar com o Rap", comenta Rosane

A socióloga acompanhou de perto o desenvolvimento dessa nova maneira de tratar o jovem e percebeu que ela serviu para mudar a idéia de que esses garotos são irrecuperáveis. A realidade exigiu que se deixasse de lado a sociologia clássica e se fizesse uma abordagem diferente de tudo que cerca o jovem, desde a família até a casa onde viveu.

"Os jovens se vêem como heróis. O bandido mau e durão. Era difícil para eles falarem de sexo por exemplo, que entraria em verdadeiros tabus como homossexualidade". Rosane constatou um sucesso do novo método e ainda foi mais longe, traçou um paralelo com o sistema utilizado em Medellín, na Colômbia.

O exemplo colombiano

A escolha de Medellín se deu pelos altos índices de violência da cidade, que vive em um estado de guerra com os conflitos entre Governo, narcotraficantes e para-militares. "Quando se chega na cidade parece que se está sobre a mira de metralhadoras. Mas com o tempo você se acostuma".

Em Medellín os jovens ficam em um presídio de segurança máxima que, se dizia, era exemplar. Neles os jovens ficam um ano internados e, depois desse período, são colocados em liberdade. "Nesse tempo eles se despem de tudo que trouxeram lá de fora, roupas, idéias e até mudam o modo de falar. É uma tentativa na direção de que deixem de lado sua cultura jovem, seus gostos sua identidade", relata Rosane.

Durante a internação os jovens ficam isolados para que se arrependam do que fizeram, começam como faxineiros e gradativamente vão subindo de cargo, até se tornarem coordenadores que auxiliam os educadores. Nesse meio tempo, o jovem pode ser expulso caso se envolva em brigas, com sexo ou drogas.

Os índices de recuperação obtidos são razoáveis, não há superlotação, mas a quantidade de gente atendida é muito pequena (cerca de 120 menores). Quando sãm e encontram as mesmas condições de vida e as mesmas ofertas de trabalho junto às empresas ligadas ao crime, voltam a cometer atos infracionais.

Para Rosane a grande lição que pode ser tirada de tudo isso é que a recuperação do ser humano, seja adulto ou criança, deve ser tratada com muito carinho e atenção. Em muitos casos, o que falta mesmo é uma oportunidade de fazer algo útil, substituindo o crime e a marginalidade.

"Em Medellín não se podia dançar. Era colocada música, mas os meninos e meninas tinham de ficar parados, para não se lembrarem dos tempos de liberdade. Aqui é o contrário, a cultura é o grande diferencial, quando são abertas brechas para que os jovens se expressem através da arte. Os jovens da Febem já gravaram um CD e um outro está em produção. Dos músicos do primeiro CD, muitos estão mortos ou no Carandirú. É possível achar uma saída para os jovens desde que se tenha um novo olhar sobre eles". A solução é indicada por Rosane: "As palavras ao invés das armas".

Mais informações: (0XX11) 3812-1078

Fonte: USP
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