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Pesquisadora da USP mostra como estratégias de comunicação esvaziam o discurso político

      
Cada vez mais a classe política utiliza os meios de comunicação e as novas tecnologias para ganhar uma eleição. De acordo com o estudo As influências das novas tecnologias de comunicação social na formação política, da pesquisadora Cristiane Neder, uma das conseqüências imediatas desse processo é o esvaziamento ideológico das discussões políticas por parte de candidatos e de seus partidos.

"Hoje, não se apresentam somente as idéias e sim as imagens dos candidatos, construídas através do marketing político. Com isso, a maioria da população direciona sua atenção em como eles se apresentam e não o quê apresentam", justifica.

A pesquisa, concluída em junho de 2001, na Escola de Comunicações e Artes (ECA) das USP, demonstra como propostas e discussões dos concorrentes a cargos públicos giram em torno de um mundo virtual.

Como exemplo, Cristiane cita o caso do "Fura-Fila", projeto de transporte público apresentado em 1996 pelo então candidato à Prefeitura de São Paulo Celso Pita. "Nas imagens virtuais produzidas para a televisão o projeto já estava pronto. Mas, na vida real praticamente nada foi feito."

Com isso, Cristiane Neder defende que o êxito de um candidato nas eleições atualmente se expressa pelos seus projetos virtuais. "O 'Homem do Real', o 'Caçador de Marajás' e outros não passam de ilusões construídas pela simulação dos meios de comunicação e das novas tecnologias." A análise compreendeu os anos de 1984 a 2001. A TV em primeiro lugar e, posteriormente, a Internet.

"EpcotCenter Político"

Segundo Cristiane Neder, o esvaziamento ideológico ocorreu a partir do momento em que o crescimento tecnológico-científico "andou mais rápido" do que o crescimento sócio-econômico. Ela afirma que o marketing político materializa essa tendência. "O que se promete por meio do mundo virtual nem sempre é possível no mundo real, concreto. Vivemos na época do EpcotCenter político". Para a estudiosa, os políticos não se apresentam mais à população como estadistas e homens públicos, mas como um "fenômeno político da mídia."

Outro levantamento dos trabalhos de Cristiane são as constatações do surgimento das favelas eletrônica e ideológica. Na primeira, a população "não-cibernética", que não faz parte do mundo virtual e das novas tecnologias, é expurgadas do mercado de trabalho e da sociedade em si. Isso se expressa também com o uso restrito das TVs pagas e ao acesso à internet. A favela ideológica surge em decorrência da primeira.

A pesquisadora ressalta que as propostas cada vez mais se caracterizam por serem viáveis somente virtualmente. "É por isso que os políticos usam os efeitos virtuais em abundância". Com isso, ela conclui, "terá maiores chances de se vencer uma eleição o grupo político que melhor manipular as imagens de seus candidatos".

No entanto, uma das saídas apontadas na pesquisa seria uma procura maior de cada cidadão por mais informações sobre a vida pública de cada candidato e suas verdadeiras e reais propostas.

Mais informações: cneder@terra.com.br

Fonte: USP
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