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Processo de queima da cana aumenta o atendimento em hospitais de Araraquara

      
Em alguns períodos do ano, a qualidade do ar na cidade de Araraquara pode ser comparada a alguns pontos críticos da cidade de São Paulo. O fenômeno acontece anualmente, entre março e novembro, durante a queima da cana-de-açucar que precede a colheita.

Uma tese de doutorado da Faculdade de Medicina da USP mostra que o procedimento provoca aumento da concentração de material particulado e gases na atmosfera. Segundo um estudo da Cetesb, realizado entre setembro e outubro de 1997, a concentração de ozônio chegou a ultrapassar no período quatro vezes o limite de tolerância.

Em 1995, o médico Marcos Abdo Arbex, acompanhou os atendimentos nos setores de inalação dos hospitais daquele município e verificou que houve aumento no número de pessoas que procuraram pelo serviço nos períodos de queimada. "Pacientes que apresentavam algum histórico de problemas respiratórios foram os que mais necessitaram das inalações", conta o médico.

Segundo ele, mesmo as pessoas saudáveis que ficam expostas ao material particulado (fuligem) originado da queima, apresentam sintomas como irritação nos olhos, nariz, garganta e tosse. "Mas os indivíduos mais sensíveis à poluição são os idosos com mais de 65 anos e as crianças", conta.

Os pesquisadores mediram a quantidade de fuligem, em miligramas (mg), em dois pontos distintos da cidade: nas áreas rural e urbana. "Quando houve um aumento médio de 10 mg de fuligem, em qualquer dos pontos, houve acréscimo de 9% na procura pelas inalações nos hospitais. Nos dias mais poluídos, o número de inalações foi 20% maior em relação aos dias menos poluídos", diz Arbex. "Isso mostra que a queima desse tipo especifico de biomassa (cana-de-açucar) é realmente prejudicial à saúde", afirma. Na época em que foram realizadas as medições, Araraquara contava com cerca de 180 mil habitantes e a pesquisa envolveu 55 % da população.

Solução é mecanizar
A cidade de Araraquara é responsável por cerca 8% a 10 % da produção de cana-de-ácucar do Estado de São Paulo. Este, por sua vez, responde por mais de 50% da produção nacional. "Em 21 estados do País temos o cultivo da cana-de-açucar e a solução para a queima da pré-colheita é a mecanização", aponta Arbex.

Além disso, de acordo com o médico, o bagaço e a palha da cana são excelentes fontes alternativas de energia já usadas em algumas usinas. "Na região de Ribeirão Preto a mecanização está em estágio mais avançado", garante. Nas cidades da região de Araraquara, como São Carlos, Ibaté, Borborema e Boa Esperança do Sul, entre outras, ainda prevalece a queima.

Ele explica também que a ação da fuligem atinge toda a população de maneira igual, seja na área urbana ou rural. "O trabalhador que atua na colheita não é mais atingido em relação às outras pessoas, já que a queima da cana-de-açucar acontece de maneira rápida e fugaz", explica.

O estudo Avaliação dos efeitos do material particulado proveniente da queima da plantação de cana-de-açúcar sobre a morbidade respiratória na população de Araraquara - SP, realizado no Laboratório de Poluição Atmosférica do Departamento de Patologia da FMUSP, teve a orientação do professor Paulo Hilário Nascimento Saldiva e foi publicado há dois anos no Journal of the Air and Waste Management Association, órgão oficial do governo dos EUA para avaliação da qualidade do ar.

Fonte: USP

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