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Mitos na escola restringem a iniciação científica para estudantes de ensino fundamental e médio

      
Iniciação científica pode começar antes de se chegar à universidade, mostra estudo do professor Ivo Leite Filho. E os museus de ciência, como a Estação Ciência da USP, seriam especialmente adequados para abrigar essa atividade, por serem direcionados para jovens.

Ivo fez uma análise do assunto em sua tese de doutorado, apresentada em setembro à Faculdade de Educação (FE) da USP. Enquanto orientava adolescentes em suas pesquisas no Projeto Circuito Ciência, da Estação Ciência, colhia dados para a tese.

Uma das conclusões é que o trabalho de pesquisa para os jovens pode ser encarado como uma qualificação profissional que, além de definir uma formação específica, incentiva discussões. "Não é só amor à pesquisa," alerta o professor.

Nos Estados Unidos, por exemplo, já há o costume de especialistas percorrerem escolas atrás de talentos para empresas", conta. Mas, para aumentar as chances de sucesso, seria preciso trabalhar na melhoria das relações dos jovens com seus familiares, professores e com o museu.

Mitos na escola
Foi constatada a necessidade de que a pesquisa tenha tema livre e que seja voltada para os interesses do jovem. Isso vai contra os princípios disciplinares seguidos nas escolas," conta. "Por exemplo, um aluno queria fazer um estudo sobre rock, mas os professores de sua escola não aceitavam."

Esse tipo de restrição vem de outro mito descrito pelo professor: "pensa-se que somente se pode fazer ciência e pesquisa com as chamadas "ciências positivas", como Física, Química ou Biologia. Com a liberdade temática, puderam-se incluir trabalhos com temas diversos, desde sobre a Turma da Mônica até o uso do raio laser em feijões, passando pelo preconceito em novelas.

Outra questão é a falta de formação apropriada para professores de Ensino Fundamental e Médio discutirem a pesquisa e proporem esse trabalho para seus alunos," afirma o pesquisador. "Eu mesmo senti isso em minha licenciatura em Química." Isso tudo criaria um mito de que não se pode pesquisar antes de se chegar à faculdade, além de não dar estímulo para a pesquisa quando se chegasse lá.

Circuito Ciência
"Há projetos que incentivam talentos precoces no esporte ou na arte. Por que não em pesquisa", questiona Ivo. "Não há espaço no Brasil para isso, os interessados são encarados pejorativamente."

O Projeto Circuito Ciência foi justamente uma oportunidade para o aluno discutir métodos científicos, com a devida orientação e a aplicação em situações-problema. Trabalhou-se de maio de 2000 a julho de 2001, inicialmente com 171 alunos de 6a à 8a série do Ensino Fundamental, de seis escolas municipais. Destes, 66 concluíram os trabalhos finais, mas o grupo continuou produzindo.

"Começa a haver o reconhecimento desse tipo de atividade," conta o professor. Foram abertas neste mês as Bolsas de Iniciação Científica Júnior, voltadas para o Ensino Médio. A iniciativa foi da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e do Conselho Nacional de Pesquisa e Tecnologia (CNPq).

Fonte: USP
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