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Pesquisadores da USP participam de expedição científica no Atlântico Sul

      
O navio oceanográfico japonês Mirai está fazendo uma volta ao mundo sob o Trópico de Capricórnio (23° Sul), estudando o oceano: é o Projeto Beagle 2003. A professora Elisabete Santis Braga e o técnico Luiz Vianna Nonato, do Instituto Oceanográfico (IO) da USP, embarcam na próxima quinta-feira (6) no navio, onde farão o percurso de Santos, em São Paulo, até Cidade do Cabo, na África do Sul.

"Os resultados da expedição poderão contribuir para prever fenômenos e mudanças climáticas, como seca, chuvas e enchentes, facilitando decisões que amenizem seus efeitos", diz Elisabete. "Poderemos obter dados sobre o Oceano Atlântico Sul, importantes para as pesquisas no Brasil e na USP, além de trocar experiências com cientistas de outros países", conta a oceanógrafa.

Segundo o professor Édmo José Dias Campos, coordenador brasileiro do convênio entre a USP e o Centro Japonês de Ciência e Tecnologia Marinha (Jamstec), órgão que dirige e financia a expedição, "busca-se revisitar locais para verificar possíveis mudanças do oceano em relação a estudos anteriores". Estes estudos foram feitos em uma série de expedições de análise do Oceano Atlântico das décadas de 1980 e 1990, o World Ocean Circulation Experiment (Programa Woce).

"Há suspeitas mundiais de alterações da estrutura da massa de água e do sistema de circulação oceânico, principalmente no hemisfério Sul, devidas ao aquecimento global", conta o professor.

A viagem do Mirai partiu de Birbane, Austrália, em 3 de agosto deste ano, e está prevista para retornar a Fremantle, no mesmo país, em fevereiro de 2004. Deve chegar em São Paulo neste domingo (2), vindo de Valparaíso, Chile.

Pontos de pesquisa
Um dos principais aspectos a ser analisado é o transporte de carbono e nutrientes. "O oceano é um grande sorvedouro de carbono, o que possibilita diminuir o impacto do efeito estufa, o aquecimento global causado pelo excesso de dióxido de carbono na atmosfera", explica Elisabete. Por isso é importante conhecer melhor o ciclo do carbono e a participação do oceano nesse ciclo.

Os mares também diminuem os danos à camada de ozônio, que absorve o excesso da radiação solar. Já se encontraram sinais de clorofluorcarbonos (CFCs), uma das substâncias que destroem a camada, a cerca de 1 km de profundidade no mar.

Outro ponto de análise, sempre segundo a professora, é o fluxo de água doce, pois isso mostra a quantidade de chuvas em cada região oceânica, o que é um aspecto climático significativo. Da mesma maneira, o estudo do fluxo de calor em suas águas, por serem os oceanos considerados os "temperadores" do clima mundial.

"O importante é não pensar nos compartimentos ar e mar atuando de forma desconectada", diz a pesquisadora. A circulação das massas de água faz com que mudanças climáticas que afetam uma parte do oceano interfiram em outras regiões.

É o caso do El Niño, em que o aquecimento exagerado de águas no Pacífico, nas proximidades da costa do Peru diminui a quantidade de peixes na região, além de provocar alterações climáticas como, enchentes e secas em períodos e locais não habituais pelo mundo.

Conferência
Haverá a conferência no IO Projeto Beagle 2003: Uma cooperação Brasil-Japão para investigação oceanográfica no Atlântico Sul, no dia 4 de novembro, das 14 às 17 horas, no auditório Prof. Plínio Soares Moreira, Praça do Oceanográfico, 191, Cidade Universitária, São Paulo.

O evento será aberto, gratuito, sem necessidade de inscrição. Estarão presentes coordenadores do projeto, autoridades da USP e da Marinha do Brasil, cônsules do Japão, entre outros.

Fonte: USP
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