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Pesquisador isola neurotoxinas de peçonha de espécie de aranha do cerrado

      
Estudo realizado na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) isolou e testou, in vivo, neurotoxinas da peçonha da aranha Parawixia bistrata, espécie comum na América do Sul, encontrada principalmente em áreas de cerrado. A pesquisa, feita com ratos, fornece uma importante ferramenta para estudos sobre o conhecimento do cérebro humano.

Depois de injetar a peçonha no ventrículo dos animais, foi detectada que uma das frações pró-convulsivantes - que provocaram crises convulsivas nos animais - é composta principalmente pelo nucleosídeo inosina.

Os experimentos realizados pelo biomédico Marcelo Cairrão Araújo Rodrigues mostraram que a peçonha apresentava também frações anticonvulsivantes. "Optamos por estudar a outra fração e conseguimos provar que os nucleosídeos agem também como pró-convulsivantes", explica Cairrão, que defendeu seu doutorado em fevereiro deste ano no Departamento de Psicologia e Educação da FFCLRP.

Segundo o pesquisador, os trabalhos mais recentes apontam que os nucleosídeos são substâncias exclusivamente anticonvulsivantes. "Recorri a trabalhos mais antigos que apontam justamente o contrário", conta o biomédico. "Em pequenas doses, os nucleosídeos agem como pró-convulsivantes. Em doses maiores, causam efeito contrário tornando-se anticonvulsivantes", descreve.

Cairrão considera ainda que seu trabalho difere do senso comum justamente por estudar e identificar a ação que leva a fração da peçonha a provocar convulsões no animal. "É importante identificar e saber que os nucleosídeos provocam as convulsões cerebrais. Uma próxima e importante etapa será conhecer o processo por completo, ou seja, como e de que maneira isso acontece", diz. Depois de seis anos de estudos, em que adaptou conhecidas técnicas de isolamento para seu estudo, Cairrão considera que seu doutorado seja um "tijolo" a mais na construção do conhecimento científico.

Inofensiva ao homem
O pesquisador explica que a Parawixia bistrata não é uma espécie letal ao ser humano. "Em todo este tempo de pesquisa, tive somente três relatos de acidentes com a aranha. Todos sem maiores conseqüências", conta. Apesar da "aparência assustadora", a Parawixia pode ainda ser muito benéfica em plantações de café. Cairrão conta que, segundo relatos de alguns pequenos produtores rurais, a espécie é predadora da broca do café.

A fêmea da Parawixia bistrata pode atingir entre três e cinco centímetros (cm) de diâmetro, enquanto o macho, de dois a três cm. Diferente da maioria das outras aranhas, a espécie tem característica social, vivendo juntas cerca de 200 ou 300 por ninho. "Na América do Sul é uma das poucas com esta característica", informa Cairrão. "Não temos muitos estudos realizados sobre a peçonha desta aranha, apenas alguns sobre seu ciclo de vida, que é anual", conta o pesquisador. A aranha, segundo ele, não consta entre as espécies ameaçadas de extinção. "Por isso, qualquer exemplar que possa ser doado a nosso laboratório será muito bem vindo", avisa.

Fonte: USP
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