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Isolda e Tristão: um amor transgressor no teatro

      

Maris Aparecida Viana, autora da dissertação

Título: Isolda e Tristão: um amor transgressor no teatro

Autor: Maris Aparecida Viana é diretora de teatro no Departamento Artístico Cultural da Universidade Federal de Santa Catarina. ? ainda coordenadora dos projetos Oficina de Teatro para Adolescentes e Mostra de teatro-educação. Pesquisadora no projeto: Teatro em trânsito, investigando o processo de construção da narrativa cênica.ÿ

Objetivo da dissertação: A pesquisa teve como objetivo apresentar a narrativa épica de ïO Romance de Tristão e Isolda`, composta por Joseph Bédier, adaptada para a forma dramática. Essa obra foi publicada em 1900, na França.

ÿTempo de elaboração: De março de 2001 até a defesa, em setembro de 2003

ÿProcesso de elaboração: O interesse dessa pesquisa surgiu a partir da vontade de trabalhar a questão do amor no teatro. "Do contato com a obra ïO amor e o Ocidente`, de Denis de Rougemont, conheci ïO romance de Tristão e Isolda`, de Joseph Bédier. Sendo uma obra que reconstitui os poemas que relatam a história de Tristão e Isolda, registrados principalmente entre os séculos XII e XIII na França e na Alemanha, recorri aos estudiosos que pesquisam sobre a Idade Média, como forma de contextualizar o universo diegético do romance, que remete ao contexto sociocultural da Europa Ocidental do século XII" , conta a pesquisadora.ÿ

Para a investigação do potencial da narrativa para a encenação, ela partiu dos princípios básicos da tragédia abordados por Aristóteles, na Poética.Também trabalhou com os princípios dialéticos que envolvem a idéia de conflito desenvolvidos por G. W. Friedrich Hegel, na Estética. "Enquanto na produção do texto dramatúrgico, utilizei, além das estratégias básicas do drama, o suspense que, segundo Martin Esslin: o previsível é a morte do suspense, por isso mesmo, do drama.ÿNo processo de construção do texto dramatúrgico, foram transpostos, principalmente os episódios do romance, que se configuram como obstáculos que impedem que o amor da rainha Isolda e do cavaleiro Tristão se realize. Com maior carga dramática, esses episódios contribuiram para evidenciar o conflito vivido pelos protagonistas - de não serem aceitos no ambiente social da corte do rei Marcos - marido de Isolda, na Cornualha", conta.

ÿAplicação prática: Essa história de amor, inicialmente posta em registro épico por Joseph Bédier, passa a ser recontada em forma de drama, com a possibilidade de ser reinterpretada como espetáculo para um público. O texto dramatúrgico se abre para o questionamento das relações entre o homem e a mulher, em confronto com os valores instituídos pela sociedade moderna.ÿ

O que pretende fazer agora: No Doutorado, Maris quer continuar pesquisando aspectos relacionados aos processos de produção da narrativa cênica, trabalhando com idéias que norteiam esses processos no teatro contemporâneo. "Dessa forma, busco direcionar os resultados da pesquisa até agora alcançados, visando o processo de construção dramatúrgica no teatro", explica a pesquisadora.

RESUMO
Leia aqui o resumo da tese em
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A Dissertação: O processo de pesquisa apresenta um texto para ser encenado no teatro, que conta a história de Tristão e Isolda, preservando os elementos da cultura oral celta, os valores cristãos que predominaram na Europa Ocidental da Idade Média, misturados aos valores do amor cortês, características que marcam esse relacionamento amoroso, de acordo com o universo diegético do romance. Do romance, foram preservados no novo texto o período em que a história transcorre, o espaço e o uso da linguagem que contribui para a caracterização dos personagens. Com a preservação dessas características, o leitor-encenador tem a oportunidade de manter contato com o universo do qual se originou a história de Tristão e Isolda, que remete ao século VII.

Contribuiram para a contextualização do romance, historiadores como: Denis de Rougemont, Georges Duby, Jacques Le Goff e outros.ÿ A estruturação do novo texto distingue-se da forma narrativa épica, pelo seu processo de composição a partir da construção de situações dramáticas, na voz dos próprios personagens. Isso possibilita tanto ao leitor quanto ao público perceber o interrelacionamento simultâneo dos vários contextos de onde as falas se originam. Esse processo partiu da idéia de Aristóteles de que o mito se constrói a partir da soma das ações e dos acontecimentos, sendo a tragédia imitação de uma ação completa que constitui um todo.

"Considerando que as ações acontecem numa sequência lógico-temporal, o texto dramatúrgico estrutura-se a partir de situações dramáticas, que se desenvolvem sem a interferência de qualquer mediador e onde o desenrolar da ação é confiada aos personagens.ÿA idéia central que se destaca na peça é o relacionamento dos amantes não ser aceito no ambiente da corte feudal, e nesse sentido, trabalhei esse relacionamento em contraste com os interesses e valores sociais que se contrapõem aos amantes. As idéias de Hegel contribuiram para a organização das situações dramáticas, pelo modo como os diálogos foram construídos, procurando a progressão da ação, na medida em que são os diálogos que determinam as mudanças que se estabelecem entre os interlocutores e as situações propostas", explica Maris. O texto apresenta os amantes, lutando pela realização da paixão que sentem um pelo outro.

Conclusões: O projeto de pesquisa resultou na produção de um novo texto para o teatro, previsto para servir a um espetáculo de aproximadamente uma hora de duração, que corresponde ao tempo médio de uma peça hoje no Brasil.ÿ

A peça estrutura-se em três atos. O primeiro ato apresenta a rainha Isolda, a Loura e o cavaleiro Tristão, vivendo um amor secreto na corte governada pelo rei Marcos, marido de Isolda, na Cornualha. O segundo ato apresenta Tristão na Bretanha, onde ele casa-se com Isolda das Brancas Mãos - filha do rei da Bretanha - enquanto Isolda, a Loura, permanece vivendo com seu marido, na Cornualha. Mas o casamento de Tristão não é consumado. O terceiro ato apresenta o reencontro dos amantes, na Cornualha, onde vivem juntos novamente. Tristão, que vive disfarçado de louco na corte de seu tio Marcos é obrigado a fugir para a Bretanha e lá é ferido em batalha e morre. Isolda, a Loura que veio da Cornualha para salvá-lo com suas plantas, encontra o amado já morto e também morre. O suspense incorporado ao processo de construção do drama serviu para atrair e manter a atenção do leitor-público, como também dirigir o foco dramático dos segmentos das cenas e dos quadros para a ação final.

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