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Cenário armado, objetos situados: o ensino da Geografia na Educação de Surdos

      

Título: Objeto situado: o ensino da geografia na educação de surdos

Autor: Claudionir Borges da Silva, 39 anos, é graduado em História pela UFRGS e defendeu sua dissertação de mestrado em Geografia, em 24 de outubro de 2003. Ele é professor da rede municipal de Canoas e Cachoeirinha, ambas da Grande Porto Alegre.

Objetivo: Estudar a questão da espacialidade da língua brasileira de sinais (LIBRAS) utilizada pelos surdos a partir da relação diferente que o grupo possui com o espaço, a fim de que isso pudesse ser utilizado no sistema de ensino.

Tempo de duração: De 2001 a 24 de outubro de 2003

Processo de elaboração: O pesquisador dava aulas de História em uma escola municipal de ensino fundamental e recebeu alguns alunos surdos. Constatou que havia muita dificuldade no aprendizado da língua portuguesa. Notou que a construção textual do grupo era diferente das demais pessoas e, a partir de pesquisas sobre a língua de sinais, percebeu que ela se utiliza muito do espaço para fazer construções comunicativas. "Daí é que pensei em pesquisar a questão da espacialidade da língua, até porque o objeto de estudo da Geografia é o espaço", diz Silva.

Aplicação prática: O pesquisador diz que seu trabalho de dissertação ajuda a desmistificar o olhar do público à produção dos surdos. "Uma pessoa que não convive com o grupo, ao se deparar com um texto produzido por eles, acha no mínimo confuso, muitas vezes nem entende. Para conseguir ler um texto deles tem que ser presente o espaço vivido por ele para entender o texto", diz ele, que defende que para o surdo, a língua portuguesa é uma segunda língua e, por isso, as pessoas devem acabar com a idéia de que eles são menos capazes que os ouvintes, ao considerar o grupo como sendo de uma outra cultura.

O que pretende fazer agora: O professor tem como meta continuar a pesquisar tanto a questão da espacialidade como recursos de ensino e metodologia para surdos aprenderem a estrutura da língua portuguesa e concluir Doutorado na área.

A tese: A dissertação está dividida em três partes. Na primeira, o pesquisador discute os aspectos históricos da educação de surdos em nível mundial e local, especificamente em Canoas, onde se localiza a escola onde o grupo foi estudado.

Durante o desenvolvimento da pesquisa, Silva percebeu que os surdos têm uma construção textual diferente e, através de leituras, constatou que a língua de sinais se utiliza muito do espaço para fazer as construções comunicativas. Segundo o pesquisador, alguns autores colocam que os surdos têm uma relação diferente com o espaço quando comparados aos ouvintes, pois fazem uma leitura deste de maneira mais profunda, uma vez que utilizam o espaço e a capacidade visual para fazer a leitura de mundo. "Se alguém pergunta para um surdo o que ele gostaria de aprender, a resposta é que ele gostaria de aprender palavras, pois elas são muito difíceis para eles, que confundem muito aquelas com grafia semelhante.

Na segunda parte, há uma discussão de como é a questão do espaço é abordada na Psicologia Cognitiva e na Ciência Geográfica.

A terceira parte trata das atividades didáticas que Silva desenvolveu com o grupo de surdos e está dividida em três seções. A primeira delas tem 14 sugestões para professores de Geografia trabalharem em sala de aula para o ensino desta disciplina. Na segunda, outra proposta de atividade realizada em classe. E a última é a descrição de oficinas pedagógicas desenvolvidas com eles e análise de textos produzidos pelos surdos.

As oficinas eram aulas de reforço. "Junto aos conteúdos, comecei a realizar outras atividades com base em desenhos e gravuras para conversar com eles a partir disto e eles fazerem construções textuais. Isso para que eles tivessem contato com o Português e, ao mesmo tempo, aprender sua estrutura através das palavras", conta.

Conclusão: Nas construções textuais deles há referências ao espaço, o que significa que fazem uma construção diferente da Língua Portuguesa.

"A língua materna deles é a de sinais. O surdo jamais vai conseguir fazer uma produção textual como o ouvinte, porque a estrutura de pensamento se desenvolve a partir da modalidade espaço-visual. Então, neste sentido, as pessoas têm que acabar com a idéia de que os surdos são menos capazes que os ouvintes, que eles não conseguem aprender. Eles conseguem, sim, e podem se comunicar só que considerando a espacialidade da língua de sinais nas construções textuais", conclui Silva.

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