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Mulheres de relação estável ainda são susceptíveis ao HIV

      
Manter uma relação estável com um parceiro não é garantia de proteção contra a infecção pelo vírus da Aids. O número de mulheres casadas que contrãm o vírus durante o relacionamento é grande, principalmente em classes sociais menos favorecidas. Na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) uma pesquisa procurou compreender como esta situação é entendida e, a partir disso, buscar uma nova forma de pensar das mulheres sobre o assunto.

Ao longo de dois anos, a psicóloga Ana Alayde Werba Saldanha entrevistou 10 mulheres que contraíram o vírus durante um relacionamento estável, tanto em casamentos formais quanto os consensuais, ou seja, em relações onde exista co-habitação.

Utilizando uma abordagem que levou em conta questões sócio-históricas, Ana investigou a fundo o cotidiano dessas mulheres e buscou entender os motivos que as fizeram susceptíveis a AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis. Essa subjetividade feminina não depende da classe social, mas a pesquisa foi centrada nas classes baixas.

A pesquisa de doutorado Vulnerabilidade e Construções de Enfrentamento da soropositividade ao HIV por mulheres infectadas em relacionamento estável, foi apresentada na FFCLRP em julho de 2003.

Ana lembra que, ainda hoje, a mulher tem como ideal de felicidade a busca do casamento, só que esta aparente estabilidade nem sempre é garantia de segurança. "Parte do problema vem desse discurso do amor romântico, muito presente no imaginário da mulher, em que ela se coloca como responsável por cuidar do homem", diz. Segundo ela, isso é retrato do tratamento diferenciado que homem e mulheres recebem em termos políticos, cultural e sócio-econômico, há décadas. "O homem amado é visto como alguém que não pode trazer nada de mal. São questões sutis, aceitas como naturais. Ser mulher é isso", relata.

Ana se mostra preocupada com a idéia de que a existência do HIV parece não mudar nada no pensamento feminino. Para ela, há uma necessidade de desnaturalização dessa situação. "Isso foi construído pela sociedade ao longo dos anos", conta. Desde o advento do capitalismo, o homem trabalhava e a mulher ficava em casa. É preciso desconstruir essas questões. Para amar não precisa ser submissa", reflete.

Atendimento psicossocial
Atualmente, Ana Alayde colabora com o Programa de Atendimento Psicossocial e Aids, que está em processo de implantação em João Pessoa, Paraíba. Aplicado com sucesso em Ribeirão Preto, o programa vem sendo trabalhado por uma equipe multidisciplinar no Departamento de Psicologia da Universidade Federal da Paraíba. Por enquanto o projeto está na fase de captação de profissionais e conta com a colaboração da USP.

O objetivo, segundo a psicóloga, é trabalhar com a família, paciente e os profissionais de saúde fomentando uma nova mentalidade que melhorará a qualidade de vida do portador. "A família dá suporte ao paciente e a ela mesma. O profissional deve recuperar e praticar não só o que há no manual", recomenda Ana. "Ele precisa se aproximar do paciente, escutá-lo e saber do seu cotidiano", receita.

Fonte: USP
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