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Solventes de tintas para veículos elevam teor de ácidos biliares no organismo

      
O alto nível de ácidos biliares (produzidos pelo fígado) no organismo pode ser uma evidência útil para o diagnóstico precoce de doenças hepáticas causadas pela exposição prolongada a solventes usados em produtos para pintura. A conclusão é da bioquímica Maria José Nunes de Paiva, que realizou testes de laboratório com 57 trabalhadores de oficinas de funilaria e pintura de veículos nas cidades mineiras de Alfenas e Cambuí.

Durante dois meses, a pesquisadora coletou amostras de sangue dos trabalhadores, todos homens, com idades entre 18 e 59 anos e que nunca tiveram hepatite ou outras doenças do fígado. "Entre os 57 trabalhadores, 31 tinham uma concentração de ácidos biliares maior do que a recomendada", relata Maria José, que apresentou sua dissertação de mestrado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP. "Ao mesmo tempo, foram realizados os mesmos testes em 48 indivíduos não expostos aos solventes e apenas quatro apresentaram níveis de ácidos biliares maiores do que os valores de referência", observa.

Maria José Paiva explica que o nível de ácidos biliares pode detectar alterações no fígado antes de acontecerem mudanças em outros parâmetros bioquímicos, como os níveis de bilirrubina e fosfatase alcalina. De acordo com a pesquisadora, os solventes das tintas e vernizes alteram o funcionamento das células do fígado (hepatócitos), modificando a produção de ácidos biliares. "O efeito dos solventes halogenados sobre o fígado já foi comprovado em outras pesquisas", aponta, "mas ainda não havia estudos mostrando a influência de outros solventes, como o tolueno, o xileno e o n-hexano no metabolismo dos ácidos biliares".

Solventes
Por meio de testes de urina feitos com os trabalhadores, foram quantificadas duas substâncias resultantes do metabolismo do tolueno no organismo (metabólitos), o ácido hipúrico e o orto-cresol. "O tolueno foi escolhido por ser o solvente mais encontrado nos produtos utilizados para a pintura", relata Maria José. Dos 57 trabalhadores, apenas quatro apresentaram níveis de ácido hipúrico acima dos valores de referência. "Durante a pesquisa foi desenvolvido uma novo método de extração para a determinação de orto-cresol, pois a quantidade de tolueno biotransformada neste metabólito é muito pequena", explica.

A pesquisadora aponta que a baixa absorção de tolueno não exclui a possibilidade de exposição a outros solventes e seus efeitos em pequenas doses, mas por longos períodos de tempo. "Alguns funcionários tinham mais de 30 anos de trabalho em oficinas de repintura de veículos", diz Maria.

As condições de ventilação nas oficinas e o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) são fatores que diminuem os riscos da exposição aos solventes, observa a pesquisadora. "Das 21 oficinas apenas 11 tinham cabines de pintura, para evitar a dispersão dos vapores", relata. "Nas outras, a pintura costumava ser feita num ponto afastado, mas não isolado do resto da oficina".

Por meio de questionários aplicados aos trabalhadores, a pesquisa verificou que 63% dos funcionários de oficinas usam EPIs. "A maioria utiliza máscara óculos não adequados para o trabalho" informa. Maria José enfatiza a necessidade de um trabalho de orientação sobre os efeitos dos solventes, especialmente em pequenas oficinas. "A maioria dos funcionários e até mesmo os donos ignoram os riscos da contaminação, chegando a limpar partes do corpo com solventes após a jornada de trabalho", conclui

Fonte: USP
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