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Deus e o diabo na terra do Sol - história política e econômica do Brasil

      

Título: deus e o diabo na terra do sol (leitura política de um capitalismo tardio)

Angelita Matos Souza, autora da tese
Autora: Angelita Matos Souza, bacharel em Ciências Sociais pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp (Universidade de Campinas), mestre em Ciência Política pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, autora do livro "Estado e dependência no Brasil (1889-1930)" e professora de Ciência Política no curso de Relações Internacionais da Facamp (Faculdades de Campinas) defendeu tese de doutorado "Deus e o diabo na terra do sol" - leitura política de um capitalismo tardio.

Objetivo: O objetivo da tese é analisar o papel do Estado num processo de industrialização retardatária - estudando o caso brasileiro, a fim de identificar os limites políticos (conferidos pela luta política no interior da formação social brasileira) ao processo de industrialização nacional, em especial em relação à concretização do sonho de "Brasil-Potência" idealizado pelos governos militares, fundamentalmente pelo governo Geisel.

O período privilegiado se justifica por entender que, durante o governo Geisel, não apenas fracassou a tentativa de re-equilibrar o tripé da economia brasileira em favor do capital nacional, como o País tomaria um caminho sem volta rumo à implosão do Estado "desenvolvimentista", com a eclosão da "crise da dívida" do início dos anos 80.

Tempo de elaboração: 5 anos

Processo de elaboração: A pesquisadora conta que o processo de elaboração e desenvolvimento da tese foi um tanto exaustivo, tendo em vista que, para apreender melhor o objeto de estudo: o papel do Estado no processo de industrialização brasileiro, foi preciso estudar toda a história econômica do Brasil entre 1930-1980, detendo-se na análise de momentos privilegiados deste processo como: a Era Vargas, o governo Juscelino Kubitschek e os governos militares do pós-64 em geral. "A análise sobre o governo Geisel em especial, requereu a pesquisa de jornais e revistas da época, para que pudesse compreender os rumos da luta política que decretariam o fim do regime militar no Brasil", destaca.

Aplicação prática: Angelita afirma acreditar que a compreensão dos limites políticos enfrentados pelo governo Geisel contribuirá à reflexão sobre as possibilidades e limites atuais. "Conclui minha tese refletindo sobre as perspectivas atuais (comparando os dilemas enfrentados pelo governo Lula com o governo Geisel), no quadro da dependência e vulnerabilidade externa que delimitam a autonomia do Estado brasileiro", explica a pesquisadora. "Neste início de século, são repostos, em certa medida, os mesmos desafios que o governo Geisel se propôs enfrentar: o fortalecimento do capital nacional; a superação dos problemas infra-estruturais (energéticos em especial); o incentivo às exportações; a inclusão social e o desenvolvimento regional", compara.

O que pretende fazer agora: Professora de Ciência Política na Facamp (Faculdades de Campinas) Angelita declara que pretende continuar com suas atividades docentes na Instituição, entretanto, no próximo ano, ela conta que tem programado alguns congressos internacionais, nos quais apresentará trabalhos relacionados à sua tese. "Mais adiante, provavelmente em 2005, gostaria de realizar um pós-doutorado em Teoria Política na França ou Itália", ressalta.

A TESE:

RESUMO
Leia aqui o resumo da tese em
Português
A tese de Angelita destaca que o governo Geisel representa um divisor de águas na história do capitalismo brasileiro - momento em que a economia brasileira é definitivamente atrelada ao mercado financeiro internacional, tendo como contra-face interna a especulação financeira. "Neste governo, não apenas fracassou a tentativa idealizada pelo II PND de re-equilibrar o tripé da economia brasileira - em favor do capital nacional-, como o País tomaria um caminho sem volta rumo à implosão do Estado ïdesenvolvimentista` no Brasil, com a sua falência financeira decretada pela ïcrise da dívida` no início dos anos 80", explica.

A pesquisadora declara que esse acontecimento está diretamente relacionado à liberação e mesmo incentivo pela política estatal, às órbitas especulativas da atividade financeira, segundo ela, mecanismo por excelência de equalização e harmonização dos diversos interesses dominantes, servindo à amortização dos conflitos entre as frações do grande capital, nacional e estrangeiro. "A ïciranda financeira` criada abriria caminho à implosão do famoso tripé da economia brasileira desde o governo Juscelino Kubitschek (empresas estatais, capital estrangeiro e capital nacional), com o posterior desmonte, nos anos 90, da ïpata forte` do tripé - as empresas estatais - e a redução ainda maior do espaço econômico à ïpata fraca` do tripé - o capital nacional (que, ironicamente, o governo Geisel propunha, com o II PND, fortalecer)", explica.

Também neste governo, Angelita conta que as dissensões importantes no interior do bloco no poder, relativas à política desenvolvimentista do II PND, à forma como se buscou implementá-la e ao não cumprimento dos objetivos projetados, enfraqueceram decisivamente as bases de sustentação do regime autoritário, proporcionando maior espaço à atuação dos movimentos populares e partido de oposição na luta pela redemocratização do regime político no País.

Conclusão: Ao final de seu trabalho, Angelita destaca que o Estado brasileiro foi, ao mesmo tempo, deus e o diabo no processo de modernização do país. "Sob a condução do Estado brasileiro foi possível, efetivamente, construir um parque industrial relativamente integrado no país, destacando-o no contexto da América Latina. Todavia, a fraqueza do Estado no enfrentamento dos interesses das mais diferentes forças econômicas dominantes (atrasadas ou modernas), a incapacidade de cobrar resultados e impor perdas ao grande capital privado, nacional e/ou estrangeiro; as opções sempre pelos caminhos de menor resistência; enfim, o caráter conservador da transição capitalista no Brasil, que impediu a realização das reformas sociais necessárias à democratização do capitalismo brasileiro, a condição indubitável para o progresso social levaram ao desperdício de oportunidades naqueles que formas ïos melhores anos de nossas vidas`", finaliza a pesquisadora.

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