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Deus e o diabo na terra do sol (leitura política de um capitalismo tardio)

      

RESUMOÿ

O objetivo deste estudo é a reflexão sobre o Estado no capitalismo tardio. A partir da análise do caso brasileiro, procuramos analisar o papel do Estado num processo de industrialização retardatária, procurando identificar os limites políticos ao processo de monopolização da economia idealizado pelos governos militares, fundamentalmente pelo governo Geisel, tendo em vista o conjunto das relações estabelecidas entre Estado e empresariado nacional, bem como as relações estabelecidas com o capital estrangeiro e o sistema financeiro internacional.ÿ

O período privilegiado se justifica por entendermos que, durante o governo Geisel, não apenas fracassou a tentativa de re-equilibrar o tripé da economia brasileira em favor do capital nacional-, como o País tomaria um caminho sem volta rumo à implosão do Estado "desenvolvimentista", com a eclosão da "crise da dívida" do início dos anos 80.

O título "deus e o diabo na terra do sol" foi inspirado pelas imagens de onipotência (nas visões sobre o Estado, presentes no pensamento social latino-americano) e tibieza (no enfrentamento dos interesses dominantes estabelecidos) que caracterizam os estudos sobre o papel do Estado brasileiro ao longo do processo de industrialização. O trabalho está dividido em sete capítulos e todos têm como título nomes de filmes.ÿ

No capítulo 1, "Esse obscuro objeto de desejo", apresentamos uma breve reflexão sobre o objeto de estudo: o Estado capitalista, indicando o caminho que julgamos mais frutífero à abordagem do tema, encerrando com breves considerações sobre o tema da globalização e o futuro dos Estados Nacionais. O capítulo 2, "Sem destino", é sobre o papel do Estado nos processos de industrialização latino-americanos e discorremos sobre as diferenças e similitudes dos resultados alcançados, apresentando a problemática mais geral da nossa reflexão sobre o caso brasileiro.ÿ

No capítulo 3, "Os melhores anos de nossas vidas", fazemos uma exposição sobre o papel do Estado na transição capitalista no Brasil, resgatando os limites e avanços em três momentos privilegiados do processo de industrialização brasileiro: a Era Vargas, o governo Juscelino Kubitschek e o governo Geisel. O capítulo 4, "átame", discorre sobre a política econômica dos governos militares entre 1964-1980, buscando apontar a correlação existente entre o processo de acumulação no setor bancário local e a política de endividamento externo.ÿ

O capítulo 5, "A regra do jogo", analisa as campanhas empresariais que marcaram o governo Geisel (examinando os limites políticos à transformação do padrão de industrialização brasileiro pretendido com o II PND) e os conflitos políticos no interior do bloco no poder (que refletiam as relações entre empresariado local, empresa estatal e capital estrangeiro).

O capítulo 6, "Os deuses vencidos", trata dos efeitos da "crise da dívida" durante o último governo militar, apresentando as causas da falência financeira do Estado desenvolvimentista no Brasil. No capítulo 7, "A comilança", concluímos nosso estudo refletindo sobre as perspectivas atuais (comparando os dilemas enfrentados pelo governo Lula com o governo Geisel), no quadro da dependência e vulnerabilidade externa que delimitam a autonomia do Estado brasileiro.ÿ

Neste início de século, são repostos, em certa medida, os mesmos desafios que o governo Geisel se propôs enfrentar: o fortalecimento do capital nacional; a superação dos problemas infra-estruturais (energéticos em especial); o incentivo às exportações; a inclusão social e o desenvolvimento regional. Dessa forma, acreditamos que a compreensão dos limites políticos enfrentados pelo governo Geisel contribuirá à reflexão sobre as possibilidades e limites atuais. Mas esperamos não ter que escrever a continuidade deste estudo intitulando-o "Amargo regresso".

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