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Pesquisador da Unifran descobre substâncias naturais com possível atividade antichagásica

      
Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo - FAPESP, o pesquisador da Universidade de Franca (Unifran), Prof. Dr. Márcio Luís Andrade e Silva descobriu substâncias, de origem natural, que apresentam possibilidades de combater a doença de chagas. Através de alguns estudos toxicológicos preliminares, observou-se que estas substâncias testadas não apresentaram efeitos colaterais e sua eficácia está sendo em quase 100% "in vitro", o que já foi suficiente para a solicitação junto ao INPI ? Instituto Nacional de Propriedade Intelectual - do registro de patente.

O próximo passo foi solicitar depósito em forma de PCT - Patent Corporacion Treaty, no exterior. "A patente é garantida em 130 países. Na Áustria, um escritório especializado em patentes já fez o exame técnico e não encontrou nada semelhante no mundo, ou seja, é uma patente inédita", explica o pesquisador. A partir de agora, cabe a FAPESP definir os países que serão depositados, em definitivo, a referida patente.

Prof. Dr. Márcio Andrade conseguiu chegar à definição após pesquisar por vários meses lignanas (substâncias ativas extraídas da Piper cubeba, uma pimenta asiática originária da Índia) com grande potencial anti-Chagásico. Através dessas lignanas poderá ser encontrada uma série de possíveis medicamentos para tratamento de outras enfermidades além da doença de Chagas, confidenciou Dr. Márcio Andrade. A pesquisa despertou o interesse do laboratório Teuto Brasileiro, que gostaria de participar das próximas etapas da pesquisa.

Através do laboratório (Labquim) que a própria Universidade dispõe e utilizando suporte financeiro de Projeto Jovem Pesquisador em Centros Emergentes-FAPESP o qual tem como objetivo principal: a obtenção e o estudo das atividades analgésica, anti-inflamatória e anti-Chagásica da cubebina através de síntese parcial ou total. Todos os resultados são comparados com os derivados obtidos durante a modificação estrutural sendo possível chegar a vários resultados promissores. Alguns derivados chegaram a 100% de efeitos contra as formas circulantes do parasita, sem danificar as células sanguíneas saudáveis. Sendo assim, o pesquisador encontrou nestas lignanas dibenzilbutilactônicas uma atividade muito promissora. A cubebina, utilizada neste estudo, foi extraída de um tipo de pimenta asiática cujo nome científico é Piper cubeba, encontrada na Índia e é semelhante à pimenta do reino.

O Dr. Márcio Andrade conta que foi possível eliminar a forma tripomastigota, que causa doença de chagas em ensaio feito com o sangue infectado. Para chegar a essa confirmação, foi necessário tratar o sangue do animal com as substâncias teste para se obter o resultado.

Recentemente foi feito teste "in vivo" que foi possível selecionar dois derivados: Hiquinina e o Metilpluviatolido, o segundo foi o mais ativo, mantendo o animal vivo 60 dias enquanto o benzonidazol, medicamento utilizado atualmente, manteve o animal vivo por 20 dias. "Isso é uma grande conquista", diz o pesquisador.

O próximo passo é a purificação óptica dos derivados ativos obtidos por síntese total para que possam ser feitos ensaios pré-clínicos e futuramente clínicos.

Um outro ponto importante é que a cubebina e seus derivados não mostraram serem tóxicos, causando problemas hepáticos. Por outro lado, o benzonidazol ao longo do uso pode causar graves problemas no fígado.

A doença de chagas tem origem em países de clima tropical. A falta de um medicamento eficaz levou a equipe da Unifran a desenvolver a pesquisa. Esses derivados pesquisados podem substituir tranqüilamente a violeta de genciana.

"A participação da Unifran e Fapesp no desenvolvimento deste trabalho são muito importantes", ressaltou o Prof. Dr. Márcio Andrade. Primeiro, porque o projeto está sendo desenvolvido na própria Universidade, com colaboração dos professores doutores, Paulo Marcos Donate e Rosângela da Silva, ambos do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto ? USP. Nesse projeto estão envolvidos também, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto - USP os professores doutores Sérgio Albuquerque e Jairo Kenupp Bastos e Gustavo Henrique Souza (aluno de doutorado).

Outros estudos com estas lignanas e seus derivados, além da atividade Anti-Chagas, estarão sendo feitos tais como: atividade anti-mutagênica, antimicrobiana (ação antiplaca, com uso na odontologia), anti-leishmania (transmitida por mosquito na região Norte-Nordeste e provoca lesões graves na pele) e anti-HIV.

A partir deste laboratório, o Labquim, montado na área de pesquisa em química, a Unifran viabilizou o curso de Mestrado em ciências aplicadas: Química e Biologia que terá sua primeira turma formada no final de 2004 e foi avaliado com nota 4, pela CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

Hoje, a Unifran conta com doze bolsas de iniciação científica e seis projetos concedidos pela FAPESP. Além disso, conta com duas bolsas do sistema Prosup ? CAPES para o curso de mestrado.

Fonte: UNIFRAN
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