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Resumo: A composição lipídica do músculo da tilápia do Nilo

      

Introdução: A tilápia do Nilo é um peixe exótico originário da áfrica que possui incríveis capacidades adaptativas. Por tal razão é utilizada em sistemas lacustres e de aquicultura para proporcionar o fornecimento de proteína animal a baixo custo para a população.
Revisão Bibliográfica: Os ácidos graxos poliinsaturados (AGPI), particularmente os das séries n-3 e n-6, desempenham importantes funções metabólicas e fisiológicas nos organismos vivos. Muitos vertebrados, incluindo os peixes e mamíferos, não sintetizam estes AGPI, por esta razão são considerados essenciais e devem ser obtidos através da dieta. Os AGPI da série n-3 são encontrados em carne de peixes e estão relacionados com vários benefícios à saúde humana.
Objetivos: Avaliar a composição lipídica, a de ácidos graxos e suas variações sazonais no músculo das tilápias capturadas no lago Paranoá e cultivadas em estação de piscicultura.
Metodologia: Os lipídios totais foram extraídos do músculo da tilápia com clorofórmio e metanol e o peso foi estimado gravimetricamente. As classes lipídicas foram determinadas por cromatografia de camada delgada de alto desempenho e a composição de ácidos graxos por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massa.
Resultados: O peso encontrado na tilápia selvagem foi de 411,5 * 42,9 g no verão e de 415 * 48,6 g no inverno. Na cultivada foi de 435,5 * 52,2 g no verão e 445,2 * 59,5 g no inverno. O teor de lipídios totais, no peixe selvagem, apresentou diferença significativa, no verão foi de 6,75 * 1,77 mg/g e no inverno de 13,75 * 2,13 mg/g. No peixe cultivado os valores foram de 14,21 * 4,32 mg/g no verão e de 15,62 * 5,70 mg/g no inverno. O peixe selvagem apresentou maiores concentrações de lipídios polares (50,74 %) tendo na classe de fosfatidilcolina a maior concentração (17,80 %). O peixe cultivado apresentou maiores teores de lipídios neutros (80,85 %) tendo como principal representante a classe de triacilglicerol (59,29 %). No perfil de ácidos graxos do peixe selvagem foram observadas distinções significativas no grupo de ácidos graxos monoinsaturados (AGMI) pela alta concentração (29,44 %) e pela maior variedade no inverno. No perfil do peixe cultivado houve homogeneidade e inobservância de influências sazonais, bem como menor diversidade de ácidos graxos.
Discussão: Os dados do presente estudo sugerem que as diferenças encontradas na composição lipídica da tilápia selvagem se devem às influências sazonais. As tilápias cultivadas, diferentemente, foram menos susceptíveis às variações sazonais devido ao controle das condições ambientais em que elas se desenvolveram.
Conclusão: As variações sazonais observadas no perfil lipídico da tilápia selvagem estão diretamente relacionadas com sua dieta. As mudanças na temperatura ambiental influenciaram na dinâmica organizacional das comunidades planctônicas do lago Paranoá, tornando-as mais susceptíveis à captura pela tilápia. A disponibilidade diversificada de elementos planctônicos na dieta da tilápia selvagem é a provável causa da alta diversidade de ácidos graxos encontrada no inverno. Níveis satisfatórios de AGPI da série n-3 foram encontrados na tilápia do lago, tendo sido considerada um importante benefício nutricional para a população local.

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