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Notícias

Inclusão social da população amazonense

      

Por Renata Costa

Utilizar a Ciência e a Tecnologia para o desenvolvimento do país tem sido o lema dos últimos ministros de C&T. Nada mais justificável em uma nação com tamanha desigualdade social que a Pesquisa seja aplicada visando melhorar as condições de vida da população.

A preocupação deve ser ainda maior quando se tratam de povos tão espoliados como os da Amazônia, tanto população indígena quanto ribeirinha, que vivem tão próximos a uma rica diversidade biológica e à margem dos benefícios que esta possa gerar.

Os pesquisadores da Unicamp, do Nepam (Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais) têm tido esta preocupação. Em atuação no corredor central da Amazônia, que abrange as regiões chamadas de Mamirauá, Amanã e Parque Nacional do Jaú (Conhece o parque navegando no especial de Patrimônios da Humanidade. Clique aqui ), os pesquisadores da universidade paulista têm analisado as condições de vida da população local e qual seria a melhor política de biodiversidade para cada caso.

"Os maiores problemas a serem enfrentados são o tráfico de animais silvestres, a pobreza e a falta de o mínimo de infra-estrutura de Saúde, já que mesmo as políticas de contenção das doenças tropicais diminuíram muito. As pessoas estão em uma situação bastante degradada, pois nas áreas de proteção biológica elas são proibidas de produzir para seu próprio sustento", diz Lucia da Costa Ferreira, coordenadora do projeto. Por ser proibida a moradia dentro de um parque nacional, os moradores do Jaú estão sendo retirados. "As pessoas estão sendo removidas para centros urbanos, o que também dificulta a situação delas pela falta de emprego e oportunidade", explica a professora.

O MADAM (Manejo e Dinâmica de Manguesais), projeto da UFPA (Universidade Federal do Pará) em parceria com a Universidade de Bremen, na Alemanha, originou o NEC (Núcleo de Estudos Costeiros), mas continua tendo como foco o homem que vive no mangue. Em Bragança, município a 200 quilômetros de Belém, capital do Pará, os pesquisadores do grupo analisam as condições de vida das famílias que dependem deste ecossistema para sobrevivência, e estudam formas de manejo sustentável. Uma mostra da preocupação em aliar a Ciência e Tecnologia em prol da população amazônica.

A saída para a melhoria na condição de vida do povo amazônico seria, acredita o professor Carlos Francisco Rossetti, do Departamento de Engenharia Florestal da UnB (Universidade de Brasília), a criação de uma política para distribuição de riquezas, pois as empresas que exploram petróleo, madeira ou outros recursos naturais normalmente não devolvem nada à comunidade local. "O código ambiental vigente, que é de 1965, tem vários artigos com a palavra "vetado" escrito ao lado. E são justamente os artigos que previam investimento nas comunidades", afirma Rossetti.

A secretária de Ciência & Tecnologia do Amazonas, estado que abrange a maior área da região chamada Amazônia Legal, diz que para haver inclusão social é preciso mais que projetos locais, mas uma política nacional. "E essa política nacional de C&T não deveria só passar pelos interesses da comunidade acadêmica. Obviamente que ela deve ser prioritária nas instituições de pesquisa que lidam com a temática da Amazônia, mas hoje já há uma certa sapiência no MCT de que é preciso descentralizar mais este diálogo, porque os pesquisadores ainda que tenham conhecimento científico da região, vão precisar de interlocutores locais, os executores da gestão desses programas", afirma a secretária Marilene Corrêa.

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