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UNISUL: Professora resgata alfabeto de língua indígena em extinção

      
Uma equipe de três lingüistas e um antropólogo trabalha no resgate do idioma werekena, grupo indígena da região amazônica que sofreu fortes influências com a chegada dos homens brancos. Os estudiosos reconstituíram a primeira versão de um alfabeto werekena.

A equipe de três lingüistas e um antropólogo trabalha no resgate do idioma werekena, falado por grupo indígena da região amazônica e que sofreu fortes influências tanto na língua quanto nos costumes pelos contatos com homens brancos, a partir do início do século XVIII. Os estudiosos reconstituíram a primeira versão de um alfabeto werekena com 22 letras e que resultou na escrita de um vocabulário de 100 palavras e alguns textos curtos. O objetivo agora é difundir o alfabeto na tribo, que hoje fala o nheengatu e o português.

O trabalho foi realizado pela professora do mestrado em Ciência da Linguagem da Unisul Marci Fileti Martins, juntamente com mais dois lingüistas e um antropólogo durante seis dias nas próprias comunidades indígenas, no Amazonas..

A viagem teve como objetivo um trabalho de revitalização desta língua ágrafa (que não tem registro em escrita) que está desaparecendo. Das 750 pessoas desta etnia, apenas 33 pessoas acima de 40 anos falam werekena. A língua está se misturando com o português e o nhengatu, esta última também conhecida como tupinambá ou língua geral.

O que se espera como resultado do trabalho de escrita dessa língua é, tanto garantir o seu registro escrito, quanto levá-la para as escolas werekenas em forma de materiais que possam ser utilizados pelos professores e alunos. De acordo com a professora Marci, mesmo que um dia a língua desapareça será possível resgatá-la de alguma forma através desses materiais e principalmente resgatar o mais importante que é o que ela representa: a história, a cultura e a identidade do povo Werekena.

A equipe viajou para São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, região do Alto Rio Negro, conhecida como "Cabeça de Cachorro" e de lá para uma das comunidades dos índios Werekena. De São Gabriel até a comunidade dos Werekena são 3 horas de barco "voadeira" pelo rio Negro e mais uma hora e meia pelo rio Xié que é um dos afluentes do Negro. A Cabeça de Cachorro, assim chamada no mapa do Brasil nas delimitações de suas fronteiras com a Venezuela e a Colômbia, tem cerca de 110 mil quilômetros quadrados - maior que a do estado de Pernambuco - onde se espalha 600 comunidades com aproximadamente 40 mil habitantes, 95% de origem indígena.

Marci ressalta que este é apenas o começo de um trabalho que precisa de continuidade, o que já está sendo feito pela própria comunidade no seu dia a dia: "O que fiz lá na comunidade, durante a oficina, foi um trabalho bem técnico de relacionar os possíveis sons da língua com uma respectiva letra, mas isso somente foi possível com a ajuda dos falantes, que muito rápido entenderam o processo e que pretendem fazer mais que isso". Desta maneira, ao final da oficina os participantes propuseram uma política de ação para dar continuidade ao trabalho na qual os falantes, sobretudo, os mais velhos de cada comunidade, deverão se empenhar no trabalho de falar somente a língua werekena com as crianças, assim como nos encontros diários da manhã e da tarde em que a comunidade toda vai tentar falar werekena, juntamente com os mais velhos.

A professora Marci, que é doutora em lingüística e ministra aula no Mestrado em Ciência da Linguagem da Unisul, revela que este foi um trabalho importante para a comunidade Werekena e pessoalmente lhe proporcionou uma experiência impar: "Não foi fácil, no início, ficar fora da minha rotina, dos confortos da vida urbana, já que tinha que tomar banho no rio, lavar minhas roupas e utensílios domésticos no rio e a noite não tínhamos luz elétrica, e ainda assim, não perder o foco no trabalho". Contudo, segundo ela, passado o estranhamento inicial, garante que passou noites bastante agradáveis, na sua rede, embalada pela brisa que vinha do rio Xié e iluminada por velas ou até mesmo pela lua.

O trabalho foi desenvolvido com apoio do Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Lingüística -IPOL (www.ipol.org.br/ ) , que é uma sociedade civil de direito privado, sem fins lucrativos, de caráter cultural e educacional e constituída por profissionais de diversas áreas do conhecimento, para realizar projetos de interesse político-lingüístico.

Fonte: Unisul
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