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Cai a teoria da formação de óvulos por células-tronco

      
No ano passado, cientistas de Harvard publicaram uma pesquisa contestando um dos maiores dogmas da biologia reprodutiva: o de que toda mulher já nasce com um número finito de óvulos para a vida. Eles propunham que células-tronco germinativas presentes na medula óssea e no sangue se transformavam em óvulos e reabasteciam os ovários com o passar dos anos. Agora, um novo estudo, também de Harvard, propõe restabelecer o dogma a partir de um experimento engenhoso.

Os pesquisadores (de uma equipe diferente) uniram cirurgicamente quatro pares de camundongos, como se fossem gêmeos siameses: um normal e outro transgênico, modificado com um gene marcador verde fluorescente (GFP). Os animais ficaram unidos por até oito meses e desenvolveram um sistema circulatório comum, com sangue circulando livremente de um para o outro.

Dessa forma, se a teoria das células-tronco do sangue estivesse correta, óvulos verdes transgênicos deveriam aparecer no camundongo normal e vice versa. Não aconteceu. Para testar se a migração ocorreria apenas em situações de stress, os cientistas ainda repetiram o experimento em camundongos com ovários e medula óssea danificados por quimioterapia. De novo, nada aconteceu.

Os resultados, publicados na revista Nature, não mostram nenhum indício de que células-tronco presentes na medula óssea ou no sangue possam formar óvulos. Segundo a pesquisadora Amy Wagers, ainda é possível que células-tronco presentes no próprio ovário formem novos óvulos durante a vida. "Nosso experimento não exclui essa possibilidade. Mas eu acredito que o dogma prevalece", disse.
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