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Notícias

Entrevista

"O terrorismo deve ser entendido primeiramente como uma consequência e não como uma causa", diz professor da PUC

      
O terrorismo deve ser entendido primeiramente como uma consequência e não como uma causa, diz professor da PUC

Paulo Pereira

Coordenador do curso de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

Nesta semana, a série "Opinião" aborda sobre um assunto que atualmente tem gerado bastante repercussão na mídia: o envolvimento de jovens com atos terroristas.

 

O convidado desta edição é o professor Paulo Pereira, coordenador do curso de Relações Internacionais da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo. Paulo fez comentários sobre o tema e compartilhou a sua visão sobre terrorismo. Confira a seguir os principais tópicos discorridos pelo educador:

 

Número de jovens envolvidos com o terrorismo

Quando perguntado sobre a possibilidade de crescimento no número de jovens envolvidos em atos terroristas nos próximos 5 anos, o professor respondeu que é difícil afirmar tal dado ou fazer projeções neste sentido. “O fenômeno do terrorismo tem enorme variedade e ocorrência nos diversos continentes. No entanto, é possível dizer que a juventude, por ser muitas vezes caracterizada pela rebeldia, insatisfação e pela busca por mudanças, tem se tornado um dos focos de aliciamento das organizações terroristas”, afirma Paulo.

 

O educador ainda destaca que também a exclusão social e a falta de oportunidades econômicas somam-se a esses problemas. Jovens europeus, americanos e também de outras regiões têm sido arregimentados para combater pelo Estado Islâmico, por exemplo. “Como não há no horizonte mudanças destas situações, é provável que esta lógica se mantenha”, comenta Paulo.

 

Responsabilidade pela propagação de atos terroristas

Durante a entrevista, o professor Paulo foi questionado sobre de quem seria a responsabilidade por propagar o terrorismo ao redor do mundo. Paulo afirmou que “definir responsabilidades pela repressão aos atos terroristas tende a encobrir a necessidade de refletir sobreas causas deste fenômeno e sobre possíveis políticas de prevenção”. “Dado que algumas das causas mais importantes para a ocorrência de atos terroristas atuais são as guerras assimétricas, a ocupação estrangeira e as intervenções internacionais multilaterais, os atores envolvidos têm uma responsabilidade destacada de responder a esse dilema”, comenta. Paulo também destaca as ações militares após os atentados no dia 11 de Setembro de 2001, nos Estados Unidos: “Essas ações promoveram o aumento da ocorrência de atos terroristas. Neste sentido, os atores nelas envolvidos devem propor soluções que possam diminuir a sua ocorrência”, afirma o coordenador.

 

Medidas para enfrentar o problema

Em relação à quais medidas devem ser adotadas para combater o terrorismo, o professor afirma que, dada a diversidade de países e as características de ações terroristas, é difícil saber com precisão quais ações da sociedade civil devem ser realizadas para enfrentar o terrorismo. “Entendo que, antes disso, é fundamental compreender as causas locais e as dinâmicas estruturais e históricas para a ocorrência desses atos”, afirma. Paulo ainda destaca: “As organizações locais dos países que têm sofrido com esses atos são fundamentais na identificação dos caminhos a serem tomados”. "As organizações da sociedade civil devem ficar atentas e combatam as medidas de exceção, que além de prejudicarem as liberdades civis e políticas, têm sido elaboradas pelos governos como justificativas para o combate ao terrorismo”.

 

Consequências do terrorismo na atualidade e para as próximas gerações

Em relação às consequências geradas pelo terrorismo, o coordenador da PUC-SP afirma que, como o ato não é delimitado a determinados espaços e a certos contextos históricos, não é possível falar em "um efeito", em sentido genérico. O professor destaca que focar nos desdobramentos destes atos para as futuras gerações exclui a compreensão de outros processos de violência e opressão dentro dos quais ocorre o ato terrorista. “Não só as consequências do terrorismo, mas também suas causas são nefastas para as comunidades inseridas em tais dinâmicas”, comenta.

 

“O ciclo de violência que o terrorismo promove aprofunda a desestruturação dos laços políticos e sociais, sem propor soluções”, destaca Paulo. O coordenador também afirma que é preciso esclarecer a existência de outras questões cujos impactos sociais são muito mais significativos do que o do terrorismo. Podem ser destacados como exemplo a desigualdade, a degradação do meio ambiente, entre outros problemas. “É ilustrativo que em 2013 tenham morrido 18 mil pessoas por conta de atos terroristas no mundo inteiro, sendo que no Brasil, no mesmo ano, 50 mil pessoas tenham sido assassinadas”, comenta o professor.

 

O que caracteriza um ato terrorista


Quando perguntado sobre quais as características definem o terrorismo, o coordenador afirma que há diversas definições de terrorismo. “Muitas dessas definições são enviesadas por posicionamentos e interesses políticos”, diz. “Uma definição extremamente genérica seria a de que o terrorismo é um tipo específico de violência”, destaca. Para Paulo, tais atos buscam manipular o alvo principal com demandas ou promover a intimidação. “Muitas vezes, a própria mídia se torna cúmplice deste fenômeno ao reproduzi-lo de maneira enviesada e apelativa”, finaliza o professor.



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