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Entrevista

"Quando um casal se conhece pela internet, as chances de não dar certo são grandes, mas não é uma regra", diz professor da USP

      
Quando um casal se conhece pela internet, as chances de não dar certo são grandes, mas não é uma regra, diz professor da USP

Ailton Amélio da Silva

Professor Ailton Amélio da Silva, mestre e doutor em Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo (USP).

1. A maneira de nos relacionarmos amorosamente foi alterada a partir do uso da tecnologia? 

Eu acredito que foi bastante alterada. O amor tem um componente biológico, um componente cultural e um componente pessoal. Por isso, ele foi alterado, com certeza, em vários aspectos: como começa, como é mantido, os rituais, a disponibilidade de parceiros e o próprio conteúdo do relacionamento. 

Agora, podemos falar com o outro a qualquer hora do dia, e o quanto se fala, o que se fala e como se fala também mudou. As ligações não são mais esperadas, mas sim as mensagens por whatsapp. As coisas que são faladas por telefone precisam ter uma certa gravidade (e pessoalmente mais ainda). 

 

2. Quais são as razões pelas quais as pessoas preferem usar a tecnologia para se relacionar? 

Cada canal de comunicação disponível é adequado para um fim específico. É claro que as pessoas ainda querem se relacionar cara a cara e poucos desejam manter um namoro somente pela internet. 

No entanto, para alguns fins, costuma-se preferir a rede, porque é prático, você gasta menos tempo, as pessoas moram longe e é ótima para um contato rápido. Nestes casos, as mensagens são as mais adequadas. 

Com a internet, os meios de contato foram diversificados e, dependendo da finalidade e do que você queira no momento, um meio pode ser mais adequado do que o outro.

 

3. Que perigos enfrentam as pessoas que usam sites de relacionamento? Quais precauções devem ser tomadas?
 

Se relacionar por sites supre algumas necessidades. Quem é tímido, por exemplo, pode acabar optando por esse meio, mas é preciso tomar cuidado para que a pessoa não se acostume a usar muletas emocionais, ao invés de enfrentar as dificuldades. 

Os sites também tornam superficiais os relacionamentos, facilitam o descarte, já que temos na internet uma série de opções disponíveis. Isso faz com que, agora, seja mais fácil substituir alguém. 

Estudos norte-americanos e nacionais mostram que, ao começar um relacionamento, a forma que você conheceu o parceiro pode influenciar no sucesso da relação. Você conheceu em sites? Em locais onde possa abordar desconhecidos? Por meio de colegas ou relações profissionais? A forma como você começou, e se já conhecia o outro, pode variar o progresso, a profundidade e a durabilidade da relação. 

Nos casos em que a pessoa já conhecia o outro, as chances da relação dar certo são maiores, por uma razão simples: quando eu não conheço o outro, todos os aspectos de sua personalidade ainda precisam ser descobertos, diminuindo a possibilidade de progredir, já que a pessoa pode se decepcionar. No caso dos sites de relacionamento, só temos acesso às fotos, às informações que a pessoa coloca em seu perfil e a conversas rápidas por chats. 

 

4. Qual o perfil dos usuários que decidem encontrar parceiros pela internet?
 

Atualmente, o perfil é generalizado. Antigamente, eram aquelas pessoas que tinham dificuldades para se relacionar na vida real, lançando mão dos sites de relacionamento. Agora, a tendência é que quase todos utilizem esses sites. Apesar disso, acredito que a internet ainda represente a minoria dos encontros.

 

5. Qual a porcentagem de pessoas que buscam amor na internet e quais são os apps ou páginas mais usadas no Brasil?
 

Quando fiz um estudo, há 15 anos atrás, a Internet ainda era fraca. Somente 1% dos namoros começava por meio de sites, agências de casamento e anúncios no jornal. De resto, 37% já se conheciam, 32% eram apresentados por amigos em comum, 20% eram paqueras de bares, baladas e outros locais de interação e 5% eram de encontros acidentais (dentro do ônibus, em uma fila de espera, etc). 

Em alguns dados mais recentes aos quais tive acesso, do livro Sex in America, constatou-se que a internet subiu para cerca de 10%. Em geral, não existem estatísticas muitos específicas sobre o tema. As pesquisas do Sex in America, no entanto, são uma exceção, já que foram feitas pela mesma empresa que realiza as amostras eleitorais norte-americanas, ou seja, são mais precisas.

 

6. Que probabilidade de êxito tem um casal que se conheceu na internet? 

A pesquisa norte-americana avaliou pessoas casadas, que moram juntas, que estavam em começo de namoro, entre outros. Entre as perguntas, eles questionaram ao par como haviam se conhecido. Por meio dessa entrevista, ficou concluído que a circunstância que mais leva ao casamento é já conhecer o parceiro previamente ou ser apresentado por amigos. Então, quando um casal se conhece pela internet, as chances de não dar certo são grandes, mas não é uma regra.



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