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A importância da representatividade

      
A importância da representatividade
A importância da representatividade  |  Fonte: Reprodução
Sttela Vasco - Universia Brasil

Sttela Vasco

Sou jornalista e repórter na Universia Brasil. Apaixonada por livros, cinema, café e chocolate assino a coluna Sobre Elas, na qual falo sobre a mulher e a presença feminina nas mais diferentes áreas da sociedade

Como eu já havia adiantado, representatividade será um tema bastante recorrente aqui na coluna. Primeiro por estar nela a base de muitas mudanças e segundo porque, para que se compreenda a importância e relevância de determinado assunto, é necessário que se fale nele com frequência.

Apesar de sempre estar presente nas minhas reflexões, a questão voltou com tudo à minha mente na semana passada. O motivo? A estreia de A Bela e a Fera, adaptação em live action da clássica animação da Disney de 1991.

Eu devia ter três ou quatro anos quando assisti A Bela e a Fera. Não lembro muito bem da ocasião ou de como foi, mas lembro de como fui marcada pela história. Bela foi a primeira princesa que "conversou" comigo. Eu já havia assistido clássicos como A Branca de Neve e os Sete Anões e Cinderela, porém, não havia sido cativada por eles. Era fã incondicional de A Pequena Sereia, suas aventuras pelo mar e sua vontade de conhecer outro mundo, mas nem ela havia me encantado como a Bela.

É sutil e bastante curioso o momento em que você se sente representada por algo, principalmente quando isso ocorre na infância. Hoje consigo enxergar o tamanho impacto que aquela animação teve em mim e até posso descrever a sensação, mas ainda menina tudo o que eu conseguia sentir se resumia em uma simples frase: "ela é igual a mim".

Meninas são extremamente cobradas por sua aparência. Crescemos ouvindo sobre como nos tornarmos mais bonitas e como ser considerada atraente é importante. Também crescemos com padrões de beleza que nos limitam, diminuindo e desvalorizando tantas outras belezas mais. Não há apenas uma beleza, então, por que só uma é retratada? Ter apenas um tipo de representação colabora com o enfraquecimento da autoestima, não possuir nenhuma personagem que se assemelhe a você faz com que pareça, na verdade, que o problema está justamente em como você é e que é preciso se aproximar do que é exibido para ser considerada realmente bela.

Bela foi a primeira personagem com a qual eu realmente me identifiquei. Ela não era loira, ruiva, não tinha olhos verdes ou azuis, não acordava com passarinhos. Sob o meu olhar infantil, Bela era "normal". Assim como eu. Morena, olhos castanhos, "esquisita". Ela representava tudo o que eu era e tomar consciência disso foi extremamente poderoso. Na história, Bela, com sua aparência, ao meu ver, comum, era considerada a mais bonita de sua aldeia. Para mim, isso significava que eu, uma menina "normal" também poderia me achar bonita. Eu não precisava ser a Aurora para me sentir bem, pois, Bela era como eu e ainda assim era bonita.

Claro que outras características - o amor pelos livros, sua coragem, inteligência e a vontade de "viver em um mundo bem mais amplo" - também contribuíram para a minha identificação. A personagem não se resume apenas a sua aparência, porém, isso foi fundamental. Eu até me identificava com a Pequena Sereia, mas faltava alguém por quem eu me sentisse representada, alguém para quem eu olhasse e pensasse "ei, ela é como eu". Antes de Bela, eu acreditava, mesmo sem ter total consciência disso, que era comum de mais para ter alguém parecida comigo em um desenho. Ou que a beleza de meninas como eu não era realmente beleza, logo, não fazia sentido ter uma personagem principal com determinados traços.

Uso esse exemplo porque ainda é comum ouvirmos que representatividade "nem é tão importante assim". Engano. Representatividade importa muito, principal e especialmente quando se é criança. Por mais que você goste de um personagem ou personalidade, não há nada como olhar e se enxergar no outro. Como eu já mencionei outras vezes, é fundamental ver um exemplo de sucesso parecido com você. Isso empodera, inspira. E crianças com mais confiança em si serão adultos mais dispostos a conquistar seus sonhos e seu espaço na sociedade.

Por essa razão, é fundamental que a diversidade seja cada vez mais debatida e colocada nos desenhos. Bela representou a mim, sim, mas tantas outras meninas não sentiram mesmo. E ainda não sentem. E todas deveriam ter a chance de sentir. Muitas ainda esperam ver alguém similar a elas na televisão ou no cinema. É necessário sim que se varie o aspecto físico das personagens, pois, apesar de isso não definir uma pessoa, é uma parte importante de quem ela é. Somos diferentes, possuímos belezas diferentes, logo, nada mais certo que todas elas sejam exaltadas e representadas por igual. Não se trata de um pedido vazio, mas sim de justiça. Somos diversas, nossas princesas, heroínas, guerreiras também devem ser.


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