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Bolsas de iniciação científica: o que você precisa saber

      
bolsas de iniciação científica
A iniciação científica é uma atividade enriquecedora para alunos de todas as áreas do conhecimento.

Muitos estudantes não sabem, mas as pesquisas realizadas nas universidades não são atividades restritas aos mestres, doutores e professores. Nestas experiências, onde as teorias são colocadas em prática ou exploradas mais a fundo, sempre há um espaço reservado aos graduandos.


Várias instituições de ensino superior, públicas e privadas, oferecem bolsas de iniciação científica aos universitários, permitindo que eles atuem, desde cedo, como jovens pesquisadores. Até mesmo no ensino médio é possível encontrar opções de bolsas para alunos que se interessam por pesquisa.


Mas por que fazer iniciação científica? E quais são as bolsas disponíveis no Brasil? Como se tornar um bolsista? Explicamos isso e muito mais neste artigo!

O que são bolsas de iniciação científica?

De forma resumida, a iniciação científica é uma atividade de instituições de ensino superior que possibilita que estudantes de graduação desenvolvam pesquisas científicas sobre um determinado tema, mediadas por um professor orientador. Nestes programas, que são abertos a todas as áreas do conhecimento, os universitários trabalham algumas horas nos laboratórios e nos grupos de pesquisa das suas instituições, como verdadeiros pesquisadores.


A bolsa de iniciação científica oferece ao aluno uma ajuda de custo ou desconto na mensalidade da instituição de ensino, um auxílio necessário, já que o estudante oferece uma quantidade considerável do seu tempo e da sua dedicação ao projeto de pesquisa.


Ananias Monteiro, pró-reitor de pesquisa da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), considera que essas bolsas são muito importantes para os estudantes, principalmente os de baixa-renda. "Este apoio ajuda os alunos a continuarem os estudos. Afirmo isso, porque aqui na UFRN temos muitos universitários do interior que precisam da bolsa por uma questão de sobrevivência", revela.


Segundo o pró-reitor de pesquisa da USP (Universidade de São Paulo), Luiz Nunes de Oliveira, a universidade busca, com estas iniciativas, criar condições para que estudantes se transformem em pesquisadores. "Muitas vezes o valor da bolsa não é o ideal. No entanto, conseguimos oferecer uma oportunidade para que, ao invés de ir ganhar alguns trocados no comércio, por exemplo, o aluno venha para o campus aprender e fazer ciência."


As bolsas de iniciação científica costumam ter a duração de um ano e são oferecidas por instituições de Ensino e/ou Pesquisa, privadas ou públicas. Algumas bolsas são criadas com recursos da própria instituição, enquanto outras são oriundas de agências fomentadoras de pesquisa.

Há bolsas de iniciação científica para o ensino médio?

Embora menos abundantes – e com valores mais baixos –, as bolsas de iniciação científica para o ensino médio são uma realidade no Brasil. Na iniciação científica, os estudantes de ensino médio participam de atividades de educação científica e/ou tecnológica, orientados por um pesquisador qualificado. Se você tem interesse nessa atividade, busque descobrir se a sua escola tem parcerias com universidades e programas de bolsas.

Por que fazer iniciação científica

Ao contrário do que muitos pensam, a iniciação científica não é adequada apenas para estudantes que querem seguir uma carreira de pesquisa acadêmica ou docência. Essa atividade é uma experiência adicional útil para o currículo dos alunos e oferece uma série de benefícios.


O presidente da Conaic (Comissão Nacional de Avaliação de Iniciação Científica), Isaac Roitman, acredita que é um erro dizer que o programa serve apenas para formar recursos humanos para o universo acadêmico. Em sua opinião, este tipo de programa amplia a visão de mundo do estudante, influenciando, inclusive, sua forma de atuação no mercado de trabalho.


"A Iniciação não se propõe, apenas, a desenvolver o universitário a fim de formá-lo um futuro cientista ou professor. Ela melhora seu rendimento em sala de aula, ajuda o aluno a se organizar e se concentrar melhor, fatores que podem ser diferenciais competitivos no seu trabalho, além de desenvolver o espírito crítico e a criatividade, que também são benéficos para qualquer profissão", defende Roitman.


Para o chefe do departamento de pesquisa da Univali (Universidade do Vale do Itajaí), Rogério Corrêa, "Quem faz iniciação científica, sem dúvida, está um passo à frente em relação à visão de mundo. Sem contar o que se ganha em termos de organização pessoal".


Segundo o pró-reitor de pesquisa da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Daniel Pereira, não há dúvida de que a atividade seja de extrema relevância no sentido de uma melhor formação dos estudantes e de sua atualização dos conceitos associados à Ciência, mas ela se torna diferencial ao conferir ao jovem a oportunidade de ver como se aplica o método científico, além de incentivar com que ele participe de congressos e eventos que promovam discussões e reflexões sobre sua área de estudos e sua futura área de trabalho.


A Iniciação Científica, na visão de especialistas:

  • Garante mais visão de mundo ao estudante.

  • Incentiva estudantes a participar de eventos e congressos sobre sua área de estudos.

  • Melhora a concentração e a organização.

  • Ensina, na prática, a lidar com imprevistos.

  • Estimula o desenvolvimento do espírito crítico e da criatividade.

  • Permite maior troca de informações entre aluno e professor.

Por que fazer iniciação científica: benefícios comprovados

Uma pesquisa feita pelo Programa Internacional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) em 2017 concluiu que os estudantes que participam de algum programa de iniciação científica enquanto estão se graduando concluem seus estudos mais rápido do que aqueles que não fazem.


Além disso, de acordo com o estudo, quem faz iniciação científica tem uma chance 2,2 vezes maior de completar o mestrado e 1,5 maior de concluir o doutorado. Aqueles que receberam bolsa do Pibic concluíram a graduação, em média, aos 23,9 anos, enquanto os não bolsistas possuíam, no geral, 24,8 anos.


Outras vantagens da iniciação científica é o contato com outros idiomas: 56% dos bolsistas afirmaram que os estudos fizeram com que eles tivessem contato com outras línguas e 5% tiveram a chance de apresentar seus projetos em eventos internacionais.

Bolsas de iniciação científica no Brasil

Há muitos programas que disponibilizam bolsas de iniciação científica no Brasil, sendo os principais deles o PIBIC e o PIBITI, ambos programas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O PET também oferece apoio para projetos de pesquisa e ensino. Em São Paulo, podemos destacar as bolsas da Fapesp. Conheça melhor esses quatro programas:

Bolsas de iniciação científica do PIBIC

O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) visa a apoiar a política de Iniciação Científica desenvolvida em Instituições de Ensino e/ou Pesquisa, com os seguintes objetivos:


  • Estimular pesquisadores produtivos a envolverem alunos de graduação nas atividades científica, tecnológica e artístico-cultural;

  • proporcionar ao bolsista, orientado por pesquisador qualificado, a aprendizagem de técnicas e métodos de pesquisa, bem como estimular o desenvolvimento do pensar cientificamente e da criatividade;

  • despertar vocação científica e incentivar novos talentos entre estudantes de graduação;

  • entre outros.

Pré-requisitos para ser um bolsista de iniciação científica

  • Cursar graduação;

  • dedicar-se integralmente às atividades acadêmicas e de pesquisa;

  • procurar, em sua área de interesse, um pesquisador que esteja disposto a integrá-lo em sua pesquisa e a orientá-lo.


O orientador deve estar vinculado a uma instituição de Ensino e/ou Pesquisa, privada ou pública, que participe do PIBIC; desenvolver pesquisa científica e ser, preferencialmente, bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq.

Duração

A bolsa tem duração de 12 meses, com início em 1º de agosto.

Bolsas de iniciação científica do PIBITI

O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI) se diferencia do PIBIC devido ao seu foco: projetos de tecnologia e inovação. O PIBITI visa a estimular os jovens do ensino superior a se envolver nas atividades, metodologias, conhecimentos e práticas próprias ao desenvolvimento tecnológico e processos de inovação. Os seus objetivos são:


  • Contribuir para a formação e inserção de estudantes em atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação;

  • contribuir para a formação de recursos humanos que se dedicarão ao fortalecimento da capacidade inovadora das empresas no país;

  • contribuir para a formação do cidadão pleno, com condições de participar de forma criativa e empreendedora na sua comunidade.


Este programa apresenta os mesmos pré-requisitos do PIBIC, e suas bolsas têm, igualmente, 12 meses de duração.

Bolsas de iniciação científica do PET

O Programa de Educação Tutorial (PET) é um programa do Governo Federal que estimula atividades de pesquisa, ensino e extensão. O PET oferece bolsas anualmente para grupos de estudantes de instituições de ensino superior. Os bolsistas realizam pesquisas e trabalhos de ensino e extensão com a orientação de um docente.

Pré-requisitos para ser um bolsista de iniciação científica

  • Estar cursando a graduação;

  • ter disponibilidade de 20 horas semanais para o projeto;

  • outras, conforme a instituição.

Duração

O estudante pode permanecer no grupo PET até a conclusão da sua graduação.

Bolsas de iniciação científica da Fapesp

A bolsa de iniciação científica da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) destina-se a alunos regularmente matriculados em cursos de graduação de Instituições de ensino superior públicas ou privadas do Estado de São Paulo para o desenvolvimento de pesquisa científica ou tecnológica, sob a orientação de pesquisador que tenha título de doutor ou qualificação equivalente.

Pré-requisitos para ser um bolsista de iniciação científica

Além de estar cursando a graduação, o candidato deve:


  • Ter concluído número suficiente de disciplinas relevantes para o projeto;

  • apresentar bom desempenho acadêmico,

  • ter dedicação exclusiva ao curso (mínimo de 12 horas semanais);

  • o bolsista não pode ter vínculo empregatício nem receber bolsa, salário ou remuneração por outras atividades, durante toda a vigência da bolsa.

Duração

A duração inicial da Bolsa de Iniciação Científica é de até 12 meses, podendo ser renovada, em condições excepcionais. A bolsa não é concedida por período inferior a seis meses.

Como fazer iniciação científica?

As bolsas dos programas citados acima são concedidas às instituições de ensino, que por sua vez, ficam com a responsabilidade de selecionar os alunos. Se você tem interesse em fazer iniciação científica, é importante, portanto, buscar oportunidades na sua própria faculdade.


Conseguir uma bolsa de iniciação científica depende, bastante, de sua força de vontade e proatividade. Se você quer participar dessas atividades de pesquisa em sua instituição de ensino, procure informações no site da faculdade, na pró-reitoria de pesquisa da universidade, converse sobre o assunto com professores e até mesmo colegas veteranos. Deixe claro o seu interesse e fique sempre atento(a) a novas oportunidades.


Também mantenha-se sempre informado(a) sobre o processo, pois, para conseguir esses benefícios, existem diversos passos e etapas de documentações que devem ser seguidas rigorosamente.


Quer conferir mais dicas de como se tornar um bolsista de iniciação científica? Entrevistamos especialistas para ajudar você nesse percurso. Confira abaixo.

Dicas de especialistas para se tornar um bolsista de iniciação científica

Se você quer se tornar um bolsista de iniciação científica, o pró-reitor de pesquisa da USP, Luiz Nunes de Oliveira, explica como começar: “O primeiro passo é o aluno procurar a pró-reitoria de pesquisa da universidade para se informar sobre os programas de iniciação científica que ela possui”.


A assessora da diretoria de pesquisa da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), Beatriz Leipnitz, destaca que na maioria das vezes há cartazes espalhados pelas IES com o edital e todas as informações sobre as bolsas, linhas de pesquisas e locais de cadastro. “Se o universitário que deseja participar de um trabalho científico não achar estas informações, com certeza pode encontrá-las nas secretarias das unidades universitárias. Outro caminho é ficar ligado nas dicas que os professores dão nas salas de aula”, conta.


Beatriz diz ainda que os docentes sempre estão de olho nos universitários que ficam nos laboratórios e que demonstram interesse pelas pesquisas. "O professor sempre vai dar oportunidade para aquele aluno que ele conhece, porque sabe que existe uma motivação genuína do aluno", conta. "Por isso, é indicado que o aluno participe, voluntariamente, do trabalho do professor por alguns dias. Com isso ele pode demonstrar interesse e ver se é aquilo mesmo que ele quer fazer", completa.


O coordenador institucional do PIBIC da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), Marcelo Dreux, concorda que o caminho mais curto para ser contemplado com uma bolsa de iniciação científica é estabelecer um bom contato com o professor responsável por uma linha de pesquisa. “Como a seleção fica a cargo do pesquisador, é adequado que o interessado o procure e exponha sua vontade de participar do projeto”, esclarece.


Dreux também revela que, apesar dos bolsistas integrarem uma linha de pesquisa, os universitários que tiverem uma ideia original podem buscar a iniciação científica para desenvolver o seu invento. “Não é comum, mas se a proposta for muito boa, o professor pode se dispor a ajudar o jovem inventor”.


Mas nada disso importa se não estiver acompanhado de um item básico para concorrer às bolsas: boas notas. Se o seu boletim tiver avaliações abaixo da média, será quase impossível ser selecionado. Oliveira diz que estas medidas são tomadas por um único motivo: "As notas baixas mostram claramente que o aluno não consegue desempenhar os estudos com sucesso. Imagine então como a situação dele vai ficar com a carga horária que vai dedicar à iniciação científica."


O pró-reitor de pesquisa da UFRN, Ananias Monteiro, complementa a opinião de Oliveira: "É importante que o estudante que deseja pleitear a bolsa tenha clara consciência de que vai trabalhar muito e passar bastante tempo na universidade", diz. Ele salienta ainda que as atividades serão duras e exigentes. "O bolsista terá prazos a cumprir e seguirá uma dinâmica elaborada por seu orientador. Além disso, terá de produzir relatórios e, no final da bolsa, preparar seminários para mobilizar toda a comunidade acadêmica", conclui.


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