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Educação a distância na graduação no Brasil: tendências e problemas

      
Entre 2008 e 2018, as matrículas em cursos de graduação a distância cresceram cerca de 182% no Brasil.
Entre 2008 e 2018, as matrículas em cursos de graduação a distância cresceram cerca de 182% no Brasil.  |  Fonte: iStock

Em julho de 2018, dados do Ministério da Educação (MEC) já mostravam um grande crescimento da educação a distância e do campus virtual no Brasil: em pouco mais de um ano, o total de polos de ensino superior a distância cresceu 133% no país, devido ao decreto que diminuiu as exigências para que instituições de ensino oferecessem essa modalidade.


Em setembro de 2019, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) publicou o último Censo da Educação Superior, o mais completo levantamento estatístico do país sobre as instituições de educação superior brasileiras e os seus cursos.


No estudo, revelou-se mais uma vez o enorme crescimento da educação a distância no Brasil, em especial em cursos de licenciatura, mas também em bacharelados e tecnólogos. Atualmente, essa modalidade representa quase 40% do total de ingressantes em cursos de graduação e quase 20% do número total de concluintes.

Crescimento em educação a distância compensa queda da modalidade presencial

Enquanto o número de ingressantes em 2018 caiu mais de 3% no caso de cursos presenciais de graduação, esta queda foi compensada pela modalidade a distância, que apresentou uma variação positiva de 27,9% entre 2017 e 2018.


Na última década, também observa-se um crescimento muito maior nos cursos a distância: entre 2008 e 2018, os cursos de graduação presenciais registraram um aumento de 10,6% de ingressantes, enquanto os cursos EaD registraram um crescimento de 196%.


Além disso, pela primeira vez, o número de alunos matriculados em licenciatura nos cursos a distância superou o de alunos matriculados nos cursos presenciais, representando 50,2% do total. No caso de bacharelados, contudo, o número de alunos matriculados em cursos presenciais permanece maior. Nos tecnólogos, as matrículas na modalidade presencial vêm caindo desde 2013, enquanto nos cursos a distância, observou-se um aumento entre 2017 e 2018.

Programas especiais a distância

O grande crescimento dos números gerais da EaD nos últimos anos, em especial em cursos de licenciatura, pode ser explicado em parte por dois programas especiais de educação, que incluem uma série de cursos a distância:


  1. O Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor): programa que oferece cursos de primeira licenciatura para professores que ainda não têm formação superior; cursos de segunda licenciatura para professores já formados, mas que lecionam em área diferente daquela em que se formaram; e cursos de formação complementar para bacharéis sem licenciatura que querem exercer o magistério.

  2. O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera): programa com cursos de diferentes níveis de ensino para jovens e adultos trabalhadores das áreas de Reforma Agrária.


Os programas especiais são uma exceção quando o assunto é o preenchimento de novas vagas em cursos a distância: há mais ingressos do que vagas oferecidas, enquanto nos cursos presenciais, apenas 23% das vagas são ocupadas. Em outros processos seletivos para preenchimento de vagas novas, encontramos a situação oposta: quase 45% das vagas para cursos presenciais são preenchidas, enquanto em cursos a distância, essa porcentagem cai para 21%.


É possível concluir que os programas especiais de educação a distância, portanto, atendem às necessidades dos seus públicos, pois são destinados a estudantes que vivem no campo ou, no caso do Parfor, que já atuam como professores e precisam se matricular em um curso a distância, que não implique deslocamento, nem horários rígidos.


Mas e no caso de outros cursos de graduação, em que a modalidade presencial ainda permanece a preferida dos estudantes, mas vem perdendo cada vez mais espaço?

As dificuldades da EaD

Embora a maior parte dos alunos – cerca de 83% – que ingressaram em cursos de graduação em 2018 tenham entrado em instituições de ensino privadas, as instituições públicas continuam sendo as mais disputadas no país, com algumas delas figurando entre as melhores universidades do mundo. Nestes espaços acadêmicos, os cursos a distância ainda não ganharam tanto espaço quanto nas instituições particulares.


Se em 2017 observou-se um crescimento de 11,3% no número de ingressantes na rede pública, já em 2018, registrou-se uma queda de 1,5%. O motivo? A redução, na rede federal, de 34.763 (55,8%) vagas oferecidas em cursos a distância.


Algumas instituições de ensino e até mesmo empresas ainda têm dificuldades para aceitar a validade da educação a distância? Sim, e alguns dos motivos incluem a formação dos docentes (há menos doutores entre os docentes da EaD), o desempenho inferior dos cursos EaD no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e a menor interação entre alunos e professores e alunos entre si, além da desconfiança pela falta de formação prática dos estudantes.


Contudo, com o crescimento constante do número de ingressantes e, especialmente, de concluintes em programas de graduação na modalidade de educação a distância, é possível que, em breve, vejamos uma mudança nesse cenário.


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