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Tecnologia na escola: aliada ou inimiga do aprendizado?

      
Para ser benéfica, a tecnologia precisa ser bem usada.
Para ser benéfica, a tecnologia precisa ser bem usada.  |  Fonte: iStock

Como você imagina que seja uma escola infantil no Vale do Silício, área da Califórnia famosa por abrigar algumas das mais importantes empresas de tecnologia do mundo, como o Google, a Apple e o Facebook? Você provavelmente pensou em salas de aula futuristas, computadores e tablets de última geração e vários softwares educativos, não é?


Na verdade, muitos dos pais que vivem no Vale do Silício e trabalham nas grandes empresas de tecnologia do local – muitas vezes em altos cargos – estão afastando os seus filhos da televisão, dos celulares e dos tablets. Os empregados de grandes empresas de tecnologia sabem, melhor do que ninguém, que mídias sociais, jogos e aplicativos podem ser viciantes, e entendem que precisam proteger os seus filhos dos malefícios da tecnologia.


Assim, vários desses pais têm optado por escolas que preferem cadernos, lápis, quadros negros e atividades ao ar livre do que computadores e quadros interativos. Por que será que a presença da tecnologia na escola não é bem vista por executivos da indústria tecnológica quando os alunos são seus próprios filhos? Seria a tecnologia tão negativa assim para a educação de crianças e adolescentes?


Não há uma resposta concreta para isso – não apenas porque estudos científicos diferentes apresentam resultados que se contradizem, mas também devido a um fator decisivo: as maiores mudanças tecnológicas da nossa era, como o advento da Internet, são bastante recentes. Contudo, é possível refletir sobre o assunto e tirar certas conclusões a partir de pesquisas e dados já disponíveis. Saiba mais, a seguir.

Tecnologia na escola: um grande malefício?

Uma das escolas do Vale do Silício conhecida por limitar o acesso dos alunos à tecnologia é a Waldorf. A pedagogia Waldorf encoraja a interação face a face entre os alunos e entre alunos e professores, bem como a criatividade e a experimentação. O acesso a computadores na Waldorf School of the Peninsula é restrito e o uso de celulares em sala de aula, proibido.


As escolas Waldorf, que estão presentes em mais de 65 países ao redor do mundo, não são espaços anti-tecnologia, mas querem formar alunos que “gostem de ler livros, que consigam manter conversas prolongadas e que encontrem muita coisa para fazer sem precisar estar conectados". Para a pedagogia Waldorf, "trabalhar cara a cara, sem colocar uma tela entre as pessoas, promove uma participação autêntica no processo de aprendizagem".


Mas, afinal, que fatos podemos citar como provas de que a tecnologia não é uma aliada do aprendizado? Vejamos alguns deles.

  • Crianças aprendem interagindo com o mundo físico e outros humanos

A tecnologia pode afetar o tempo de interação de crianças com a família, com outras crianças e com o ambiente. Como a exploração sensorial com o mundo físico e a observação de outros humanos é essencial para o desenvolvimento das crianças, especialmente dos bebês, a tecnologia pode ter um forte impacto negativo nesse processo.


Um estudo da Associação Americana de Pediatria (American Academy of Pediatrics) mostrou que bebês expostos ao uso de telefones celulares, tablets e jogos eletrônicos antes de começarem a falar estão mais propensos a apresentar atraso no desenvolvimento da fala.

  • A tecnologia é uma distração e pode ser viciante

Existe um motivo pelo qual o uso dos telefones celulares são proibidos na maior parte das salas de aulas. É muito fácil se distrair quando tantas redes sociais, jogos e sites divertidos estão disponíveis no seu bolso, enquanto uma aula de matemática se desenrola à sua frente.


Mesmo que você esteja usando um tablet ou laptop para fazer anotações referentes à aula ou para pesquisar assuntos relacionados ao que está aprendendo, a tentação de verificar os seus e-mails ou as novidades do Instagram tem grandes chances de atrapalhar o seu foco. Isso não apenas porque a Internet é uma distração, mas porque também pode ser bastante viciante.


Uma pesquisa de 2014 estimou que cerca de 420 milhões de pessoas ao redor do mundo são viciadas em Internet. Além disso, especialistas afirmam que o uso exagerado de tecnologia deixa crianças e adolescentes desconectados do mundo real

  • É melhor usar cadernos do que computadores na sala de aula

Mesmo que você consiga usar o seu notebook na sala de aula só para fins educativos, ele pode não estar sendo tão benéfico quanto você imaginava. Uma pesquisa publicada na revista Psychological Science mostrou que escrever à mão é uma forma mais eficiente de processar e reter informações do que usar um computador para tomar notas.


Um outro estudo realizado nos Estados Unidos descobriu que universitários que não puderam usar dispositivos conectados à Internet durante as aulas tiveram resultados melhores nos exames do que os estudantes que desfrutaram do uso de computadores e tablets.

Como a tecnologia na escola pode ser uma aliada?

A tecnologia não é a grande vilã do aprendizado. O seu uso moderado pode, sim, trazer vantagens para os estudantes e ser útil até mesmo para uma educação mais inclusiva. Não há dúvidas de que o acesso a informações tornou-se extremamente mais fácil após o surgimento da Internet e de que a educação a distância têm sido uma frequente aliada do aprendizado.


A tecnologia na escola também pode ser útil: como na Waldorf School of the Peninsula, ela pode ser usada algumas vezes – quando o seu uso for necessário, apropriado e positivo.


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