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Entrevista

"Inovação implica conhecimento e autocrítica”, diz vice-reitor da Universidade de Navarra

      
Inovação implica conhecimento e autocrítica”, diz vice-reitor da Universidade de Navarra

Juan Manuel Mora

Vice-reitor de Comunicação da Universidade de Navarra, Juan Manuel Mora, organiza congresso que discute a reputação das universidades

A eficiência dos rankings internacionais das melhores universidades do mundo desperta reflexões. Pensando nisso, a conceituada Universidade de Navarra, na Espanha, realiza na próxima quarta-feira (22) o congresso internacional Building Universities Reputation. Ao todo, serão quatro blocos temáticos com diferentes visões dos reitores e especialistas sobre como construir a reputação das instituições de ensino. Criador e idealizador do evento, Juan Manuel Mora, vice-reitor de Comunicação da Universidade de Navarra, conversou com a Universia no último dia 11. Leia a entrevista a seguir. Se preferir, confira aqui a versão em espanhol:



Qual resultado espera obter a universidade ao liderar o congresso Building Universities Reputation nos próximos dias 22 e 24 de abril?
Esperamos criar um fórum de diálogo com a participação dos responsáveis pelas universidades, gestores das instituições que produzem os rankings (Times Higher Education World University Ranking é o mais famoso) e especialistas em comunicação para juntos pensar sobre como uma universidade pode cultivar sua reputação internacional. Gerenciar o que é intangível não é fácil.


O que faz uma universidade ser top mundial?
Os rankings das melhores universidades do mundo são justos? Os rankings são justos e parciais. Eles escolhem alguns parâmetros que consideram relevantes e simplesmente classificam as universidades.


Como devemos medir o sucesso de uma universidade? Quais são os principais indicadores?
Para mim, o sucesso de uma universidade depende do cumprimento da sua missão de ensinar, pesquisar e transferir conhecimento a sociedade com bons índices de qualidade. Diante desse cenário, cada universidade precisa decidir quais serão os seus diferenciais. Somente assim, estará em condições de determinar indicadores reais que os ajude a avaliar seu progresso. Cada universidade tem a sua própria jornada rumo à reputação internacional. Cada um terá sucesso em um aspecto particular.


Em sua opinião, qual é o papel principal de uma universidade hoje em dia?
Em muitos países, a universidade cumpre duas funções sociais importantes: 1. Dar acesso à educação superior a um grande número de pessoas independentemente dos seus recursos econômicos e 2. Formar cidadãos que sejam capazes de contribuir com a melhora do país e da sociedade em geral. Talvez o desafio atual não seja quantitativo, mas sim qualitativo. Precisamos qualificar os professores, a pesquisa e a transferência de conhecimento. Hoje, não precisamos de mais universidades. Precisamos de melhores universidades.

A educação é uma das atividades que menos mudou na história. Como deve ser a universidade do futuro?
A educação mudou pouco em alguns aspectos e muito em outros. O progresso é inquestionável quando pensando em metodologia, recursos e tecnologia. No entanto, educação tem a ver com pessoas, liberdade, conhecimento, virtude, sociabilidade e cidadania. Nesse aspecto, a natureza humana tem características perenes. Penso que a universidade do futuro deve dar ênfase aos aspectos que são essenciais na situação atual como a necessidade de aprender e a conviver com as mais distintas línguas, tradições e culturas.

 

Não precisamos de mais universidades. Precisamos de melhores universidades


O que torna uma universidade mais atrativa para as novas gerações de jovens?
Eu me atrevo a dizer que os estudantes buscam duas coisas: qualidade e ambiente. Um lugar onde é possível aprender muito e compartilhar o aprendizado. Na Universidade de Navarra, por exemplo, acredito que temos vários fatores de atração: o número de estudante não é grande; tem um campus que parece um parque natural e, ao mesmo tempo, oferece condições adequadas para a convivência acadêmica; um ambiente internacional com a presença de alunos de diversos países; uma comunidade alumni que mantém o seu vínculo com a universidade e atuam como embaixadores. Em termos comerciais: nossa marca traduz boa experiência.

Por que um estudante deveria sentar em uma sala de aula na Espanha, quando pode ter aula online em Harvard, por exemplo?
Como uma universidade deve responder a esse cenário? A escolha de uma universidade, assim como da profissão, é algo muito amplo. Depende das preferências de cada um, de sua procedência, do seu projeto de vida. Há espaço para boas universidades em todos os países e em todas as culturas. O que cada universidade tem que fazer é apresentar uma proposta de muita qualidade, atrativa e única. O caminho é da diversificação, e não da uniformidade. Acredito que Espanha é um ótimo destino devido a sua história, ao clima, cultura e hospitalidade. O espanhol é um dos idiomas mais falados do mundo. Além disso, nossas universidades contam com estudantes e professores de excelência.

Como as universidades devem adaptar-se as necessidades dos estudantes?
Para os estudantes são importantes dois aspectos. Um é o básico: trata da infraestrutura e serviços como bolsas de estudo, alojamentos e instalações. O outro, que é mais difícil de alcançar, é o mais importante: trata da atenção qualificada por parte dos docentes. Os estudantes devem sentir-se acompanhados e motivados ao longo dos anos.

O que significa ser uma universidade inovadora na educação?
Para mim, uma universidade inovadora não é somente aquela que pesquisa e transfere conhecimento a sociedade como também a que busca melhorar os seus processos introduzindo melhorias que são frutos de pesquisa. A inovação implica conhecimento e autocrítica.

A educação online será responsável pela democratização da educação?
Acredito que não. A democratização da educação foi conquistada pela universidade presencial ao menos em muitos países. A universidade foi e continua sendo a principal forma de “ascensão social”. A educação online produz uma popularização ou globalização do acesso universal aos canais de aprendizado.

Os cursos online podem superar os presenciais em número de inscrição?
Em números, sem dúvida. Em impacto educativo, eu duvido. Penso que o relacionamento quando é apenas virtual perde muito valor. Há mais relação interpessoal nas aulas presenciais.


Pode um modelo de educação online resolver o esgotamento dos estudantes com o modelo atual?
Não acredito que os estudantes estejam cansados com as aulas presenciais. A convivência e a relação interpessoal na educação são relevantes. Acredito que o cansaço vem de alguma rotina, da falta de criatividade na metodologia e, talvez, de algumas formas de “educação sem alma”, que acabam sem sentido.

 

A democratização da educação foi conquistada pela universidade presencial e não a online


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