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Notícias

Trabalhando para a sociedade

      
O novo reitor da UCS (Universidade de Caxias do Sul), professor Luiz Antonio Rizzon, conhece muito bem todos os desafio que terá de enfrentar nos próximos quatro anos durante os quais comandará a instituição. Afinal, ele os vivencia háÿ 8 anos no cargo de vice-reitor. Sua principal missão é ampliar a participação da comunidade no conhecimento gerado dentro da Universidade, que possui quase 30.000 alunos espalhados em 10 campi.

Rizzon é contra a Lei que prevê a reserva de vagas para negras e pardos nas IES pois acredita que a medida seja ineficaz. "Outras medidas como cursos preparatórios, bolsas de estudo e acompanhamento acadêmico efetivamente levariam estas minorias ao ensino superior", afirma. Já coloca-se a favor em outra questão polêmica, a cobrança de mensalidade nas universidades públicas. Para ele, os alunos com condições sócio-econômicas favoráveis poderiam pagar os estudos gerando mais vagas e recursos.

O novo reitor da UCS possui ampla experiência acadêmicas e administrativa e ocupou diversas funções na UCS, além da vice-reitoria.ÿ Foi Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa (1987-1988 e 1990-1998), Pró-Reitor de Graduação (1978-1980 e 1998-2002), além de ser membro e presidente de diversas comissões acadêmicas. Graduado em Licenciatura Plena em Filosofia pela própria UCS (1968) onde fez especialização em Psicologia, estudou Administração Universitária na Organisation Universitaire Interaméricaine (Canadá), realizou Mestrado em Psicologia Escolar na Illionois State University (Estados Unidos) e Doutorado em Psicologia na Universidade Pontifícia de Salamanca (Espanha).ÿ

Acompanhe os principais pontos da entrevista que o novo reitor da UCS, professor Luiz Antônio Rizzon, concedeu ao Universia:



Universia:
Qual é a importância de ser reitor de uma universidade como a UCS?

Luiz Antonio Rizzon: Esta função é importante em qualquer universidade pois o conhecimento assumiu um papel fundamental no desenvolvimento das pessoas e das comunidades. Então, ser reitor de uma universidade significa liderar uma instituição que trabalha com o conhecimento e que tem por missão produzi-la e torná-la acessível. Neste sentido, nossa responsabilidade é muito grande. Acredito, no entanto, que nos sairemos bem, mesmo por que o reitor não administra sozinho uma instituição, muitas pessoas estão engajadas neste projeto criando assim uma administração colegiada. Sem isso, nem o mais capaz, competente e visionário reitor consegue fazer tudo. Uma universidade é grande demais para somente uma pessoa administrar.



Universia:
O senhor discutiu com a comunidade acadêmica o plano de trabalho da sua gestão?

Rizzon: No início do processo de inscrições para a candidatura a reitoria, fiz uma consulta focada em dois pontos: o primeiro foi perguntar à comunidade se eu deveria me candidatar a reitor e o segundo foi apresentar minhas propostas e pedir sugestões para incrementá-las. Em ambas questões recebi uma resposta unânime tanto de apoio à minha candidatura quanto às minhas propostas de administração.
A discussão foi muito gratificante. Pude perceber que alunos, professores e funcionários estão profundamente preocupados que a UCS continue se qualificando cada vez mais. Além disso percebi que eles possuem uma percepção e uma imagem da instituição muito correta. Eles sabem valorizar as coisas boas e também ver onde que a universidade precisa melhorar.



Universia:
Como sua experiência acadêmica como vice-reitor pode ajudar no comando da UCS?

Rizzon: Para assumir a reitoria de uma instituição é preciso possuir habilidades de ordem administrativa e acadêmica. Estas habilidades só se adquire com o acúmulo da experiência de muitos anos aprendendo a ouvir e trabalhar com as pessoas, a participar de reuniões, defender pontos de vista, saber ganhar e perder. Enfim, é um aprendizado lento e longo mas muito importante que dá condições de prosseguir no ritmo dos trabalhos que a instituição vem realizando.



Universia:
Como o seu plano de trabalho pretende agir na área social?

Rizzon: Já existem programas importantes para a comunidade e para o desenvolvimento da instituição. Dentro destes destacaria o cidadão século XI, que atende crianças da comunidade e desenvolve oficinas de teatro, dança e música. Outro programa muito importante é o desenvolvido por alunos e professores da UCS, que se deslocam para cidades do interior oferecendo orientação médica, familiar e psicológica.ÿ



Universia:
Quais são as principais dificuldades que a UCS enfrenta hoje?

Rizzon: As dificuldades e limitações são inerentes às instituições de ensino superior no Brasil. Vivemos um emaranhado de legislações que nos sufoca, tira nossa criatividade e nos impede de realizar programas que seriam importantes para a instituição e para a comunidade. Outra dificuldade é a comunicação interna da UCS. Como a instituição está dividida em 10 campi, as decisões internas são lentas e respondemos com demora as demandas externas. A solução para este problema é a descentralização dos trabalhos, permitindo a continuidade nas informações.

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Universia:
Quais são os projetos para os próximos quatro anos?

Rizzon: Nosso projeto firmado na candidatura é qualificar nossos cursos de graduação, pós-graduação e extensão. Trabalharemos na valorização dos projetos de pesquisa e também extensão visando a participação da comunidade, fazendo com que o conhecimento chegue à pessoas que não freqüentam cursos superior. Pretendemos ainda implantar os primeiros projetos em educação à distância. Queremos começar de forma modesta e pequena adquirindo as habilidades e competências na área, desenvolvendo uma metodologia própria.



Universia:
Qual a sua opinião sobre a idéia de obrigar o pagamento de mensalidades nas universidades públicas pelos alunos com renda superior a 20 salários mínimos?

Rizzon: O que observamos é que, de modo geral, os que conseguem vagas em universidades públicas são aqueles que têm as melhores condições sócio- econômicas do país e os demais que não tem condições tão favoráveis acabam freqüentando outras universidades. Na minha opinião seria uma questão de justiça aqueles que têm condições, pagar pelo estudo. Eu não sou contra a universidade pública, ao contrário, quero que elas tenham sempre qualidade e pesquisa, por isso acredito que todos que tenham condições devam pagar para gerar mais vagas e mais recursos.



Universia:
Qual é a sua posição sobre a reserva de vagas para negros e pardos nas universidades?

Rizzon:ÿ Acho terrível e acredito que isso não irá funcionar. O melhor caminho para dar o acesso ao ensino superior às minorias é através de programas de incentivo. Seria muito mais eficaz criar escolas preparatórias para os vestibulares federais e estaduais, estabelecer um programa forte de acompanhamento acadêmico para combater a evasão escolar e ainda um programa de bolsas de estudo e auxílio.



Universia:
Qual o nível de evasão escolar da UCS?

Rizzon: A UCS não é uma exceção às demais universidades brasileiras e também convive com o problema da evasão. Os índices variam de curso para curso, mas o maior percentual chega a 30% e o menor a 2%. Fizemos uma pesquisa e descobrimos que os principais motivos para a desistência são: a decepção com o curso superior, mudança na vida familiar e pessoal, dificuldades de conciliar os horários disponíveis com os cursos e dificuldades financeiras.ÿ



Universia:
A USC é uma instituição comunitária e portanto, cobra mensalidade. Como combate a inadimplência?ÿ

Rizzon: Procuramos combater a inadimplência com nosso programa de bolsas de estudo. Este ano concedemos 1200 bolsas de estudo e auxílio. Além destes programas, a instituição mantém parcerias com prefeituras e empresas permitindo o acesso à universidade de pessoas que moram em outras regiões.



Universia:
Qual sua opinião sobre o Exame Nacional de Cursos (Provão)?ÿ

Rizzon: Acredito que devemos apoiar o Provão. A avaliação ajuda a instituição crescer e se desenvolver. O Provão trouxe grandes benefícios, pois as universidades procuraram se qualificar e capacitar seus professores cada vez mais. Com esta cobrança quem ganha são os alunos e professores das instituições. Acho apenas que o exame ainda pode ser aperfeiçoado.



Universia:
O que a comunidade acadêmica da UCS pode esperar do reitor Luiz Antonio Rizzon?

Rizzon: Muita dedicação, muito trabalho e muita vontade de acertar. Mas, sobre tudo, pode esperar uma pessoa aberta para dialogar, ouvir e decidir a partir dos anseios da universidade.

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