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Pesquisa da ECA analisa discurso jornalístico de sete países de língua portuguesa

      
Estudo realizado na ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP (Universidade de São Paulo) analisou o papel desempenhado pelos principais jornais de sete países de língua portuguesa, em relação ao surgimento do grupo dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Os resultados da pesquisa estão na tese de doutorado Lusofonia a sete vozes - o papel da imprensa na construção de espaços comuns, do jornalista Fernando Rui Tavares Ortet, de Cabo Verde, defendida em abril deste ano na ECA.

Para realizar sua pesquisa, Ortet viajou por Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé, Portugal e Brasil - países que compõem as duas entidades - e verificou, em arquivos, a abordagem dos noticiários e como os veículos de comunicação conduziram a opinião pública no período da constituição das duas organizações.

O PALOP foi criado, em 1979, pelos governantes de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, após a independência da África portuguesa. Seu objetivo, segundo os jornais pesquisados, é ser um espaço de cooperação político-diplomática e de solidariedade. Os resultados da cooperação entre esses países, a aproximação com Portugal e Brasil e a progressiva configuração de espaços geopolíticos mundiais desencadearam fatores favoráveis para a criação da CPLP, em 1996.

A investigação foi feita nos periódicos A Voz Di Povo e Novo Jornal (Cabo Verde), Notícias (Moçambique), Jornal de Angola (Angola), Nô Pintcha (Guiné-Bissau), Revolução e Noticias (São Tome e Príncipe), Diário de Notícias (Portugal), O Estado de S. Paulo (Brasil).

Embora as duas organizações tivessem sido criadas por vontade política dos governos e das elites dos países envolvidos, Ortet lembra que os jornais, principalmente os da África Portuguesa, abriram espaço para reflexão e para uma abordagem mais ampla. "Os textos estavam alicerçados na existência de elos históricos, culturais, econômicos e sangüíneos, que ligavam seus povos".

Mito da fraternidade
De acordo com o jornalista, "os espaços reservados para divulgação das informações não encontraram explicações plausíveis no âmbito econômico e financeiro, a partir do qual o mundo moderno é compreendido". Ao contrário, na base contextual notou-se as marcas do mito da fraternidade, da religiosidade, assim como de vínculos artísticos e culturais existentes entre os povos lusófonos. Assim, era comum encontrar títulos que reforçavam essa idéia: "Presidentes dos países irmãos encontram-se em Luanda" (Jornal de Angola 9/06/79); "A longa caminhada pela solidariedade" (Voz Di Povo 28/06/79); "Jovens da CPLP querem aprofundar laços de cooperação" (Notícias 16/07/96). "A lusofonia estudada trata do desenvolvimento de uma intrincada malha de relações entre os países que falam a língua portuguesa, que ganha maior expressividade com a ressignificação de valores simbólicos culturais, históricos e sociais, a partir da criação das duas entidades", define o jornalista.

Para o orientador da pesquisa, o professor José Coelho Sobrinho, da ECA, a importância do trabalho se deu pela avaliação que se fez dos jornais antes e depois da constituição dos PALOP e da CPLP. Na época da criação dos PALOP, os jornais tratavam a lusofonia do ponto de vista dos governantes. No processo da construção da CPLP, houve uma mudança. As matérias passavam a atender aos interesses de uma sociedade mais diversificada. A defesa contou com a presença dos professores Brazão Mazula, reitor da Universidade Eduardo Mondlane - Moçambique, Cláudio Alves Furtado, chefe do Departamento do Instituto Superior de Educação de Cabo Verde, e Tito Cardoso e Cunha, da Universidade Nova de Lisboa, Portugal.

Fonte: USP
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