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``Estamos sem freio.ïï E 20 jovens morrem

      
Um aviso: "Estamos sem freio." Segundo o estudante Wagner Waldir de Oliveira, começou assim o drama de 42 jovens de Sacramento (MG), ocupantes de um ônibus que caiu no fim da noite de quarta-feira numa ribanceira em Rifaina (SP). Vinte estudantes morreram e 23 ficaram feridos, a maioria deles em estado grave. O acidente aconteceu às 23h45 no km 459 da Rodovia Cândido Portinari.

A Polícia Rodoviária informou que o Scania de placa BWT-5902, da empresa Sacratur, ficou desgovernado, arrebentou uma defensa de concreto e despencou de uma altura de 30 metros. O motorista era o dono da Sacratur, Inácio Rosa dos Santos, de 52 anos, que teve morte instantânea. Nos últimos dez anos, houve 70 mortos em acidentes no trecho, conhecido como "curva da morte".

Oliveira disse que o veículo apresentou problemas na ida para Franca. "A roda traseira travou e o motorista soltou os freios, mas não imaginávamos que poderia piorar tanto. Na volta, quando chegou à serra, ele não disse nada e o ônibus começou a ganhar velocidade", afirmou.
"Os que estavam na frente alertaram que estávamos sem freio. Foi um silêncio total e cada um tentou se proteger como podia. Foi terrível."

Os estudantes tinham entre 20 e 25 anos e viajavam diariamente para Franca, a 110 quilômetros de Sacramento, para cursar faculdades e escolas de 2.º grau. A queda provocou a destruição total do Scania e deixou diversas vítimas mutiladas. Escalada ? Oliveira foi o primeiro a sair do que sobrou do ônibus e pedir ajuda. "Tive de agarrar no mato e me arrastar para conseguir subir o morro e chegar até a pista." Traumatizado, o rapaz disse que conversaria com a família antes de decidir retomar os estudos em Franca. "Hoje o sentimento é de que não quero mais viajar."

Prefeituras de todas as cidades da região enviaram ambulâncias para o resgate das vítimas. A maioria dos feridos precisou ser içada por cordas, em pranchas. Eles foram levados para hospitais de Pedregulho, Franca e Sacramento. A notícia do acidente espalhou-se rapidamente entre os 23 mil habitantes de Sacramento, que teve a madrugada mais triste e conturbada de sua história. O prefeito Nobuhiro Karashina (PT) decretou luto oficial por três dias. Todos os comerciantes baixaram as portas. A própria prefeitura perdeu dois funcionários, Gilmar Borges da Silva, do setor de Cadastros, e Joana D?Arc Batista Cruvinel, secretária lotada na pasta da Educação.
Emocionada, sua prima Eliana Cruvinel, de 20 anos, lembrou das outras vítimas. "Eram todos amigos, uma família." O locutor de rodeios Robson Quirino disse que nunca viu comoção tão grande na cidade. "Parou tudo. O clima não poderia ser mais triste."

O Instituto Médico-Legal (IML) de Franca liberou os corpos às 11 horas. Seis deles foram velados no ginásio poliesportivo de Sacramento. O enterro, coletivo, ocorreu às 19 horas, no cemitério municipal. Ato ecumênico ? Dos 20 mortos, 17 estudavam na Universidade de Franca (Unifran). O reitor da instituição, Abib Salim Cury, divulgou uma nota na qual lamentou o acidente.

A universidade realizará hoje atos ecumênicos, em memória dos estudantes mortos, pela manhã e à noite. De acordo com o secretário do Planejamento, Cristiano Ribeiro, cinco ônibus sãm de Sacramento todos os dias levando estudantes para Franca, Araxá e Uberaba. "Fazemos uma fiscalização periódica e dificilmente encontramos irregularidades nos veículos", assegurou.

Fonte: O Estado de São Paulo
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