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Garantir o acesso não basta

      
O negro que entrar na universidade por meio das cotas não terá facilidade no seu período acadêmico. Serão os mesmos professores e avaliações dos demais alunos. Daí deriva uma das maiores controvérsias sobre a questão das cotas: como manter o estudante negro na universidade? Basicamente, são dois os empecilhos.

Primeiro, a falta de base do estudante. Como o nível do vestibular das cotas será mais baixo, os estudantes que entrarem por ela, supostamente, não terão o mesmo conhecimento dos do exame tradicional. "O problema não é simplesmente fazer com que o negro entre na universidade, ele tem que ter condições de sair", destaca o professor Mozart Neves, reitor da Universidade Federal de Pernambuco e presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

Para Mozart, a falta de base dos estudantes pode agravar ainda mais um problema crônico das universidades: a evasão.
Em alguns cursos da área de exatas, como Física e Matemática, a evasão escolar atinge índices de até 75% em algumas federais. ??Até que as cotas atinjam os efeitos quantitativos e qualitativos que se espera delas, talvez dure o mesmo tempo que um trabalho concentrado na educação básica??, diz Mozart.

Outro problema para manter os negros na universidade é a questão financeira. Como eles representam cerca de 67% da parcela pobre da população, pressupõe-se que a maioria dos que ingressarem nas universidades pelas cotas sejam carentes. ??O maior motivo de evasão das universidades é a falta de dinheiro. O estudante larga os estudos porque precisa trabalhar??, analisa Mozart. Para manter um estudante carente num curso como Direito ou Medicina, que demanda dedicação quase que integral e livros caríssimos, deverá ser criado um sistema de bolsas que atenda a uma clientela grande.

No caso da UnB, o vicereitor, Timothy Mulholland, garante que, se a proposta for aprovada, a instituição dará um jeito de alocar dinheiro para financiar a permanência dos afro-descendentes na instituição. ??Dispomos de programas de apoio aos estudantes carentes. Se não for suficiente para atender as cotas, iremos providenciar o que falta??, garante.

Auto-estima

Nem os defensores mais contundentes das cotas acreditam que elas terão um impacto relevante em relação à maior inserção social do negro. Entretanto, a fixação dos percentuais seria estratégica para colocar mais afro-descendentes na elite pensante do país e para promover a auto-estima dos mesmos. ??? importante ter mais negros na academia debatendo as questões fundamentais do país. Ao ver um médico ou um advogado afrodescendente, o negro se sentirá mais estimulado a crescer na vida??, diz José Jorge Carvalho, do Departamento de Antropologia da UnB e autor da proposta de cotas para a UnB.

"? um passo importante no sentido de recuperar as desvantagens sociais dos negros, mas as cotas não podem ser entendidas como a única política??, afirma a professora Petronilha Beatriz, primeira representante oficial dos afrodescendentes no Conselho Nacional de Educação (CNE). ??Nosso modelo é o da exclusão, e isso é uma responsabilidade da sociedade como um todo, por isso todos temos que arcar com esse compromisso??, defende.

Fonte: Correio Braziliense
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