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Falta de verba pode levar o centro de pesquisas Iuperj a fechar suas portas

      
O discreto sobrado número 82 da Rua da Matriz, em Botafogo, não tem o traçado moderno do MAM ou a imponência do Teatro Municipal, mas guarda um diferente e não menos importante acervo cultural do Rio. Ali funciona o Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro), um ativo centro de produção de conhecimento sobre o estado e o país, criado há 33 anos, que agora está ameaçado de fechar por falta de verba. Arriscados a não mais ter acesso à principal biblioteca de sociologia e política da América Latina, com 20 mil volumes, os cariocas podem perder também alguns dos seus mais conceituados cursos de pós-graduação.

Instituto foi o primeiro a ter pósgraduação em política

Para o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos ? um dos menos de dez pesquisadores que se amontoavam numa salinha da Universidade Cândido Mendes, no Centro, onde nasceu o Iuperj, em 68 ? trata-se de uma das raras instituições de pesquisa do país que passaram da primeira para a segunda geração, já entrando na terceira, sem perder a força. - Primeiro no Brasil a oferecer pós-graduação em política, o Iuperj foi também o primeiro espaço público para se discutir o assunto em plena ditadura.

Na década de 70, já em Botafogo, toda sexta-feira havia um fórum de debates, com convidados como Fernando Henrique Cardoso e Tancredo Neves ? relembra ele. ? Duas ou três vezes fomos visitados por agentes da repressão, pois muitos de nossos alunos eram procurados. Por isto, só tínhamos o nome e as notas dos estudantes nas fichas.
Nada de telefone ou endereço. Ligado à Cândido Mendes, o instituto não cobra mensalidade, mas sofre com a crise do ensino privado no Rio: tem orçamento anual de R$ 4,5 milhões que a universidade, lutando contra o acirramento da concorrência e a inadimplência dos alunos, não está conseguindo cobrir.

No passado, contava com verbas da Fundação Ford e da Finep. Hoje, tenta cobrir as pesquisas mais custosas com financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Na última sexta-feira, em reunião com o diretor-executivo do Iuperj, Fabiano Santos, o presidente Fernando Henrique demonstrou interesse em ajudar, transferindo recursos para a instituição por intermédio do MEC. Fabiano também está fechando com a prefeitura a encomenda de um pacote de pesquisas. Hoje, o précandidato do PT à presidência manifesta seu apoio visitando a instituição.

Com salários atrasados, professores mantêm aulas

Enquanto a solução definitiva não chega, os 21 professores continuam com salários atrasados. Mas mantêm o nível das aulas assistidas por cerca de 200 alunos. Como sempre. ? O Iuperj nasceu comprometido com duas questões: a transição do autoritarismo para a democracia e a desigualdade social. Quando o Brasil se democratizou, a importância destes estudos cresceu. Nós nos aprofundamos em eleições, partidos, indicadores sociais e questões urbanas e raciais. Massificamos a pós-graduação no estado e formamos quadros para concorrentes como a PUC, a UFF e a Fiocruz ? conta o ex-diretor Luiz Werneck Viana, aluno da primeira turma de mestrado.

? As mudanças da sociedade se refletem na instituição. Se no início os estudantes eram geralmente da elite, hoje temos um alunado diversificado. Filho de Wanderley, Fabiano dos Santos se empenha em manter viva a instituição: ? Transferir recursos para o Iuperj é investir no futuro. O instituto está com uma nova geração, cheia de gás.

Fonte: O Globo
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