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Questão de Honra

      
Após quatro séculos de escravidão e mais de cem anos de exclusão social, a sociedade brasileira resolveu se mobilizar para encontrar maneiras de reduzir o abismo existente entre as condições de vida dos brancos e dos negros no Brasil. Uma das propostas que mais tem ganhado força e está bem próxima de se tornar realidade é a fixação de cotas para os negros nas universidades públicas. Na Universidade de Brasília, o sistema de cotas poderá ser implantado já no segundo vestibular de 2002, caso a proposta seja aprovada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) no próximo semestre.

A resolução prevê que 20% das vagas de todos os cursos sejam destinadas a negros ou pardos durante um período mínimo de dez anos. Hoje, o percentual de negros na UnB é de cerca de 5% dos mais de 20 mil alunos. No Congresso Nacional tramitam dois projetos de lei que tratam do assunto. Um deles, de autoria do senador José Sarney (PMDB/AP), prevê, entre outras medidas, a fixação de cotas de 20% tanto nas universidades públicas como privadas, além do programa de financiamento estudantil do governo. Tudo isso por um período de 50 anos.

A proposta foi aprovada no último mês pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e tramita na Câmara dos Deputados. O projeto de lei de Sarney poderá ser incorporado a uma proposta mais abrangente sobre a questão do negro no Brasil, o Estatuto da Igualdade Racial. O autor, deputado Paulo Paim (PT/RS), acredita que o projeto do Senado não deverá sofrer grandes alterações. Segundo ele, a questão das cotas nas universidades privadas deve ser mais bem estudada.

Além disso, para Paim, o período de vigência das cotas não deve ultrapassar os 20 anos. ??A cota é um meio, não um fim, para contribuir com a igualdade racial. Por isso, não pode vigorar por muito tempo, até para que o sistema possa ser avaliado e aprimorado??, diz. O Estatuto da Igualdade Racial deve ser votado numa comissão especial da Câmara ainda este mês.


Como vai funcionar

No caso da UnB, quem quiser ser beneficiado pelas cotas terá que se identificar como negro ou pardo no momento da inscrição para o vestibular. O exame terá notas de corte mais baixas, mas, se não houver negros com notas mínimas suficiente para preencher os 20% das cotas, o restante das vagas será distribuído entre os candidatos do vestibular comum. Além disso, as provas de Redação e habilidades específicas continuarão sendo eliminatórias.

O QUE ELES PENSAM

"Sou favorável às cotas, mas não para todos os negros. Os negros ricos não precisam. As vagas devem ser reservadas para pessoas de baixa renda, inclusive os brancos. Também deve-se criar um programa maior de bolsas para dar condições para eles estudarem".

Luciana Lopes de Oliveira, 20, moradora do Lago Sul, estuda no Galois e vai tentar Enfermagem na UnB ??A princípio fui contra a lei das cotas. Eu achava um absurdo ter que se criar uma lei para garantir um direito que já existe. Mas qualquer passo em direção à pluralidade é positivo. A sociedade brasileira deve aos negros muito mais do que esses 20%, e essa responsabilidade pela exclusão social é de todos. O momento é muito bom para essa discussão e eu só espero que essa lei não se arraste??

Zezé Motta, atriz ??O problema da educação no Brasil não é uma questão de raça, e sim financeira. Eu também temo que as pessoas se acomodem ao verem que têm a facilidade das cotas. Eu sempre estudei em escola pública e vou lutar muito para passar no vestibular. Para mim, o problema maior está na educação básica??

?rica Simone Carvalho, 30, telefonista, moradora de Santa Maria, aluna do Estudantes da UnB, vai tentar Biblioteconomia na UnB ??Não vejo essa lei como racismo. Para mim, ela vai fazer com que os negros se assumam como negros e vai facilitar para que tenhamos nossos representantes entre os médicos, advogados, juízes, ministros...desse país. Com certeza, vai mexer com a auto-estima dos negros. Mas é só um primeiro passo??

Alexandre Silva, o "X", exvocalista da banda Câmbio Negro

Fonte: Correio Braziliense
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