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Apenas 2% dos estudantes universitários no Brasil são negros

      
Brasília (Jonas Valente) -- No Brasil, de acordo com dados do IBGE, pretos e pardos formam 45% da população e brancos 53%. No entanto, 97% dos alunos do ensino superior no País são brancos e apenas 2% são pretos e pardos.

Quando se trata de docentes, o índice de brancos chega a 98%. Um exemplo da disparidade entre professores negros e brancos vem da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) da USP (Universidade de São Paulo). De acordo com o ex-diretor da FFLCH, João Batista Pereira, de um total de 540 professores na faculdade apenas 1 é negro, "e mesmo assim é do Zaire e graduou-se fora do país", disse João.

Segundo Roberto Martins, presidente do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), esta exclusão tem gênese histórica e social. Martins, em palestra à comunidade acadêmica da UnB (Universidade de Brasília), no dia 8 de março, afirmou que o racismo era "amplo e disseminado" no Brasil imperial. Ele afirmou também que, logo após a abolição da escravatura, o governo não adotou políticas de inclusão para os pretos e pardos, "fez exatamente o contrário". "Imigrantes europeus foram trazidos aos montes e protagonizaram uma política de branqueamento do país", disse.

Para Rita Laura Segatto, professora do departamento de Antropologia da UnB e autora do projeto de cotas para a instituição, "nunca houve um projeto para resolver a questão do negro sendo debatido nas universidades". A professora afirmou também que a "atual composição racial da nossa comunidade universitária é um reflexo apto da história do País após a abolição".

A falta de negros no ensino superior perpetua a exclusão, na opinião do vice-presidente da União Nacional dos Estudantes, Ademário Costa. "Este segmento social já enfrenta desde a infância dificuldades de acesso a todos os níveis de ensino. Como conseqüência, os negros não entram na universidade e têm problemas para se inserir no mercado de trabalho", afirmou Costa. "O fenômeno prejudica a produção acadêmica e intelectual sobre a história do País da perspectiva da desigualdade racial", completou o vice-presidente.

Fonte: Agência PontoEdu
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