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Ensino de tradição sofre com a inadimplência

      
A perda repentina de centenas de alunos para faculdades recém-inauguradas e o aumento da inadimplência dos estudantes, que varia entre 25% e 30% ao mês, são as principais causas da crise enfrentada por várias instituições particulares de ensino superior do Rio.

O problema, que se agravou nos últimos dois anos, já atinge universidades tradicionais como a Santa érsula e a centenária Candido Mendes. Por conta dos problemas financeiros, as instituições têm atrasado o pagamento de professores e funcionários e, em alguns casos, deixam até de investir em pesquisas e instalações.

Confederação de trabalhadores quer CPI

O presidente do Sindicato dos Professores Particulares do Rio (Sindpro-Rio), Francílio Pãs Leme, não crê que a inadimplência chegue a desestabilizar o caixa das instituições: - O problema é que muitas universidades só se preocupam em ter lucro. Em Brasília, uma comissão da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino está elaborando um dossiê com informações sobre as atividades de várias faculdades do país. O assunto, que será discutido numa audiência pública no Conselho Nacional de Educação, poderá ser levado ao Congresso Nacional, juntamente com o pedido de abertura de uma CPI do ensino superior. Na Candido Mendes, a crise financeira também tem deixado os funcionários sem dinheiro. Segundo um professor, que não quis se identificar, o 13 não foi liberado, o fundo de garantia não é depositado e os salários são pagos em parcelas. - A concorrência selvagem imposta por algumas redes de ensino afetou as universidades tradicionais. E a Candido errou a copiar o modelo, abrindo novas unidades no interior.

A inadimplência é outro agravante da crise, que tem deixado os profissionais acuados - diz o professor. Em nota, a Candido Mendes confirmou os problemas e apontou como a principal causa a inadimplência, acrescentando que ela é agravada pela crescente falta de recursos da classe média. Os problemas financeiros também afetam o Centro Universitário Augusto Motta, antiga Suam.

Com o salário deste mês atrasado, os professores fazem uma assembléia amanhã, convocada pelo Sindpro-Rio, que poderá resultar num indicativo de greve: - Em fevereiro, depois de uma semana de greve, a instituição se comprometeu a pagar em cinco vezes o 13 e as férias dos funcionários. Apesar de o escalonamento estar em dia, este mês só pagaram metade dos salários. Eles alegam que há inadimplência de 30% - diz o professor Marcio Franco, membro do conselho diretor da Associação de Docentes da Augusto Motta.

Procurada pelo GLOBO, a reitoria da universidade não comentou o assunto. A proliferação de instituições privadas é, na opinião do pesquisador Paulo Roberto Corbucci, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), a principal causa da crise no setor. Ele avaliou o mercado, baseado no censo de ensino superior de 1999, e descobriu que 21% das vagas ofertadas pela rede privada não haviam sido ocupadas: -- Algumas universidades investiram em áreas saturadas e não tiveram retorno.

O diretor executivo do Ibmec Business School, Antônio de Araújo Freitas, que também faz a avaliação de faculdades para o MEC, concorda com o pesquisador, acrescentando que as faculdades deveriam apostar em cursos rápidos e voltados para o mercado de trabalho para superar a crise. A alternativa foi adotada pela Universidade Gama Filho, que chegou a perder metade de seus 24 mil alunos e agora começa a se recuperar da crise.

Santa érsula perdeu mais de dez mil alunos
Com 3.500 alunos atualmente, a Santa érsula já contou com 14 mil estudantes no campus de Botafogo. Hoje, a instituição luta para chegar a sete mil matrículas e tem dívidas com professores. Sem receber os salários integralmente desde 2000, o professor de arquitetura William Bittar decidiu se afastar da universidade em março, mas acredita que a crise é passageira: - O problema é que a universidade não dá satisfações sobre quando pagará a dívida. Já perdi a noção de quanto me devem. Chega a R$ 20 mil.

Fonte: O Globo
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