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Curso da PUC Minas é o primeiro do País a discutir a ética da vida diante das novas biotecnologias

      
Até onde a história de Léo, o clone de Lucas, poderia ser real? A onde podemos chegar com a clonagem humana? A novela global que trouxe questões tecnológicas para o imaginário popular envolve, na vida real, discussões muito mais complexas no campo da Bioética. Mas afinal, o que é também Bioética?

Em sala de aula, um grupo de alunos tem dedicado as tardes de sábado aos debates do programa do curso de extensão em "Bioética e suas Implicações Jurídicas", oferecido pelo Instituto de Educação Continuada (IEC) da PUC Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais). "A Bioética é a ética da vida, ela discute as implicações das novas biotecnologias na nossa vida, seus efeitos benéficos e maléficos, visando elaborar um conceito ético em vários campos", definem os coordenadores do curso, Ana Paula Pacheco Clemente, bióloga e professora do Núcleo de Práticas Jurídicas da PUC Minas, e José Roberto Moreira Filho, advogado e também professor da PUC Minas.

A bioética, explicam, envolve toda a biotecnologia que não tem ainda uma legislação específica a respeito, a exemplo de transplantes de órgãos, reprodução assistida, engenharia genética, clonagem, projeto genoma, transgênicos e tanatologia. "Ela não é uma ciência exata, mas sim um debate amplo sobre temas novos em discussão, para pesar pontos de vista. Não é uma área de conhecimento impositiva de conduta, é reflexiva, busca, com base no senso comum, se pautar pela ética", explica José Roberto.

Por provocar o debate, explica o advogado, a bioética é uma discussão evolutiva e dinâmica. Um dos objetivos principais do curso do IEC, que é o primeiro de extensão lançado no Brasil, é justamente formar alunos críticos, que possam formar suas convicções sobre temáticas de ponta.

Fantasia e realidade

Se a novela "O Clone" tem o mérito de colocar a discussão em torno de novas tecnologias, por outro lado prejudica a compreensão da população por não ter enfoque científico. Para os coordenadores do curso do IEC, há uma massificação do tema sem que nada de real sobre a clonagem seja divulgado. O clone Léo, anos depois, vem a ser a mesma pessoa que Lucas, sofrendo emocionalmente e psicologicamente como ele, tendo as mesmas lembranças de Lucas. "Como se o ser humano não sofresse a influência do meio. Nem os gêmeos são iguais assim", destaca Ana Paula.
Na vida real, lembram os professores, a legislação brasileira hoje proíbe a manipulação de células germinativas, ou seja, clonagem aqui é crime pela Lei de Biosegurança 8974/95.

Programa é multidisciplinar

O curso de extensão em "Bioética e Suas Implicações Jurídicas" do IEC tem carga horária de 30 horas aula. O programa em desenvolvimento contempla sete temas: Bioética na reprodução assistida; Ética filosófica à Bioética; Bioética na pesquisa em seres humanos e patentes em biotecnologia; Bioética no projeto genoma e transgênicos; Vídeo Bioética; Responsabilidade Civil dos Profissionais de Saúde; Tanatologia.

A bióloga Ana Paula Clemente frisa que o programa se volta sobretudo para questões sociais de peso para a América Latina e para o Brasil, que têm influência sobre a qualidade de vida em seus vários aspectos. Entre elas estao a relação médico-paciente, a alocação de recursos para a área de saúde e a humanização dos CTIs.

O próximo passo do IEC, adianta ela, é lançar um programa de especialização em bioética, que será o terceiro do Brasil. As discussões sobre bioética envolvem sempre equipes multidisciplinares, tendo entre seus alunos profissionais ou estudantes de Serviço Social, Psicologia, Direito, Biologia, Medicina, Enfermagem, entre outros. Ainda no 3º período do curso de Direito da PUC Minas, o estudante Alessandro Gonçalvez viu no curso de extensão em Bioética um diferencial para sua formação. "A visão multidisciplinar do programa pesou na minha escolha".

Alessandro tem interesse especial pela discussão sobre a reprodução assistida e implicações como o direito do embrião e do nasciturno. "São temas que há dez anos eram impensáveis de discussão mas que hoje têm grande impacto".
A psicóloga Tânia Mara Ferreira Martins, que trabalha com consultoria, lidando com aspectos psicológicos da infertilidade em palestras e apoio a casais, buscou aprofundamento na extensão e já decidiu fazer pós-graduação em bioética.

"Muitas vezes os casais são lesados nas clínicas, desconhecem seus direitos e deveres e não têm seus limites respeitados", diz Tânia. Ela própria já se submeteu a seis fertilizações intra-uterinas e hoje questiona os rumos dado pelos médicos ao seu tratamento. "Trabalho com indivíduos e casais abordando o que há de real e irreal na questão da infertilidade".

Fonte: PUC Minas
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