text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

Professores levam calote em concurso

      
Depois do duplo vexame, o calote. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, que aplicou as provas dos dois concursos anulados para professor da Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal (GDF), anunciou ontem que só devolverá a taxa de inscrição aos candidatos se a Justiça assim o determinar.

Ou seja, quem quiser o dinheiro de volta terá que buscá-lo por meio de ações judiciais. A FGV arrecadou R$ 947.072 com o pagamento da taxa, que variou entre 25 e 27 reais. No total, 39.616 pessoas disputaram 2.982 vagas para os cargos de nível 1, 2 e 3 (ensinos fundamental e médio) da Secretaria de Educação.

Irregularidades ocorridas durante o exame, como a quebra de sigilo das provas, levaram à Secretaria de Gestão Administrativa (SGA), que contratou a FGV por meio de licitação, a anular o concurso por duas vezes consecutivas. A primeira seleção, realizada em 6 de janeiro, foi completamente invalidada cinco dias depois. No dia 3 de março, os quase 40 mil candidatos enfrentaram uma segunda seleção.

Dessa vez, num primeiro momento, a SGA anulou parte dos exames - dos níveis 1 e 2. A decisão de invalidar os testes para o nível 3 e, por conseguinte, de todo o concurso, só saiu em 10 de maio.

Desrespeito
Por meio de uma nota à imprensa, a FGV reconheceu os problemas ocorridos em janeiro. A instituição sustenta, no entanto, que não há qualquer motivo para anular as provas dos níveis 2 e 3 da segunda seleção, aplicada em março. Na avaliação da FGV, ''os resultados (do concurso) se encontram aptos a serem homologados''. A Fundação, no entanto, admitiu falhas nos exames do nível 1. E sugere a realização de uma terceira seleção apenas para os candidatos desse grupo. Procurada pelo Correio, a secretária de Gestão Administrativa, Maria Cecília Landim, se recusou a falar sobre a questão.

Há 11 dias, a secretária disse que anulou todo o concurso com base em parecer da Procuradoria Geral do DF e de uma recomendação do Ministério Público do DF e dos Territórios (MPDFT).

Na ocasião, ela repassou à FGV a responsabilidade pela devolução da taxa de inscrição aos candidatos. E anunciou o cancelamento do contrato de prestação de serviço com a instituição. Ainda na nota enviada à imprensa, a FGV promete recorrer a medidas judiciais para validar o concurso anulado pela Secretaria e se eximiu de culpa pelos problemas ocorridos durante as provas. A decisão da Fundação de só devolver a taxa por força da Justiça revoltou os candidatos. ''? uma coisa absurda. Uma falta de respeito'', reagiu o professor Jacques Jesus, 24 anos, que concorreu a uma vaga em psicologia. O candidato disse que vai procurar advogados para entrar com uma ação na Justiça. ''A devolução é um direito nosso'', comentou.

ENTENDA O CASO
No dia 6 de janeiro, quase 40 mil candidatos fizeram as provas do primeiro concurso em diversas cidades do Distrito Federal. Candidatos denunciaram que 20 questões de uma das provas foram repetidas em turnos diferentes. Pela manhã, 35 mil professores disputaram vagas para o ensino fundamental. · tarde, outros cinco mil docentes fizeram provas para o ensino médio. Somente dois dias depois, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) reconheceu os problemas. A FGV e a Secretaria de Gestão Administrativa (SGA) decidiram anular o concurso. Uma nova seleção foi marcada para 3 de março. Novas irregularidades foram apontadas pelos candidatos. Entre as quais, troca de testes e listas de candidatos incompletas.

Em 4 de março, a Secretaria de Gestão Administrativa decidiu anular as provas para os níveis 1 e 2. E ficou de analisar os problemas ocorridos nos exames de nível 3. Dois meses depois, a SGA anunciou o cancelamento também das provas do nível 3, com base em recomendações do Ministério Público do DF e da Procuradoria Geral do DF. Um terceiro concurso foi anunciado para o segundo semestre, em data a ser marcada, e realizado por outra instituição. A SGA cancelou o contrato com a FGV e deixou nas mãos da instituição a tarefa de devolver o valor das inscrições.

Ontem, a FGV anunciou que a anulação das provas de nível 2 e 3 foi desnecessária. Mas admitiu os problemas com os exames do nível 1. E se comprometeu a fazer um terceiro concurso, se a SGA concordar. A Fundação deixou claro, ainda, que só devolverá o dinheiro da taxa se assim a Justiça determinar.

SINPRO VAI AO PROCON
O Sindicato dos Professores do DF (Sinpro) colocou seu departamento jurídico à disposição dos candidatos do concurso da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O sindicato vai recorrer aos órgãos de defesa do consumidor para reaver o valor da taxa de inscrição. Diretores do Sinpro têm uma reunião hoje com representantes da FGV para discutir sobre o exame de seleção. O encontro será às 10h na sede do sindicato, no Setor Comercial Sul. ''Esperamos que a Fundação tenha uma boa justificativa para nos dar. E que não seja preciso ir à Justiça'', comentou Antônio Lisboa, diretor jurídico do sindicato.

Fonte:Correio Braziliense
  • Fonte:

Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.