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Luis Carlos Lucas é o novo presidente do Andes

      
Mais de 20 mil professores universitários compareceram às urnas para escolher a nova diretoria do Andes (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior). O professor da Faculdade de Sociologia e Política da UFPEL (Universidade Federal de Pelotas), Luis Carlos Lucas, eleito presidente da entidade com 58,32% dos votos, tomará posse no próximo dia 21 de junho e comandará o sindicato no biênio 2002/2004.

Em entrevista ao Universia, Luis Carlos Lucas destacou os principais projetos de sua gestão, disse que a principal dificuldade enfrentada pela categoria são os baixos salários e afirmou que o governo não cumpriu as promessas que fez ao negociar o fim da longa greve das universidades federais no ano passado. "Lutaremos pelo cumprimento do acordo e não descartamos a hipótese de paralisação, caso as negociações não avancem", diz Lucas.

Confira os principais trechos da entrevista:




Universia: Quais os principais projetos e reivindicações que serão realizados durante sua gestão?

Luis Carlos Lucas: A nossa principal luta agora é pela recomposição do quadro de docentes e dos salários, pela defesa dos direitos de aposentadoria e pela reivindicação de um financiamento adequado para a Educação. Pretendemos também conseguir mais incentivos e investimentos para os Hospitais Universitários que, nesse momento, estão em estado de colapso pela falta de recursos e de pessoal. Precisamos também impedir o pacote anti-greve e a flexibilização da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), propostos pelo atual governo. Outro ponto muito importante é conseguir a democracia na gestão das IES, principalmente com relação à escolha de dirigentes pela comunidade universitária, sem interferências externas. Buscaremos também a ampliação das verbas orçamentárias para os órgãos de fomento à pesquisa, desvinculando-a das exigências de mercado. Lutamos ainda pela remoção de todos os obstáculos que impeçam o exercício pleno da autonomia universitária e queremos que ensino, pesquisa e extensão sejam indissociáveis.




Universia: Quais as principais dificuldades enfrentadas pelos docentes?

Luis Carlos Lucas: A remuneração. Lutamos por uma melhoria nos salários e por uma isonomia de todas as classes de professores. Há, por exemplo, discriminação salarial com relação aos aposentados. Lutamos por interesses conjuntos de todos os docentes, do ensino fundamental ao superior. Com a greve do ano passado nas universidades federais, já conseguimos aproximar o valor das gratificações para professores dos ensinos Fundamental e Básico (GID - Gratificação de Incentivo à Docência) e superior (GED - Gratificação de Estímulo à Docência), mas ainda continuaremos lutando para igualar estes valores. Esperamos, o mais rápido possível, a regularização da GID, reparando assim uma injustiça que perdura desde 1998, quando os docentes da carreira de 1o e 2o graus foram discriminados com relação à gratificação.




Universia: Que balanço pode ser feito com relação à greve das federais ocorrida no ano passado?

Luis Carlos Lucas: O balanço é positivo, pois conseguimos uma grande vitória: impedir a aplicação da CLT no regime de trabalho dos professores das instituições públicas. Se isso acontecesse, fatalmente abriria uma grande porta para a privatização das universidades federais. Isso foi ótimo, mas muitas promessas do governo não foram cumpridas. Entre elas, o compromisso de reajuste salarial e de abertura de novos concursos para recompor o quadro de docentes. Duas questões gravíssimas, que estão gerando uma grave crise nas IES públicas. Estamos voltando a cobrar o cumprimento dessas promessas e, caso as negociações não sejam suficientes, não está descartada a hipótese de mais paralisações.




Universia: Como está o mercado de trabalho para os professores de ensino superior?

Luis Carlos Lucas: O mercado de trabalho dos docentes está muito ruim, mas não está pior do que para todos os outros brasileiros. O que podemos perceber é que aumentou a "informalidade". ? muito comum ver professores trabalhando sem regulamentação, recebendo por recibo e nota fiscal. Este quadro é preocupante principalmente nas IES particulares.




Universia: Qual a sua opinião a respeito da qualidade dos docentes de ensino superior atualmente?

Luis Carlos Lucas: A qualidade dos docentes das universidades federais e nas particulares de renome tem melhorado e atualmente está em um nível muito bom. Além disso, o padrão dos professores nestas instituições está mais homogeneizado. O problema está nas faculdades particulares que se espalham pelo país sem oferecer estrutura e com péssima qualidade de ensino. Nelas, os professores são pouco qualificados. O maior problema está nas que sequer são regulamentadas pelo MEC (Ministério da Educação). No entanto, várias instituições reconhecidas pelo Ministério também enfrentam esta dificuldade por que não há interesse político de se ter uma fiscalização eficiente que garanta a qualidade dos cursos ministrados.




Universia: Você acha que o Provão é uma forma de avaliar a qualidade das IES e seus cursos?

Luis Carlos Lucas: O sindicato é totalmente contra o Provão. Seu resultado não é verdadeiro. Ele não leva em conta, por exemplo, as diferenças regionais existentes entre as faculdades do país. Na minha opinião, o Exame Nacional de Cursos é apenas político, feito apenas para o Ministério da Educação aparecer. Daqui a algum tempo, desse jeito, vão começar a existir cursinhos para o Provão. Nós apoiamos a luta dos estudantes contra este exame e estamos dispostos a ajudar no que for preciso.

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