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Atrás dos livros, atrás das grades

      
Toni Carlos de Araújo, 29, e Hélio Veneroso, 40, são colegas de escola. Ambos estudam para o próximo vestibular. Toni vai prestar concurso para Pedagogia, e Hélio para Direito. Os dois são alunos aplicados. Tanto que ajudam os demais colegas com aulas de reforço. Toni é monitor de História. Hélio, de Geografia. Tempo não falta para eles estudarem. A escola em que estão matriculados fica no Centro Integrado de Reeducação (CIR), a Papuda, presídio de segurança máxima de Brasília.

Toni cumpre pena de 15 anos por uma série de assaltos à mão armada. Hélio foi enquadrado por tráfico de entorpecentes e receptação de objetos roubados. Cumpre pena de 12 anos. Os dois optaram pelos estudos como forma de ''ocupar a cabeça''. Também foi a maneira de começarem a construir um novo caminho para suas vidas, mesmo ainda dentro do presídio. Eles freqüentam a ala educacional da Papuda, onde, além das salas, existem uma biblioteca razoavelmente equipada, um estúdio para aulas e ensaios de música, sala de informática e de artes plásticas e cênicas. ''O preso que vem para cá se sente bem.

Aqui não tem confusão'', diz Toni. Para Hélio, o contato com os estudos, livros e jornais o torna mais cidadão. Toni, ex-morador da Ceilândia, tinha o nível primário quando chegou à Papuda. Tem de concluir três disciplinas para finalizar o ensino médio. Seu sonho, além de sair da cadeia, é ser professor. ''Tô fora do crime''. Hélio já havia passado para o vestibular em Pedagogia, mas teve de desistir do curso porque não ganhou o benefício de prisão semi-aberta - quando os presos só precisam dormir no presídio - para ir à universidade.

Agora, segundo ele, falta menos de um ano para conquistar o direito. Hélio quer ser advogado criminalista e garante que entende de Direito muito mais do que a maioria dos futuros colegas de mercado.

Ajuda

Toni e Hélio pretendem se beneficiar de um acordo entre a Fundação de Amparo ao Preso Trabalhador (Funap) e a Universidade Católica de Brasília (UCB). Desde 1996, a entidade concede bolsas integrais aos presos que conseguirem passar no vestibular. Além disso, a Católica segura a vaga dos detentos por até dois anos. Com isso, podem garantir seus estudos até conseguirem ser transferidos para o Núcleo de Prisão Semi-Aberta.

O acordo entre a Funap e a Católica já ajudou 85 presos a terem uma real perspectiva de mudança de vida. Cerca de 110 bolsas foram concedidas e, atualmente, existem 60 condenados nas salas da universidade. Para o próximo vestibular, estão inscritos 144 presos para a primeira fase e 62 para a segunda. A Católica aplica as provas nos próprios presídios.

Incentivo

Segundo a Funap, o número de presos que procuram os estudos tem aumentado muito. Boa parte deles está atrás de um benefício que começou a vigorar desde abril: quem estuda pode ter a pena diminuída. A medida foi uma decisão do juiz da Vara de Execuções Criminais do Tribunal de Justiça do DF, Eduardo Henrique Rosas. ''? uma maneira de incentivá-los a voltar aos estudos, de criar oportunidades para eles mudarem de vida'', diz. Para Rosas, os estudos podem minimizar o preconceito que os detentos costumam sofrer depois que são libertados.

''Eles podem sair do presídio com condições de trabalho que não tinham antes'', diz. O juiz acredita que muitos presos, agora, vão procurar os estudos apenas para reduzir a pena. Mas ele não se importa. ''Ele vai estudar para ter o benefício de curto prazo, que é a remissão (diminuição) da pena. Ele pode nem perceber que está investindo nele mesmo, podendo ter um benefício a longo prazo, que é a possibilidade de emprego.''

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Fonte: Correio Braziliense
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