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Notícias

Fora da realidade

      
O número de cursos de nível superior na área de comunicação, que inclui jornalismo, publicidade, relações públicas e marketing, cresceu de quatro para 14 desde 1998. Este crescimento não representa a realidade do mercado de trabalho. Segundo sindicalistas, professores e empresários, o mercado baiano absorverá apenas uma pequena parcela do total de cerca de 600 comunicólogos diplomados anualmente, frustrando a expectativa da maioria dos futuros profissionais.

Mesmo assim, os novos profissionais de comunicação devem ser criativos para buscar oportunidades no mercado, aproveitando o uso das novas tecnologias, ressalta o diretor da Faculdade de Comunicação da Ufba, Albino Rubim. No currículo da instituição, já foi inserida disciplina que trata do jornalismo on-line. A comunicação empresarial, as organizações não-governamentais (ONGs) e as novas mídias são alternativas apontadas para quem quiser ingressar neste mercado concorrido.

Novos cursos de comunicação desafiam o mercado

Profissionais da área alertam para o aumento indiscriminado da oferta de mão-de-obra especializada Representantes do setor de comunicação do estado estão literalmente pasmos com o aumento expressivo na quantidade de cursos de graduação na área implantados na Bahia nos últimos anos. De 98 para cá, com a expansão do ensino universitário, esse número praticamente quadruplicou, saltando de quatro para, aproximadamente, 14. O principal problema, segundo sindicalistas, professores e empresários, é que o mercado baiano absorverá apenas uma pequena parcela do total de cerca de 600 comunicólogos diplomados anualmente, frustrando a expectativa da maioria dos futuros profissionais. Para se ter uma idéia do quadro, só de jornalismo estão sendo oferecidos, pelo menos, sete cursos, 90% na capital.

Antes, só a Universidade Federal da Bahia (Ufba) formava jornalistas, 50 anualmente. Agora, aproximadamente, 300 novos profissionais serão lançados a cada ano no mercado. A presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado da Bahia (Sinjorba), Heloisa Sampaio, se diz perplexa com a situação. "? uma completa falta de responsabilidade desses empresários, que estão visando lucrar com o ensino sem se preocupar com o futuro desses alunos. Não sei se o mercado absorverá 10% dos novos jornalistas, pois as empresas já estão com seus quadros completos e não há perspectivas de expansão do setor na Bahia", lamenta.

Sampaio ilustra a situação lembrando o quase encerramento das atividades da Gazeta da Bahia, há poucos meses, desempregando mais de 80% do pessoal, inclusive tarimbados jornalistas baianos. "Estamos num momento recessivo. O empresariado não está investindo. Além das emissoras de TV, temos apenas três jornais, dois consolidados - Correio da Bahia e A Tarde - e um tentando se manter - a Tribuna da Bahia", disse. A sindicalista frisa que, por outro lado, essa leva de novos jornalistas também é ruim para quem já está na ativa.

"Com a concorrência, a tendência é a queda nos salários, já muito baixos", prevê. A presidente do Sinjorba informa que o piso dos jornalistas no estado varia, conforme o veículo de comunicação, de R$576 a R$1.256. Já a remuneração mensal máxima no interior é de R$700, diz, acrescentando que as cidades de maior porte, como Itabuna, têm, em média, dois jornais.

Publicidade - Na área de publicidade, embora não haja risco de uma baixa na remuneração, já que os salários atendem a uma tabela do setor, o problema continua sendo espaço para atuação desses cerca de 300 novos profissionais que sairão das faculdades a cada ano. Um número cinco vezes maior do que os 60 que eram diplomados anualmente pela Universidade Católica do Salvador. Hoje, além de uma maior oferta do curso de Publicidade, as faculdades particulares recém-implantadas disponibilizam ainda outras graduações da mesma família, a exemplo do curso de marketing oferecido pela Polifucs. Na prática, esses jovens estarão disputando as mesmas vagas de trabalho.

"Não há perspectivas de ampliação de emprego nas agências. A única forma de o mercado absorver os novos profissionais seria através de uma mudança de mentalidade do empresariado, que deveria contratar pessoas especializadas para seus setores de marketing", ressalta o presidente do Sindicato das Agências de Propaganda do Estado da Bahia (Sindapro), Renato Tourinho. Também diretor da agência Pejota, o executivo esclarece que já há um certo movimento nesse sentido.

O Iguatemi e o Bom-preço são alguns exemplos. Segundo ele, seria não só uma saída, como representaria ganho para todos os envolvidos numa campanha publicitária. "Facilitaria muito a interface entre a agência e a empresa, otimizando os resultados. Na maioria das organizações, quem lida diretamente com a agência é uma pessoa que não entende como a coisa funciona, prejudicando a realização de uma boa campanha de comunicação", explica. Mesmo assim, ele acredita que, no máximo, cerca de 50% dos diplomados anualmente ingressariam no mercado, incluindo os que montariam a própria agência. A estimativa é de que existam na Bahia cerca de 180 agências ativas, sendo 70% de pequeno e médio portes e apenas 30% formada de grandes empresas. Somente 52 são filiadas ao sindicato, o que impossibilita maior precisão dos dados.

Tourinho ressalta que a falta de empregos tem levado os novos publicitários a se unirem em grupos para fundar empresas. "O número de agências cresceu em torno de 15% de 2000 para 2001. Como é um alto investimento, esses jovens fazem parcerias e montam empresas enxutas, onde eles mesmos fazem do atendimento até a criação", conta. Um publicitário em início de carreira ganha de R$600 a R$1,5 mil, a depender da função de que exerce numa agência.

Relações Públicas

- No caso dos cursos de relações públicas (RRPP), o quadro é ainda pior. Isso porque esses profissionais, embora exerçam uma atividade importantíssima para as organizações do ponto de vista estratégico, não contam com o reconhecimento do empresariado, tendo de mostrar a necessidade do seu trabalho para as organizações. "Cheguei a trabalhar de graça para provar como um profissional da área pode ser útil para uma empresa. O cenário já melhorou um pouco, mas ainda é muito problemático", relata Carla Melo, assessora corporativa de comunicação da diretoria de Manganês da Vale do Rio Doce. Para completar, a área ainda é muito "invadida" por profissionais com outras formações, justamente devido à confusão sobre o papel do RRPP.

· frente da comissão de instalação do conselho regional de RRPP do estado, Melo diz que há cerca de mil baianos formados na área. A remuneração, segundo ela, vai de R$500 para um recém-formado até R$1,2 mil para um profissional que trabalha em assessoria de comunicação, um setor que tem absorvido o relações-públicas, podendo chegar a R$3 mil a R$5 mil, caso de um RRPP de uma grande organização. Professores questionam formação Além da preocupação com a falta de vagas no mercado de trabalho, os representantes da área estão receosos ainda quanto à qualidade da formação dos futuros comunicólogos.

Há uma apreensão de que parte das novas faculdades implantadas sejam caça-níqueis, resultando em ensino duvidoso. O tema foi destaque do II Painel de Comunicação e Mercado, promovido pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em dezembro passado. A atividade, coordenada pelo professor de comunicação da instituição, Suênio Lucena, serviu para esquentar o debate em torno da questão. Ele próprio prevê uma quebradeira dos cursos daqui a cerca de dois anos, "quando o mercado tiver saturado e houver queda nos salários, diminuindo a demanda pela graduação em comunicação".

Fonte: Correio da Bahia
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