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Poupança forçada pela concorrência

      
Erik Felipe Vilas Boas ainda não completou 2 anos, mas o custeio das mensalidades de seu curso superior está sendo garantido desde que ele nasceu. O pai, o securitário Gilson Machado Vilas Boas, de 36 anos, paga 50 reais mensais de um plano de previdência com esse fim e estendeu o benefício ao filho mais velho, Rafãl, 8. "Hoje tenho condições de arcar com essa despesa. Mas e amanhã? Não sabemos o que o futuro nos reserva", pondera Vilas Boas, ex-professor de educação física.

Essa é uma tendência que está atraindo cada vez mais adeptos, diante da concorrência acirrada pelas poucas vagas oferecidas no ensino superior pela rede pública. A Tabulação Avançada do Censo Demográfico 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que apenas 29,1% dos alunos de graduação estão matriculados na rede pública. Dados do Ministério da Educação (MEC) revelam crescimento de 62% no número de estudantes do ensino superior, mas essa expansão deve ser creditada quase que exclusivamente às instituições privadas.

A Universidade Federal de Goiás (UFG), por exemplo, aumentou em apenas 4,94% a oferta de vagas nos últimos cinco anos (veja quadro). Desde o ano passado oferece as mesmas 3.035 vagas, que no último vestibular foram disputadas por cerca de 24,5 mil candidatos. Em função disso, cresce o número de estudantes atrás de programas de financiamento de cursos, como o Bolsa Universitária (veja reportagem ao lado).

Vestibular

Em um balanço recente da evolução do ensino superior, o ministro da Educação Paulo Renato Souza reconheceu que a participação das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) na oferta de vagas na graduação é minoritária. "Mas as federais não ficaram paradas. Tiveram ganhos de eficiência. E as particulares cresceram no interior do País", ressalva. Para o ministro, houve avanço considerável nessa área a partir de 1995.

"Era um sistema submetido a regras de expansão que tinham cunho cartorial e burocrático, sem informações para decisões objetivas", completa. Temendo a concorrência pelas vagas oferecidas em instituições públicas, a família da dona de casa Maurina Gonçalves dos Santos Rodrigues tratou de se precaver. Diante de um mercado de trabalho cada dia mais competitivo, ela e o marido, o representante comercial Sandro Rodrigues da Silva, acreditam que a educação deve ser tratada como prioridade.

"Se as meninas não conseguirem uma vaga na UFG, pelo menos poderemos bancar as mensalidades de uma universidade paga", diz. O casal tem duas filhas pré-adolescentes, Diandra, 13, e Ananda, 11, e volta e meia precisa convencê-las de que o dinheiro que é depositado mensalmente em seus nomes não pode ter outro objetivo que não o custeio de um curso superior. "Por mais que expliquemos, de vez em quando elas querem usar a verba para outra coisa", conta Maurina. Ela e Sandro depositam 110 reais mensais nesse seguro educacional.

Fonte: O Popular
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