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Universidade amplia vagas, mas ainda é lugar de ricos

      
Quem já passou ou está passando pelo estresse do vestibular sabe o quanto é difícil conquistar uma vaga na universidade no curso desejado (de preferência, um gratuito). Se, para quem tem meios de estudar em escola particular e de fazer cursinho, já é difícil, para os que não têm condição financeira de pagar esses cursos, a tarefa é quase impossível.

? isso que mostram dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) tabulados por Simon Schwartzman, ex-presidente do instituto, que analisou o perfil do estudante universitário no Brasil em 1992 e em 1999. Schwartzman dividiu os estudantes em dois grupos: os que pertencem ao grupo dos 10% mais ricos da população e os que estão entre os 50% mais pobres. O resultado é surpreendente. Apesar de o número de vagas na década de 90 ter quase dobrado, ficou ainda mais difícil para um pobre chegar a universidade.

Em 1992, de cada cem estudantes brasileiros, apenas 8,5 viviam em famílias que pertenciam aos 50% mais pobres da população. Em 1999, esse número caiu para 6,9. Já entre os 10% mais ricos aconteceu o inverso. Eles representavam 45,6% do total em 1992 e passaram a ser 48% em 1999.
Antes de dizer que "só estudam ricos na universidade brasileira", é preciso lembrar que o Brasil é tão pobre que, para fazer parte dos 10% mais ricos em 1999, bastava que a soma da renda mensal das pessoas que moram juntas numa casa fosse de cerca de R$ 4.000.

O que os dados mostram é que a oferta de vagas nas nossas universidades era tão pequena no início da década que nem os mais ricos da população tinham pleno acesso. Para os mais pobres, a tarefa continuou tão difícil no final dos anos 90 quanto era no início. Foi essa dificuldade dos mais pobres de conseguir entrar na universidade que fez surgirem movimentos como o de alunos carentes, que se organizaram em cursos pré-vestibulares comunitários, nos quais os professores são voluntários e não há mensalidade.

Esses grupos, organizados, também pressionam as universidades públicas a abrir mais vagas. Em muitos casos, chegam a entrar na Justiça para garantir que estudantes pobres façam o vestibular sem precisar pagar a taxa normalmente cobrada pelas universidades públicas. Alguns deles defendem a existência de cotas para negros, pardos ou estudantes da rede pública como forma de garantir o acesso. Esse é um dos problemas mais graves cuja solução ficará para o próximo presidente.

O Brasil precisa, para se desenvolver num mundo globalizado, de pessoas com formação universitária. Sobra no país gente que, mesmo sem dinheiro, está apta a estudar em uma universidade. O que falta é recurso público para garantir o ensino gratuito a essas pessoas.

Fonte: Folha de São Paulo
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