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O exame da discórdia

      
Seis anos depois de instituído, o Provão é assunto controverso entre estudantes e docentes. De um lado, os que confiam nas notas como atestado de qualidade do ensino superior. Do outro, os temerosos pela superficialidade do sistema que estabelece ranking entre as instituições de ensino superior. Uma vez por ano são divulgadas as listas com as notas obtidas pelos cursos universitários reconhecidos e inscritos no Exame Nacional de Cursos. De A a E, os resultados são repercutidos no meio acadêmico.

O Provão passou, em pouco tempo, a servir de referência a um contingente interessado em ingressar no ensino superior e no mercado de trabalho, que aproveita as notas para recrutar mão-de-obra qualificada. Bom para o grupo que pensa a universidade como uma etapa preparatória para o mercado de trabalho. Ruim para os que se preocupam com o conceito de universidade autônoma.

Essa é a maior crítica que o presidente do Sindicato dos Professores (Andes), Roberto Leher, faz ao sistema de avaliação do MEC. Segundo ele, o Provão afronta a autonomia universitária, uma vez que a Constituição garante plenos poderes ao conjunto de faculdades autorizadas pelo Estado.''A universidade está sendo avaliada de fora para dentro. ? uma parceria entre o governo e as empresas particulares que elaboram as provas e não levam em conta a opinião dos docentes e alunos'', critica. Um dos responsáveis pela elaboração do Provão no MEC, o professor Jocimar Arcângelo acha exagero pensar em perda de autonomia por causa do Provão.

Para ele, o papel da universidade é preparar a juventude para a sociedade e o mercado de trabalho. Assim, o sistema de avaliação atende a essa necessidade já que oferece informações sobre a mão-de-obra formada nos cursos superiores. ''? o governo quem autoriza o funcionamento de uma universidade, passa a ser dele também a tarefa de verificar e informar o desempenho dos alunos recém-saídos dessa instituição'', rebate.

O joio do trigo

O sistema de notas também é alvo de críticas. Alunos e professores discutem até que ponto uma prova com sistema comparativo avalia se um aluno é ou não excelente. Quer dizer, a menção A não diz, necessariamente, que os alunos de curso superior foram brilhantes, mas que se saíram melhores ou piores que as outras instituições. Por exemplo, em uma escala de zero a dez, uma faculdade com nota quatro pode ser considerada excelente, desde que as outras tenham tirado dois. ''Cria-se uma falsa realidade de que o Provão separa os estudantes de boa qualidade, quando, na verdade, indica os menos piores'', alerta Roberto Leher, representante dos professores.

O vice-reitor da Universidade de Brasília (UnB), Thimothy Mulholland, concorda que o Exame Nacional de Cursos tenha fragilidades. Uma delas é obrigar o formando a responder a prova sem criar mecanismos de incentivo para que ele se esforce em responder as questões.

''O aluno pode entregar em branco ou passar o tempo formulando as melhores respostas. A conseqüência será a mesma'', considera. Para ele, o boicote fere a legitimidade do sistema que acaba por qualificar como ruim uma turma que preferiu não responder as perguntas do MEC. Para a futura advogada Bianca Becale, 22 anos, deixar de fazer o exame seria uma forma de prejudicar a ela e à instituição. O curso de Bianca, Direito da UnB, recebeu nota A pelo quinto ano consecutivo em 2001.

A formanda aprova a forma de avaliação e acredita que as cinco estrelas no currículo ajudarão na carreira profissional. Mulholland, no entanto, lembra que o Provão é um dos sistemas de avaliação do ensino superior. Se o Exame Nacional de Cursos não sinaliza tão bem as falhas do ensino superior, existem outros procedimentos que chegam mais perto desse objetivo. A Avaliação das Condições de Ofertas é um exemplo. ''? nesse relatório que constam a falta de laboratórios, a avaliação do corpo docente e das bibliotecas de uma universidade'', pondera. Para o MEC, a intransigência ao método de avaliação não é mais significativa. Um percentual de apenas 1,6% de inscritos adere ao boicote.

Fonte: Correio Braziliense
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