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Brasil e Turquia: partida começou, na verdade, no domingo

      

Por João Ricardo Cozac*

E a Copa começou para o Brasil. Para aqueles que acordaram às 5 e meia da manhã que, seguramente, não foram poucos, o início da Copa veio tingido por um tom de dramaticidade e angústia. Todos sabíamos que a Turquia, teoricamente, seria o adversário mais difícil desta primeira fase.ÿ

Mas a partida teve realmente início bem antes. Na verdade, ela começou no domingo à noite, após a infeliz contusão do capitão e volante Emerson durante um treino recreativo de reconhecimento do Estádio onde o Brasil atuaria. Foi o começo do drama. Imaginem o que a tripulação de um navio sentiria se o seu Comandante perdesse as duas mãos e não pudesse manejar o leme. E, pior: o acidente com o Comandante acontecendo um dia antes do embarque. No caso da Seleção não foi diferente. A contusão de Emerson abalou psicologicamente o grupo na véspera da estréia da Seleção. Cafu, seu amigo e companheiro de equipe (Roma- Itália) assumiu a braçadeira de capitão da equipe com uma mistura de pesar e orgulho. Que sensação estranha! Estar triste pelo acidente com seu amigo e orgulhoso por ser o novo Comandante da equipe. Novamente a ausência de um psicólogo foi lembrada. Auto-suficiência do treinador? Falta de bons profissionais na área? Seja lá o que for, já é hora de se atribuir uma alma ao jogador de futebol.


A Seleção entrou em campo buscando a superação deste incidente de última hora. Começou atacando bem, impondo um ritmo forte na partida. O novo capitão Cafu chamou a responsabilidade para si e foi bastante acionado durante todo o primeiro tempo. Mostrou personalidade e muito senso coletivo: características marcantes neste lateral direito que tanto sucesso conquistou nas equipes por onde atuou.


Outros atletas como Edmílson e Ronaldinho Gaúcho estavam visivelmente nervosos ao longo de todo o primeiro tempo.
O que não contávamos era com o gol da Turquia já nos descontos do primeiro tempo. Um gol que poderia aumentar ainda mais a ansiedade do grupo ou motivar os atletas para o segundo tempo.ÿ
Felizmente no início do segundo tempo, através de uma cruzamento de Rivaldo, Ronaldo ( "fenômeno") mostrou ao mundo e a si-mesmo que já está recuperado de suas sucessivas contusões: mergulhou com os pés e empatou a partida para o alívio de Felipão e de todos os brasileiros.


Após o empate, o jogo ficou aberto. As duas equipes procuravam o ataque. Com o passar do tempo, a Turquia dava mostras de que o empate seria um bom resultado. O Brasil insistia na marcação do segundo gol. Contando com a ajuda do árbitro coreano, que viu a falta do zagueiro turco em Luizão dentro da área (quando na verdade foi a alguns passos fora da linha divisória), conseguimos nossa primeira vitória através da cobrança com êxito da penalidade máxima por Rivaldo.
A vitória é sempre bem-vinda. Ainda mais na estréia de uma Copa do Mundo. Felipão decididamente assumiu todo o comando para si. Ele desempenha o papel de técnico, pai, psicólogo, amigo, conselheiro e torcedor. A Seleção, hoje em dia, mudou seu nome para "Família Scolari". Será que esse método vai funcionar?ÿ


O que esperar efetivamente deste time para a Copa? Com a amostra de hoje, uma grande força de cooperação, amizade, espírito de equipe e desejo de superação. Mas será que isso basta para um time ser o campeão do mundo? Não. ? preciso mais. Muito mais. ? necessário um bom equilíbrio emocional para não desperdiçarmos tantas oportunidades de gol. Um desempenho estável da defesa, meio campo e ataque. Jogar com mais alegria e menos tensão. O semblante fechado de muitos jogadores era evidente. Com a entrada de Denílson, a equipe ganhou a possibilidade de ser mais despojada, alegre e solta, sem perder o compromisso com a vitória. Pelo contrário: Denílson parece ser aquela pílula estimulante e muitas vezes imprescindível para mudar o estado de ânimo da equipe.ÿ


A Seleção de Felipão precisa melhorar muito para conquistar o Penta. Precisamos de uma identidade de equipe. Nem mesmo os comentaristas mais experientes conseguem identificar, muitas vezes, qual é a verdadeira Seleção brasileira na cabeça do treinador.ÿ


A verdade é que os brasileiros continuarão acordando de madrugada para assistir aos jogos da Seleção, a Rede Globo continuará a atingir picos de 70 pontos de audiência e a sensação da união pelo espírito de patriotismo será vivenciada ao menos durante os trinta dias da Copa.


* João Ricardo Cozac é Presidente do CEPPE (Centro de Estudo e Pesquisa da Psicologia do Esporte)

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