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Primeira Faculdade de Medicina ameaçada por chuvas e descaso

      
As chuvas que vêm caindo em Salvador alterando a rotina de pedestres e motoristas e causando sérios transtornos em bairros da periferia de Salvador, também atingiram em cheio o prédio da antiga Faculdade de Medicina, no Terreiro de Jesus, primeira instituição de ensino e onde houve a primeira aula de curso superior do País. A situação é crítica. Pisos e tetos nos vários ambientes da construção de 400 anos correm o risco de desabamento.

A Comissão de Acompanhamento das Obras de Restauração da faculdade enviou um telegrama ao presidente Fernando Henrique Cardoso, expondo suas preocupações e cobrando soluções. A comissão ainda não entendeu por que, na reforma, foi priorizada a ala nordeste do prédio, com a reconstrução do Anfiteatro Alfredo Britto, enquanto o pavilhão da biblioteca de 160 mil livros, o salão nobre, as salas da congregação e dos lentes e o Memorial da Medicina Brasileira ficam à toa. A bibliotecária aposentada Maria José Rabello de Freitas - encarregada dos projetos de recuperação da biblioteca da faculdade - afirma que o colegiado de arquivologia da Universidade Federal da Bahia está mobilizado para esse trabalho, basta que surja alguma verba para iniciá-lo.

"Os milhares de livros estão servindo de escada para os trabalhadores das obras da ala nordeste do prédio", denuncia Maria Theresa. A professora Maria José está indignada. "Este prédio é, ao mesmo tempo, o mais antigo monumento material, intelectual e moral de nossa terra. A faculdade do Terreiro de Jesus produziu e recolheu, durante um século e meio, imenso patrimônio de cultura médica, constituindo um acervo de vários segmentos", explica.

Acervo

Os membros da Comissão de Acompanhamento das Obras ratificam as declarações da bibliotecária Maria José de que a biblioteca possui o mais importante acervo médico brasileiro. Mas hoje os tratados de anatomia, fisiologia, histologia, em latim e francês, de grande importância histórica, e trabalhos publicados por autores consagrados nacionalmente, como Nina Rodrigues, Afrânio Peixoto, Juliano Moreira, Gonçalo Muniz, Arthur Ramos, Oscar Freire e outros, estão em franca deterioração. Um catálogo de 1836 registra um total de 15 mil títulos, incluindo livros, teses e dissertações, enciclopédias e dicionários. Em 1905, um incêndio destruiu quase todo o acervo.

Em 1909 a biblioteca foi reconstruída. Lamartine de Andrade Lima acredita que 50% dos 160 mil títulos estão perdidos. Em sua opinião, o descaso do governo federal para com o patrimônio que constitui a Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus é flagrante.

Regime militar

Antigos alunos e professores de medicina jamais absorveram a decisão do regime militar, que transferiu a faculdade do Terreiro de Jesus para o Vale do Canela. Eles acreditam que a partir daí o patrimônio cultural e intelectual do prédio começou a ir, literalmente, por água abaixo. "Não sabemos que motivação política impede a entrada de, ao menos, um centavo para a recuperação da antiga faculdade", comenta a bibliotecária Maria José Rabello. A presidente da comissão e da Academia de Medicina da Bahia, Maria Theresa de Medeiros Pacheco, diz que o sentimento é de indignação.

"Estamos apelando para o presidente da República, para os ministros, as câmaras legislativas e os órgãos de classe. Precisamos da mobilização de todos para salvarmos este patrimônio", afirma Maria Theresa. A Comissão de Acompanhamento das Obras e Restauração da Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus se queixa da prioridade dada à reforma da ala nordeste, em detrimento aos outros ambientes da área de 12 mil metros quadrados. Os membros da comissão afirmam que não foram levados a sério pelos dirigentes da reconstrução. "Jamais nos ouviram", afirma Lamartine Lima.

Em carta publicada no Espaço do Leitor, na edição de 30 de maio, o coordenador-geral do projeto de extensão da Faculdade de Arquitetura, Escola de Oficina de Salvador (EOS), Luiz Carlos Botas Dourado, que executou a reconstrução do Anfiteatro Alfredo Britto e está executando a restauração da ala nordeste, respectivamente primeira e segunda etapa da obra de restauração da Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus, afirmou: "Esclareço que este processo restaurativo se faz por meio de um programa de formação de mão-de-obra para o restauro e a construção civil que, na América Latina, mantém 27 escolas, contando com o apoio do governo espanhol.

Em Salvador, este programa atende a uma clientela constituída de 100 jovens economicamente carentes e em situação de risco social, contando com o apoio da ãci, do Minc, do MEC, do Iphan, da Ufba, da Setras, da SEC e da Fapex". Ele faz um histórico das obras e encerra esclarecendo que os recursos espanhóis não são destinados às obras, de fato.

Fonte: A Tarde
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